terça-feira, 20 de março de 2018

Tempos obscuros: A desembargadora e criança torturada


GilsonSampaio


Tempos obscuros

Esses tempos não chegaram agora. Vem de longe, acobertados pelas sombras dos poderes e por uma mídia comprometida por esse poderes,  que, em tese, deviam zelar pela própria honradez, probidade, retidão e honestidade.

Talvez mais do que em outros países, a justiça daqui não é independente, pelo contrário, tem como parceiros uma elite dissociada da mais leve noção de país, pátria, nação e povo e, porque não?, ética e moralidade.  Não, não é uma ilação, a constatação é gritante por vários fatos de corporativismo e sentimento de casta.

Em que país do planeta, minimamente civilizado, juízes fazem greve para manterem privilégios como o o bolsa aluguel de R$ 4mil, quando apenas uma minoria bastante restrita recebe esses mesmos R$ 4mil de salário ou quando o salário mínimo é de R$ 954 reais? Há muitos outros como o bolsa-estudo para os filhos até 30 anos.

Em que país do planeta, minimamente civilizado, juízes flagrados em crime são exonerados com direito aos vencimentos?

Eduardo Azeredo, ex-governador e senador mineiro dos quadros do PSDB, já  condenado em 2ª instância,  espera recurso em liberdade à espera da prescrição da pena. Tucanos paulistas quando não gozam desse privilégio da prescrição da processo, caso Serra e FHC, seguem a vida como se nada houvesse acontecido contando com a morosidade seletiva da justiça e perspectiva da prescrição. Um dos casos Lula furou a fila de 297 outros processos e teve a pena aumentada em exato um mês, o suficiente para não prescrever.

Enfim, o quê é ensinado nas escolas de direito?

Pra que existe a outrora combativa OAB?

Último escracho à população foi a desembargadora Marília Castro Neves ao expor seu despreparo absoluto nas redes sociais sem o menor constrangimento.  Desnudou-se por inteiro, e num misto de arrogância e prepotência deixou demonstrada a sua incapacidade de julgar qualquer coisa.

Eis algumas pérolas de alguém alçada a uma instância superior da justiça(?) e publicadas na Carta Capital:



1 – Desqualificou uma professora portadora de síndrome de Down: "O que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto".

2 – Sobre Jean Willis: Ela disse que o parlamentar não valeria "a bala que o mate e o pano que limpe a lambança", e ainda fez uma piada homofóbica em seguida. Após outro usuário afirmar que "quanto ao paredão, de costas, ele adoraria", Neves afirmou: "Tenho dúvidas... o projétil é fininho".

3 – Acusou a vereadora carioca executada de associação com bandidos e de ter sido eleita pelo Comando Vermelho.

Em que país, minimamente civilizado, uma pessoa como essa conseguiu alçar ao posto de juiz e depois de desembargadora?

O exemplo que arrasta, vem de cima.

O troglodita sabia que a criança seria atingida pelo choque.




Tempos muito obscuros.

Um comentário:

  1. De chorar Gilson. A criança foi o que menos importou em toda aquela violência. Pra quem tem depressão é pra nunca mais levantar da cama.

    Inté.

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