quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um navio sem porto

feicibuqui do Mauro Iasi

Mauro Iasi

Um navio sem porto

Foto de Mauro Iasi.

Na janela a chuva chora
lágrimas de cristal.
Um coração dilacerado
insiste em suas batidas inúteis.

Um navio carrega minha alma
despedaçada entre centenas de corpos,
desesperados, pendurados pela murada,
transformando o porto em um único ser composto.

Pais seguram seus filhos, mães abraçam o vazio,
as amarras são pessoas que se prendem pateticamente
ao mundo que lhes expulsa,
às terras que não mais lhes pertencem.

O enorme mar à frente é uma metáfora.
Não tendo como ficar, não há onde aportar,
singrarão os oceanos até o nada
e suas lágrimas farão do mundo um mar sem portos.

Não é a chuva que bate em minha janela
são as lágrimas dos desterrados náufragos.
Meu coração e o mar e são inúteis
se do outro lado não há onde chegar.

Mauro Iasi (2015)

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