quinta-feira, 29 de março de 2018

ELI, ELI, POR QUE ABANDONASTE O BRASIL?


Via correio Pedro Augusto Pinho
 avô, administrador aposentado

Nestes dias da Paixão de Cristo, voltamos a nossa flagelada Pátria.

O golpe de 2016 não tirou apenas, pela fraude e pela corrupção, uma Presidente honesta do cargo que a maioria do povo lhe colocara. Fez pior.

Colocou nos poderes – executivo, legislativo, judiciário e no midiático comercial – os maiores inimigos dos interesses nacionais, no sentido dos menos comprometidos com o País e seu povo, os mais venais, menos conscientes e mais ignorantes homens públicos e empresários.

Vou tratar de fato recente, noticiado pelo Monitor Mercantil, em 27 de março de 2018, na terceira página e na coluna Acredite se Puder, de Nelson Priori: a iniciante disputa pela moeda internacional.

Recordemos. Com o fim da II Grande Guerra e os Acordos de Bretton Woods, em julho de 1944, na cidade que deu nome aos acordos, no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos da América (EUA), houve a formal transferência do poder capitalista financeiro, representado pela Inglaterra, para o poder capitalista industrial. E como consequência, a libra esterlina, enfraquecida crescentemente desde a I Grande Guerra, deixa de ser a referência monetária assumida então pelo dólar estadunidense.

Foi mais um hábil lance daquele poder com séculos de experiência, consolidado no Reino Unido (UK). Em agosto de 1971, nem três décadas decorridas, os EUA rompem, unilateralmente, as regras de fixação da moeda referência.

Procuremos entender esta razão estadunidense. Por Bretton Woods, o dólar corresponderia a US$ 35 por onça de ouro. Esta determinação engessava o dólar e os EUA gastavam cada vez mais com a Guerra Fria, imaginando que seu inimigo fosse o socialismo industrial e não o capitalismo financeiro.

Devo assinalar que hoje, quando o sistema financeiro domina o mundo ocidental, há ainda pessoas que raciocinam como no período de 1945 a 1970. Acreditam que seja o socialismo e não a banca (como designo abreviadamente o sistema financeiro) o grande inimigo do capitalismo industrial.

Mas, para romper Bretton Woods e se manter como principal moeda internacional, os EUA precisavam garantir que sua moeda seria usada nos maiores negócios em valor, nas trocas internacionais.

Como é do conhecimento de todos, as drogas e o comércio de armas são, ao lado do petróleo, os três negócios que movimentam as maiores quantias de dinheiro no mundo. As drogas e o contrabando de armas são atividades ilícitas. Os EUA não poderiam ter garantia nem se arriscariam como Estado Nacional a firmar acordos com estes chefes do crime.

Restava o petróleo. A Arábia Saudita, com produção média de 6 milhões de barris por dia (bpd) na primeira metade da década de 1970, somada às produções do Kuwait, Qatar, Emirados Árabes, na mesma época de cerca de 4 a 5 milhões de bpd, representavam quase 50% da produção mundial.

Os EUA fazem então um acordo com a Arábia Saudita que se espalha pelos países árabes: toda venda de petróleo será feita unicamente em dólar. Ou seja, trocam o rigor imobilista de uma quantidade de ouro pela flexibilidade comercial de bem dos mais negociados no planeta.

Uma jogada de mestre. Só não contavam com a experiência de dona de bordel das finanças da Inglaterra, A banca cria a “crise” – as primeiras serão exatamente do petróleo – para reconquistar o poder.

Pobre de quem acredita na pedagogia colonial e na Globo para se orientar.

O que estamos vendo hoje, nas notícias aqui registradas: a China resolve disputar esta condição de moeda das trocas internacionais.

O informativo da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET Direto – na edição de 27/03/2018, analisa esta ação chinesa (Morte do dólar norte americano? China lança petro-yuan para desafiar o domínio do dólar).

Vamos reproduzir alguns dados e análise deste excelente informativo.

“A China é o maior consumidor de petróleo do mundo, com os olhos nos benchmarks (processo de comparação de produtos e serviços) rivais Brent e WTI, assim como a moeda norte-americana.

A negociação dos novos contratos futuros de petróleo para liquidação em setembro começou na Bolsa Internacional de Energia de Xangai a 440,20 iuanes (US $ 69,70) por barril, informa o jornal chinês South China Morning Post. Cerca de 18.540 lotes foram vendidos e comprados até o momento.

O tão esperado passo levou a um aumento nos preços globais do petróleo com o Brent Crude subindo para US$ 71 o barril pela primeira vez desde 2015. O West Texas Intermediate (WTI) atingiu o maior nível em três anos a US$ 66,55 por barril.”

Os preços do petróleo no comércio internacional são referenciados a tipos de petróleo. Os mais negociado são o Brent, petróleo do Mar do Norte, e o WTI (West Texas Intermediate) estadunidense. Há outros óleos de limitados contratos de compra e venda como o ANS (Alaska North Slope) e o Dubai. Para suas decisões a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) usa a denominada cesta da Opep, média aritmética de sete variedades de petróleo: Saharan Blend (Argélia), Minas (Indonésia), Bonny Light (Nigéria), Arab Light (Arábia Saudita), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Tia Juana Light (Venezuela) e Isthmus (México).

Como se constata, a China resolveu e tem condições, por ser a segunda a caminho da primeira economia mundial, para promover significativa reviravolta econômica e comercial no mercado internacional.

E o Brasil? Detentor da importantíssima reserva do pré-sal, se tivesse um governo competente e nacionalista, seria uma oportunidade de defender o interesse nacional e impor-se nesta mesa de negociações que agora se abre.

Mas nada disso? Primeiro pelo amadorismo dos dirigentes, depois pelo interesse mesquinho do ganho individual de cada um e, como mais triste ainda, sem assessoria e independência da banca, que os colocaram no poder de capitães do mato local, para agir em favor daqueles interesses estrangeiros e não pelo Brasil.

Senhor, por que nos abandonaste?


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