segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Estados Unidos: O império do narcotráfico

 Sanguessugado do Rebelion


Laila Tajeldine

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Vozes contra o império



Entre os três produtos que mais são comercializados a nível internacional estão o petróleo, as armas e as drogas. A demanda mundial de petróleo se situa em 94 milhões de barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia, sendo os EUA o maior  consumidor de petróleo a nível mundial, com 11,5 milhões barris diários.  Da mesma forma, de acordo com o Instituto Internacional de Estudos para a Paz, de Estocolmo, os EUA são o primeiro país produtor e exportador de armas a nível mundial, controlando 31% do  mercado internacional.



Quanto às drogas, segundo a ONU 246 milhões de pessoas consomem drogas no planeta, das quais 182 milhões usam somente a maconha, outros 48,9 milhões de pessoas a heroína, 17 milhões a cocaína e o restante das pessoas consome anfetaminas e extasis entre outros  tipos de drogas. Segundo ao ONU, em seu relatório Drogas em 2015, por ano falecem, em média, 187 mil seres humanos por seu consumo. Na atualidade, os EUA são o segundo maior produtor  mundial de maconha, superados pelo Marrocos somente neste último ano. Quanto à heroína, o Afeganistão (invadido  pelos EUA desde 2001) se constitui no primeiro produtor mundial dessa droga, e quanto à cocaína, a Colômbia  (onde os EUA operam desde o ano de 2000 com o “Plano Colômbia”) é a principal produtora desse cultivo ilícito no planeta, superando sua produção neste último ano.



Resulta ser surpreendente conhecer o  caso do Afeganistão, país que, antes da intervenção norte-americana tinha praticamente erradicado a produção de heroína, e de acordo com a ONU a partir de 2002 sua produção aumentou consideravelmente, considerando-se que somente no ano de 2014 houve uma produção estimada de 6500 toneladas de ópio. Bem, agora é mais assombroso ainda saber que 90% da heroína que é consumida no Canadá provém do Afeganistão, da mesma forma que o mercado  da heroína na Europa é abastecido a partir desse país invadido. Da mesma forma ocorre com a produção de cocaína na Colômbia, país em que desde o ano de 2000 os EUA implementam um suposto plano para diminuir o cultivo desse produto ilegal e a colocação de 7 bases militares, e que apesar disso a produção aumentou, abastecendo o mercado norte-americano e europeu. Segundo a ONU, em 2015 esse país incrementou em 52% a produção dessa droga, que chega agora a 442 toneladas métricas anuais.   



Como os EUA se vinculam com o negócio do narcotráfico?


Para os EUA, o negócio do narcotráfico tem servido para financiar as atividades subversivas da CIA contra outros Estados. O serviço de inteligência norte-americano (CIA) e a DEA (expulsa da Venezuela e da Bolívia) tem atuado de mãos dadas e como exército de apoio ao tráfico mundial de drogas, transformando assim esse país num Império do Narcotráfico.  



Os anos de operações da CIA com o narcotráfico para a obtenção de recursos nos levam aos anos 50, quando atuou na Tailândia e em outros países da Ásia, financiando operações com grandes quantidades de drogas. Embora o clímax dessas atividades estadunidenses tenha se tornado evidente nos anos 80, quando com o dinheiro obtido através da heroína levada do Afeganistão para a Europa Ocidental, os EUA financiaram a organização liderada por Osama Bin Laden (1980). O mesmo ocorreu na América Central, quando os EUA, através da CIA, financiavam os contras nicaragüenses (1986) com o dinheiro da cocaína que retiravam da Colômbia, Peru e Bolívia e introduziam sem eu próprio território. Relatórios publicados pelo Congresso norte-americano  e documentos que vieram a público confirmam como a CIA e a DEA trabalhavam com narcotraficantes e brindavam ajuda material , inclusive utilizando suas contras bancárias (Banco de Crédito e Comercio Internacional – BCCI) para lavar o dinheiro proveniente da venda das drogas, que usavam para financiar suas guerras secretas mundo afora. Devido ao escândalo internacional que deixou a descoberto a posição dos EUA    de “lutar contra o narcotráfico”, e constatava que eles eram um narco-Estado, todos os funcionários envolvidos  nesses casos foram julgados e sentenciados, embora nenhum tenha cumprido pena e quase todos foram reintegrados  às suas funções no governo de George Bush filho. 

Continuam os Estados Unidos repetindo o mesmo esquema?


A receita monetária com a venda de narcóticos continua sendo utilizada pelos Estados Unidos para financiar suas operações clandestinas, mas além disso tem servido para financiar suas próprias crises. No ano de 2008, o Diretor do Escritório contra as Drogas e o Delito da ONU expressou: “os bilhões de narco-dólares impediram o naufrágio do sistema no pior  momento”, e posteriormente ainda mais surpresa causou o relatório publicado em 2012 pela Subcomissão do Senado dos EUA, que afirmava que “a cada ano, entre 300 bilhões de dólares e um trilhão de dólares de origem criminosa são lavados pelos bancos em todo o planeta, e a metade desses fundos transitam por bancos norte-americanos”.   

Tais conclusões da Sucmissão do Senado foram confirmados quando uma Corte Federal de Nova Iorque  tornou público no ano de 2012 a participação dos bancos HSBC, JP Morgan, Wells Fargo e Bank of America na lavagem de dinheiro  proveniente do narcotráfico; no caso do Banco HSBC, confirmou-se que no ano de 2008 ele lavou 1,1 bilhões de dólares do Cartel de Sinaloa com destino aos Estados Unidos.  Em alguns desses casos, a Corte impôs multas, mas nenhum de seus diretores ou funcionários foi preso por isso, o que indica que estamos diante uma sociedade de cúmplices, onde através de multas o Estado termina legalizando o dinheiro do narcotráfico. Existem outros bancos norte-americanos que foram identificados  com a lavagem de dólares do  narcotráfico, tais como o City Group, Bank of New York e o  Bank of Boston; entretanto, tudo indica que contam com a proteção das autoridades desse país.  

Em nossa região, são incontáveis os escândalos da DEA, entidade norte-americana que mantém absoluta vinculação com os cartéis da droga na Colômbia, apesar de se apresentar como quem os combate. Em março de 2015 veio a público um informe do Departamento de Justiça estadunidense, onde confirmam os desvios de conduta desses funcionários, participando em festas com narcotraficantes usando as instalações da DEA e recebendo presentes dos mesmos. A isso, junta-se o aumento da produção e do tráfico de cocaína na Colômbia nos últimos anos, o que indica que esse mercados tem sido fortalecido. 

Os EUA, de maneira flagrante, usam o narcotráfico para se financiarem e para manter suas atividades encobertas à margem da lei internacional, assim como enfrentar suas crises financeiras. A conduta assumida nos anos 80 é mantida na atualidade., e tanto a CIA como a DEA continuam protegendo seus corredores de narcotráfico e sendo os facilitadores mundiais nesse negócio. O que continua chamando a atenção é que o Escritório da ONU contra Drogas e Delitos, apesar de contar com informação determinante para acusar esse país e seus funcionários de ser um Narco-Estado,  mantém uma atitude inerte diante desse flagelo que assassina centenas de milhares de pessoas por ano e tantos danos causa à sociedade. Novamente os interesses econômicos prevalecem sobre os da humanidade.

  




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