quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Cinco passos para contrabalançar a vulnerabilidade dos processos progressistas


 Via Rebelión

Opina Álvaro García Linera, vice-presidente do Estado Plurinacional da Bolívia


Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Contrainsurgencia

O vice-presidente do Estado, Álvaro Garcia Linera, recomendou, nesta semana, seguir cinco passos para contrabalançar a vulnerabilidades dos processos progressistas. Isso ocorreu no fechamento do ciclo em comemoração aos cem anos do nascimento de José Luís Massera, realizada no auditório da Universidade da República Oriental do Uruguai.
  

A autoridade boliviana explicou que existem “estratégias de contra-insurgência definidas por governos, empresas e bolsas de valores”, que colocam a descoberto certas vulnerabilidades gestadas internamente associadas com ações agressivas a partir do exterior, e assinalou que a América Latina tem problemas dentro do desenvolvimento dos processos progressistas, porque tem gerado internamente condições de vulnerabilidade “por decisões próprias, estas engatilhadas pelos mercados externos, mas elas devem ser reforçadas para se tornarem invulneráveis através de reflexões profundas e sinceras”, assegurou. 


García Linera assinalou que o primeiro passo “é reconhecer e analisar em quais decisões nos equivocamos” como governantes, pois isso é muito importante para avançar sem repetir erros.


Também disse que é necessário lutar a todo custo para manter a unidade do bloco social que foi o construtor do processo de democratização continental, “essa aliança entre setores indígenas e camponeses ou de camponeses com setores operários, com profissionais e estudantes, essa aliança que foi conquistada depois de muito tempo de obscurantismo ditatorial e neoliberal”, que é preciso defender, assinalou.

Na Bolívia, o MAS é uma coalizão  flexível de movimentos sociais, e Evo é o líder articulador, e o desafio é como manter essas coalizões. A história dos governos progressistas e revolucionários vai se definir no interior deles mesmos, não por fora, por que isso seria o retrocesso e a restauração neoconservadora de um neoliberalismo tardio muito mais feroz, autoritário e destrutivo do que foi vivido nos anos 80 e 90”, completou.

Garcia Linera indicou que a terceira recomendação é a capacidade de gestão econômica, pois “as pessoas vão continuar nos apoiando ou vão nos rechaçar conforme a maneira que orientarmos a economia”, e isso depende da realidade de cada país.

Como quarta recomendação, o vice-presidente boliviano disse que cada decisão que for tomada deve estar orientada para beneficiar o núcleo duro, “aquele que nunca vai nos abandonar, os mais pobres, os mais humildes e os mais maltratados”, acrescentou. 

“Se tivermos que distribuir os custos, que não façamos isso recair sobre os mais humildes, mas sim sobre os que possuem mais para manter o apoio dos que tem menos. Nunca se deve perder a base de apoio de  nosso núcleo duro porque, afinal de contas, daí viemos, e quando passar tudo isso, para aí vamos voltar’, acrescentou.

Como última recomendação, Garcia Linera assinalou o constante processo que os revolucionários devem manter, que é o de re-politização e re-politização da sociedade, e “essa é a tarefa mais difícil”, porque cada vez que se requer maior quantidade de pessoal no aparato estatal, os integrantes dos setores sociais assumem e estes de despolitizam. 

“Ao despolitizar esses setores e transformar o ativista em funcionário público e deixar a comunidade ou sindicato abandonado, deixamos espaço para que as forças conservadoras voltem a se apoderar desses setores”, completou.

Por isso, enfatizou que “toda medida econômica que favorece o setor popular deve estar acompanhada de um processo de narrativa política, de politização, de um sentido do que é político: o comunitário, o social, o socialista e o comunista, através de cursos de formação política, seminários, conversas e outros meios”, concluiu. 


*Alvaro Marcelo García Linera é um matemático, sociólogo e político boliviano, trigésimo oitavo vice-presidente do Estado Plurinacional da Bolivia desde  22 de janeiro de 2006, durante o primeiro, segundo e terceiro governo do presidente Evo Morales.






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