quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

PF = Polícia Fascista

Via Conversa Afiada

Joaquim Xavier

Greve Geral nas Universidades, já!
  

Sem Título-11.jpg
Himmler (C), de farda escura, inspeciona os professores da UFMG!


Transformada em empresa privada de segurança do presidente ladrão, a PF tornou-se a Polícia Fascista. Atua como as SS de Hitler sob comando de Heinrich Himmler. Invade casas, empresas, universidades e o que for, munida de mandados encomendados a juízes timoratos - "para ser gentil", como diz o ansioso blogueiro.

Provoca “suicídios”, como o do reitor Cancellier – na verdade, um homicídio qualificado sob impulso da delegada Erika Marena e da Juíza Cassol (timorata).

O alvo preferencial de agora são as universidades. Não bastou assassinar o reitor Cancellier. Querem mais.

Voltaram a investir contra a Universidade Federal de Santa Catarina. Um dia antes, mobilizaram quase cem policiais para prender dirigentes e reitor da UFMG.

O diretor da Polícia Fascista, Segóvia, ou como vocês dizem, Senvergóvia, esse discípulo de Himmler, posa de desentendido. Perguntado pelo jornalista Luis Nassif sobre a operação contra a UFMG, disse que desconhecia o assunto. Um cínico assumido.

Enquanto isso, policiais sob a direção dele praticavam “condução coercitiva” contra supostos acusados. Vamos chamar as coisas pelo nome. As vítimas de mais este ato de arbítrio foram de fato PRESAS. Durante o período de condução coercitiva, estão sob controle da Polícia. Se isto não é prisão, privação de liberdade, o que é então PRISÃO?

Note-se que a "condução coercitiva" passou a ser rotineira, habitual e "legal". É uma contribuição daquele que vocês chamam de Judge Murrow ao nosso tropical pomar de jabuticabeiras!

Nenhum, absolutamente nenhuma das vítimas de Segóvia-Himmler sequer sabia do que estava sendo acusada. Nunca haviam sido convocadas para depor nos trâmites da lei que ainda existe (só) no papel.

Heloisa Starling, da UFMG, foi uma delas. Heloísa é uma das mais brilhantes historiadoras do país. Recentemente foi co-autora, com a historiadora Lilia Schwarcz, de um livro (“Brasil, uma biografia”) que é referência obrigatória para entender o país. Participou da Comissão da Verdade e investigou em profundidade os danos causados pela ditadura militar a seus opositores. Produziu séries de reportagens inesquecíveis divulgadas por emissoras como o SBT.

Conheço Heloisa pessoalmente. Sei de seus hábitos franciscanos, de sua vida pacata e de seu empenho e dedicação à tarefa de desvendar o lado oculto de períodos sombrios do Brasil. Sua prisão é um escândalo autoritário. Conversei com ela. Heloísa relatou a trama absurda em que tentam envolvê-la, com colegas da Universidade. Contou que a violência pessoal e psicológica foi tão grande que prefere ficar calada pelo menos por agora.

O ataque que vem sendo perpetrado pela Polícia Fascista representa também uma afronta inédita a uma garantia consagrada: a autonomia universitária. Tirando o período inicial da ditadura, não se tem notícia de agressões tão ostensivas a um direito conquistado a duras penas. Que fez das universidades um centro histórico de defesa das liberdades e lugar para reuniões, encontros e atividades que contribuíram para a derrocada da ditadura militar.

(Um suposto historiador, que vocês chamam de historialista, sustenta que a ditadora acabou porque os ditadores preferiram ir embora pra casa. Como dizem vocês: quá, quá, quá!)

A ditadura civil-policial de Temer sabe disso. Sob o argumento de desvio de verbas e que tais, ataca frontalmente os meios acadêmicos.

Claro que condutas irregulares devem ser investigadas e seus responsáveis, punidos. Mas a seletividade dos métodos da Polícia Fascista revela tudo.

Alguém se lembra da “condução coercitiva” de tubarões envolvidos em roubalheiras como as reveladas na tal operação Zelotes? Os montantes em questão superam os bilhões de reais. Mas, nenhum Roberto Setúbal, manda-chuva do Itaú, ou Jorge Gerdau Johannpeter, que vivia pedindo "menos impostos" (quá, quá, quá!) foi incomodado pela tropa da Polícia Fascista.

O meio acadêmico, intelectuais sérios, personalidades que prezam as liberdades e a autonomia universitária já se manifestaram contra a ofensiva de Segóvia-Himmler. A universidade de Coimbra, uma das mais importantes do mundo e onde recentemente o “juiz” Sergio Moro foi repudiado, também rechaçou as prisões arbitrárias.

João Bosco está indignado porque a PF Fascista se apropriou indevidamente de uma de suas antológicas composições, "Esperança equilibrista".

É pouco.

Por muito menos, em outras épocas, houve protestos bem mais contundentes. Uma Greve Geral das universidades se impõe. Nem que seja em respeito à memória do reitor Cancellier.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.