terça-feira, 13 de outubro de 2015

Brasil sofre ataque especulativo internacional

Sanguessugado do Sputinik.news


Arnaldo Risemberg

Há algumas semanas houve mais uma denúncia de que uma instituição financeira estrangeira estava fazendo um ataque especulativo ao Brasil. Ela se juntou a outras que já estão sendo alvo de investigações do CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Os presidentes dos Bancos Centrais do CEMLA – Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos estão reunidos em Lima, Peru, discutindo inúmeras questões regulatórias do sistema financeiro e bancário do continente. Um dos temas em debate é a reação dos latino-americanos às desvalorizações das suas moedas nacionais por parte de grandes instituições financeiras e bancárias internacionais.
Sobre esta questão, a Sputnik Brasil ouviu o economista Heitor Silva, professor das Faculdades de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam).

Heitor Silva explica que aquelas instituições financeiras promoveram um ataque especulativo contra as moedas nacionais, de forma a obter grandes lucros em suas operações negociadas em dólar. Ele também esclarece que “cada país tem seus próprios órgãos de controle e investigação para apurar esses fatos. No caso do Brasil, o órgão que está centralizando as investigações é o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica”.

No início de julho de 2015, o CADE informou que sua superintendência-geral abriu processo administrativo para investigar os bancos Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan, Bank of America, Merrill Lynch, Morgan Stanley e UBS. Além destas, há outras instituições sob análise, como o Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland e Standard Chartered, além de 30 pessoas físicas.

As apurações do CADE ocorrem em paralelo a investigações na Europa e nos Estados Unidos. Segundo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, na época da divulgação daquele comunicado não havia indícios de envolvimento de bancos brasileiros na manipulação do câmbio e na desvalorização do real.

Sputnik: Essa questão da manipulação do câmbio por algumas das mais fortes instituições financeiras do mundo – qual o seu propósito e a quem aproveita?

Heitor Silva: Por ser um tema complexo, vale a pena explicar o que é. Porque se ouve tanto falar, e as pessoas às vezes não entendem o que é um ataque especulativo. Um ataque especulativo é uma retirada, uma venda de moeda estrangeira em grande quantidade, buscando a desvalorização da moeda nacional em relação à estrangeira. Isso é o que compõe um ataque especulativo. Quando ele é feito só por uma ou duas empresas, não, é uma necessidade ocasional dessa empresa de ter que vender as moedas. Mas quando é em grande quantidade a saída da moeda estrangeira do território, começa-se a perceber que há uma concatenação de grandes agentes econômicos buscando a desvalorização da moeda. Aí, sim, caracteriza-se um ataque especulativo.

S: Qual é o organismo que fiscaliza isso?

HS: O Banco Central acompanha isso dia a dia, porque é ele quem detém os dólares e vende e compra no mercado, mas quem investiga isso é o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Quem pode realizar um ataque especulativo? Bancos, megainvestidores e as grandes e megaempresas de exportação e importação. Para explicar a vantagem de um ataque especulativo, vamos pensar em termos de um patrimônio comum, um apartamento. Se estivermos com uma cotação do dólar em 1 por 1 e a pessoa tiver um apartamento de 400 mil reais, ele nesse momento terá um apartamento equivalente a 400 mil dólares. Se, porém, nós vivêssemos um momento como estamos vivendo agora, onde um 1 dólar compra 4 reais, ou seja, a nossa moeda está desvalorizada em relação ao dólar, esse mesmo apartamento continuaria valendo os 400 mil reais, mas em dólares passaria a valer 100 mil dólares. É esse o objetivo: quando se faz um ataque especulativo, o detentor de moeda estrangeira entra depois que a moeda está desvalorizada e compra o patrimônio nacional a preços vis. Compra as empresas brasileiras, compra estoques de matérias-primas. Esses são os objetivos dos grandes investidores – eles apostam no momento e mais adiante entram comprando muito barato o patrimônio nacional.

S: É isso que está acontecendo?

HS: Há cerca de duas semanas o diretor de um grande grupo de investimentos já tinha dito que o Brasil estava sofrendo um ataque especulativo, e ele mencionou um grupo chamado iShares NSCI Brazil Capped, que é um fundo negociado em Nova York. Esse fundo tinha 84 milhões de ações naquele momento, em setembro deste ano, sendo que 59 milhões, ou seja, 77% estavam descobertos. Ele não tinha papéis para cobrir aqueles 59 milhões de ações. O que ele estava esperando? Esse fundo é um dos que mais têm apostado numa quebra da nossa moeda em relação ao dólar, porque aí, sim, ele entra aqui e compra os papéis para poder colocar no fundo, já que ele tem alguns dias para realizar a transação, e entra comprando muito mais barato. Então, são esses os interesses que estão por trás da desvalorização.

S: Por que o ataque especulativo se dá em certos momentos? Por que não é o tempo inteiro? Por que um determinado país é escolhido?

HS: As condições para um ataque especulativo estão ligadas a questões de política econômica e de politica mesmo, condições de governabilidade. Quando há problemas na credibilidade sobre a capacidade do Governo de pagar os títulos de dívida que ele tem, que as pessoas desconfiam que o Governo não vai conseguir pagar esses títulos, todo mundo tenta sair, vender rápido esses títulos e converter em moedas fortes, Então isso já é um fator que enfraquece a moeda nacional. Outro fator é quando se tem perda de credibilidade na geração de riqueza do país, ou seja, as pessoas acham que o país vai crescer menos, que a economia vai vender pouco. Isso afeta quem? Os portadores de ações, os acionistas das empresas. E aí o que eles fazem também? Eles tentam vender rapidamente as ações e procurar se colocar em moedas fortes – dólar, euro, iene – e esses movimentos é que permitem, que criam caldo de cultura para a ocorrência dos ataques especulativos.


Um comentário:

  1. poisa é, é por mai mesmo, e é bom lembrar que é justamente por estas razoes que eles vem fazendo de tudo para derrubar a Presidente pois eles querem voltar aos tempos de Fernando Hemrique que so dava noticias ruins para a economia brasileira era tudo que esses bancos e investidores queriam. Esta no jornal da folha de SP. Brasil pode virar Argentina, Brasil pede 42 bilhoes de dolares ao FMI. mais esse emprestimos ficou vinculado a obrigaçao de FHC em desvalorizar o real em 40% quer dizer alem de voce pagar os juros e despesas financeiras pelo emprestimos esse mesmo emprestimos passaria a custar para o Brasil 40% mais. ou seja o Brasil tomou 40 milhoes mais sua divida com o FMI seria 56 milhoes 16 milhoes ai sao referente a desvalorizaçao do real diante do dolar. Em sintese o Brasil desenbolsou mais 16 milhoes so pela desvalorizaçao do real sem contar os juros e taxas cobradas.

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