quarta-feira, 29 de julho de 2015

Irã: o país impossível

Sanguessugado do Informação Incorrecta

Max 

Hans Humes é o fundador da Greylock Capital Management, um fundo de investimentos com sede
em Manhattan (New York). O acordo sobre o nuclear tinha sido apenas assinado e já o simpático Hans se encontrava num avião para Teherão.
Se passar de bestial para besta é um segundo, também acontece o contrário: agora o Irão é visto como uma espécie de El Dorado.
Durante uma viagem de 10 dias, Hans gostou muito do que viu: uma população bem instruída, bem poucos sem-abrigo, sinais duma economia modernizada:

O apetite do mercado para os Títulos iranianos vai ser muito elevado.

Talvez seja preciso um ano antes que seja possível começar a invadir o Irão, pois as sanções ainda têm que ser completamente levantadas, mas já há fila: além dos fundos de investimentos, há a Royal Dutch Shell, a BP, a Exxon, a Total.
A razão? Sim, o petróleo e o gás, sem dúvida. Mas não é só isso: também a Nigéria tem petróleo e nem pouco. Todavia aí há as companhias de extracção, que chupam a riqueza dos habitantes locais e nada mais. Para o Irão, pelo contrário, estão a preparar-se todos, incluídos os grandes bancos privados internacionais (entre os quais a maior parte europeus).
A verdadeira razão é bem diferente: o Irão tem uma economia sã. Muito sã mesmo.
A Dívida total do governo iraniano no ano passado era apenas 11,4 % do produto interno bruto (PIB). Tanto para ter uma ideia: Portugal tinha 122.9 %, os EUA 106.25 %, África do Sul 42.2 %, Brasil 68.4 %, Índia 66.8 %...  E a maior parte da Dívida iraniana é fruto de empréstimos bilaterais com alguns Países asiáticos.
Amir Zada, director do fundo de investimentos britânico Exotix Ltd.:

Eles actualmente não tem dívida externa.

A Dívida total do Irão é inferior àquela dos 91 % dos Países monitorizados pela CIA. E em 36 anos nunca falhou um pagamento.
E a economia? Apesar das sanções, o Irão cresce 3 % por ano: calcula-se que este dado seja inferior em 15 ou 20 % ao potencial por causa das medidas decididas no âmbito do nuclear.
Ok, vamos resumir: um País com uma Dívida externa inexistente, com uma Dívida total insignificante, com uma taxa de crescimento de 3 %, com pessoas instruídas, uma economia moderna... como é possível tudo isso num País que praticamente não teve acesso aos mercados (o Ayatollah Khomeini antes, o Eixo do Mal depois, etc.)? Onde os bancos não cobram juros? Tudo isso é impossível. O Irão é um País que não pode existir.
O Irão ficou sem as entradas do petróleo e do gás por causa das sanções (é por isso que agora Shell, BP, Total e companhia fazem a fila), mesmo assim continuou a progredir, nunca falhou um pagamento, não construiu o futuro por cima duma Dívida sem fim e hoje apresenta uma economia que é a inveja de qualquer País europeu (e não só).
Como é possível? A resposta é: o Irão auto-financia-se.
Como? Com a Modern Money Theory. Esqueçam a absoluta necessidade dos Mercados, os Títulos que devem ser vendidos aos grandes investidores, os juros "indispensáveis" para que o sistema bancário funcione e tudo o resto. O Irão faz tudo sozinho: imprime dinheiro, empresta-se o dinheiro, controla o seu dinheiro.
Muito simples.
Ipse dixit.
Relacionados:
Modern Money Theory - Parte I
Modern Money Theory - Parte II
Modern Money Theory - Parte III
Os bancos do Islão
O banco sem juros
Sukuk?
Fontes: Bloomberg, Wikipedia (List of countries by public debt)

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