sexta-feira, 30 de março de 2018

A estúpida ideia de Pepe Mujica


Sanguessugado do InformaçãoIncorrecta 

Max

Observo os programas nas televisões brasileiras e vejo bairros alucinados, casas em condições
miseráveis que na Europa nem seriam utilizadas para arrumar um carro.

Depois vejo as declarações de Pepe Mujica:

Se tivesse que promover o Plano Juntos, pediria não menos de que mil soldados, pagaria-lhes mais alguns pesos do que ganham, o que é uma miséria. Se os enviarmos para o Congo e outros lugares, então podem trabalhar para construir casas humildes, com custos menores.

O Plano Juntos é o projecto da Uruguay que prevê a construção de 3.000 residências até o ano de 2020. O antigo Presidente do País sugere a utilização do exército para abater os custos: Mujica reconhece que a sua ideia não é uma solução definitiva, mas poderia dar um "forte impulso para favorecer os sectores mais pobres da sociedade".

O Senador observa que os custos da construção no mercado são praticamente "impossíveis", então eis a ideia de utilizar os soldados:

Em vez de fazer os simulacros, poderíamos ter uma massa de soldados que constroem casas humildes e de baixo custo. Uns 20.000 Dólares por casa. Com as clássicas exigências do sector da construção, isso é impossível para uma casa de 50 ou 60 metros quadrados.

As grandes ideias não devem ser obrigatoriamente geniais: a simplicidade é uma terrível mais valia.
Utilizar soldados do Estado para que o Estado ajude as classes mais desfavorecidas é uma ideia simples. Por isso é uma grande ideia.

Eu sei que vão dizer-me que isso retira o negócio das empresas, mas não tira nada porque as empresas não trabalham se não houver dinheiro. Podem trabalhar para um público com maior poder de aquisição.

O raciocínio parece funcionar. E não é um problema de mera assistência social, de "caridade", mas um problema de futuro:

Se quisermos que as árvores cresçam direitas, que as crianças tenham mais direitos, a questão de uma casa humilde mas decente que lhes permita crescer é uma condição sine qua non. Este é o treino e a educação para o futuro, não se trata de ajudar de graça. É uma conveniência de médio prazo para toda a sociedade.

Eliminar as classes mais pobres, eleva-las para um patamar superior, é uma mais valia para toda a
sociedade. O futuro é construído também desta forma, com condições básicas para poder crescer: não entende-lo significa perpetrar uma sociedade feita de injustiça, discriminação, inevitáveis fricções, criminalidade.

Digo isso porque no Plano Juntos chamámos pessoas das unidades militares que ajudaram, para fazer grandes movimentos de terra em Piojo Cachimba. Não se trata de construir palácios, mas casas de material humilde mas dignas, e isso é possível.

Claro que é possível, a questão é outra: vontade.


E voltamos ao Brasil.

O País gastou em 2016 (últimos dados disponíveis no SIPRI) 1.3% do seu PIB (o Produto Interno Bruto) no sector militar: uma percentagem que nos continentes americanos ultrapassa a República Dominicana (0.6%), El Salvador (0.9). Guatemala (0.4), Jamaica (0.8), México (0.6), Trindade e Tobago (1.1), Canada (1.0), Argentina (1.0) e Venezuela (0.3).

Para sermos mais precisos, em 2016 o Brasil gastou 82.594.000.000 Reais, o que não é pouco, e continua entre os primeiros 15 Países do Mundo que mais gastam no sector dos armamentos (ocupa a 11ª posição).

Dado que o Brasil não arrisca ser atacado pela Guyana nos próximos tempos e dado que actualmente o Exército Brasileiro conta com uma força de 219.585 homens no activo (dado de 2014), porque não utilizar uma parte deles nas obras de construção, recuperação e remodelação daqueles bairros mais desgraçados que abundam no País? As "forças de guerra" podem (e deveriam) ser utilizadas em tempo de paz para obras em favor das comunidades: por qual razão o Estado não pode utilizar os instrumentos dele para abater os custos duma obra que favorece a inteira sociedade? É uma ideia tão estúpida?

Eu sei que o Brasil tem outros problemas também, mas conceder uma vida digna a milhões de pessoas não deveria ser uma prioridade em qualquer altura?

Para já, eis as ligações ao Plano Junto da Uruguay no caso de construção, aluguer e reestruturação.


Ipse dixit.


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