sábado, 5 de setembro de 2015

Emails mostram golpismo da sra. Clinton.

Sanguessugado do Olhar o Mundo

Luiz Eça

hillary

A revelação de que Hillary Clinton, quando secretária de Estado, usou seu email privado para enviar e receber mensagens sobre assuntos de segurança nacional está causando abalos a sua campanha presidencial.

Apesar de despertarem  pouco interesse na mídia local, alguns desses emails mostraram a participação desta senhora no golpe militar em Honduras e seu favorecimento ao regime golpista.

O presidente democraticamente eleito Zelaya aplicava uma política de defesa dos camponeses contra a voracidade centenária de uma elite que dominava o país desde a independência.

Ele foi derrubado em 2009 por um golpe das forças armadas e da oposição conservadora sob a acusação de pretender mudar a constituição para poder se reeleger nas eleições daquele ano, o que seria ilegal e passível de impeachment.

Era falso.

O que Zelaya queria era que, no pleito de 2009, no qual ele não se  candidatava, o povo, além de votar para presidente, diria se desejava ou não uma nova constituição.

O golpe foi repudiado por todos os países da América e pela União Européia, que cortaram relações com Honduras. Inclusive os EUA.

Nessa ocasião, Hillary Clinton, secretária de Estado , num dos seus emails tornados públicos, dirigiu-se ao advogado Larry Davis, seu velho amigo. Pedia que Davis, lobista do novo regime hondurenho e suspeito de  atuar na organização do golpe, a aproximasse de Micheletti, presidente provisório do governo de força, para que mantivessem negociações.

Aparentemente, essas negociações deram resultado.

Obama condenou o golpe de estado como ilegítimo.

A sra.Clinton pensava de ouro modo.

Conforme diz no seu livro Hard Choices (“Escolhas Difíceis”): “No dias subseqüentes (pós-golpe), eu falei com meus colegas pelo hemisfério, inclusive a secretária Espinosa, do México. Nós criamos um plano para restaurar a ordem em Honduras e garantir que eleições livres e honestas possam ser marcadas rápida e legitimamente e tornaram a questão de Zelaya superada.”

Essas eleições “livres” foram marcadas pela violência, assassinatos de líderes anti-golpe  e fechamento de jornais de tendência esquerdista. E os principais observadores internacionais, como a ONU e o Centro Carter, as boicotaram.

Apenas a metade dos eleitores votaram,  elegendo Porfírio Lobo, um dos líderes da ação ilegal contra Zelaya.

Hillary Clinton foi mais longe no seu apoio às forças golpistas.

De acordo com as leis americanas, Obama tinha ordenado a suspensão de todas as ajudas ao governo oriundo do golpe.

A sra.Clinton ignorou.

Em outro dos emails revelados, ela aprovou a continuação do fluxo de fundos americanos para Honduras, através da agência Milennium Chalenge Corporation(MMC), que é supervisionada pela secretaria de Estado.

De acordo com o site Narcosphere (5/7/2015), apesar da proibição americana, o MMC enviou a Honduras 10,7 milhões de dólares nos dois meses seguintes ao golpe e contratou a remessa de mais 100 milhões em 2013.

Emocionada, Hillary Clinton comentou posteriormente: “O MMC estabeleceu a base de um futuro mais brilhante para todos os hondurenhos.”

Não daria certo como vidente.

Dana Frank, professora de História na Universidade da Califórnia e especialista em Honduras, conta o que de fato aconteceu:”O golpe militar de 2009…abriu as portas a uma criminalidade aberta para todos em Honduras. Desde então, o crime organizado, o tráfico de drogas e as gangs floresceram, penetrando no governo hondurenho, juízes, escritório do promotor geral e congresso.Um ex-parlamentar e  comissário de polícia a cargo da investigação do tráfico de drogas declarou que um em cada 10 congressistas é traficante de drogas e que ele tem evidências provando que importantes figuras políticas e nacionais estavam envolvidas em tráfico de drogas. Ele foi assassinado em dezembro de 2011.”

No governo Lobo, Honduras passou a ter o maior índice de assassinatos do mundo: anualmente, um em cada mil habitantes, de acordo com a ONU. E 34 oposicionistas desapareceram misteriosamente.

Em 2013, relatório do próprio Departamento de Estado dos EUA reconheceu a implicação de muitos policiais e militares em execuções extra-judiciais. Para a respeitada instituição de direitos humanos COFADEH, eles foram responsáveis por cerca de 300 assassinatos, entre 2012 e 2013, dos quais 29 vítimas eram jornalistas.

E o “brilhante futuro” prognosticado pela sra.Clinton, não chegou exatamente a “todos os hondurenhos” pois 2/3 vivem abaixo do índice de pobreza.

O sucessor de Porfírio Lobo, Orlando Hernandez, começou de acordo com os usos e costumes golpistas.

Em fins de 2013, ganhou uma eleição na qual 30% dos votos vinham de pessoas mortas ou ausentes do país há muito tempo.

Nunca se gastou tanto num pleito eleitoral no país.

Descobriu-se depois que os recursos vieram do pacote de  mais de 200 milhões de dólares desviados por altas autoridades do serviço nacional de saúde.

Passeatas de protestos em Tegucigalpa e cidades menores culminaram em julho com 60 mil manifestantes, clamando que o presidente Hernandez fosse responsabilizado pelo uso dos fundos públicos.

Ele também é muito criticado pela remoção de juízes da Suprema Corte através de uma lei que cria zonas de investidores autônomos, independentes da jurisdição federal, supervisionadas por estrangeiros. Algo semelhante ao que acontecia em bairros inteiros e até cidades na China do século 19, sob a hegemonia do Ocidente.

Na América Latina, porém, a hegemonia americana, que atingiu seu zênite no século passado, acha-se consideravelmente reduzida.

Nesse sentido, o apoio a eventuais derrubadas de governos democráticos por “oligarquias amigas” da região já não dá mais IBOPE em Washington.

Hillary Clinton, no caso de Honduras, foi uma exceção.

Sendo eleita presidente, será que ela vai mudar?

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