sexta-feira, 19 de junho de 2015

Primaveras/Outonos/Invernos/Verões Pátria Grande

Via Rebelión

O Equador  e a contraofensiva oligárquico-imperialista

Ángel Guerra Cabrera

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Está em andamento no Equador, desde o dia 8 de junho, outra tentativa do imperialismo e da oligarquia de derrotar o presidente Rafael Correa. Aproveitando a desfavorável conjuntura criada pelos baixos preços do petróleo, a próxima visita do Papa  Francisco e o sistemático ataque dos meio corporativos locais e internacionais contra Quito, inicia-se uma guerra de desgaste tendo em vista as eleições de 2017, diante do fato evidente da alta popularidade de Correa. Para isso, organizaram protestos de rua permeados pela violência e chamadas à derrubada do governo legítimo.

O pretexto agora é a iniciativa da Lei de Redistribuição da Riqueza, enviada pelo presidente à Assembléia Nacional, que estabelece um imposto progressivo a partir de 2,3% sobre as heranças com valor entre 35400 e 70800 dólares, e que afetaria a uns 2% da população.

Diante da escalada desestabilizadora, Correa decidiu retirar temporariamente o projeto de lei e chamou para a abertura de um debate nacional em todos os setores sobre o novo ordenamento legal e a criação de um clima pacífico para a recepção do papa. Argumentou que, se no debate for demonstrado, como  afirma a direita,  que os pobresserão afetados pela medida, ele a retirará definitivamente. Enquanto isso, o partido Alianza País, do governo, tem continuado a explicar a lei, e Correa instou a oposição a recolher as assinaturas necessárias para convocar um referendum revocatório do mandato presidencial, onde, assegurou, ela seria derrotada outra vez. Convém recordar que o referendum revocatório é filho da nova Constituição incentivada por Correa.

O plano desestabilizador, ampliado pela maquinaria midiática hegemônica dentro e fora do Equador, segue o roteiro do ciclo de tentativas golpistas contra os governos pós-neoliberais da região. Os vultosos recursos financeiros empregados, a relativa coordenação do imperialismo e da direita na sua execução, e o descomunal apoio midiático dos jornais da Sociedade Interamericana de Imprensa e seus homólogos de Madri, da mesma forma que as televisões CNN em espanhol e NT24, fazem parte de uma contraofensiva oligárquico-imperialista para destruir as conquistas desses governos. 

Seu início é marcado precisamente pela sangrenta violação ianque-uribista da soberania territorial equatoriana (março de 2008), o restabelecimento por Washington da IV Frota, anunciado um mês mais tarde, o frustrado golpe separatista contra Eco Morales em setembro desse mesmo ano, o “golpe brando” que derrubou Manuel Zelaya (2009), e um ano depois o plano golpista oligárquico e tentativa de magnicídio contra o próprio Correa. Em seguida, vieram o golpe parlamentar contra o presidente Fernando Lugo no Paraguai (2012), e o sequestro do avião de Evo em território europeu da OTAN no ano seguinte.

Os fatos dos últimos dias nas ruas do Equador recordam as táticas que o imperialismo e a apátrida  oposição  venezuelana vem usando para  tentar derrubar o presidente Nicolás Maduro desde fevereiro de 2014. Essas táticas se nutrem do arsenal das chamadas revoluções coloridas, adaptadas à realidade de governos muito mais sólidos  e com muito mais apoio popular que os da periferia da antiga URSS, e estão financiadas pela National Endowment for Democracy e outras fundações de fachada da CIA, ou suas similares européias. 

O Equador, segundo dados da CEPAL, tem diminuído sucessivamente, desde 2008, a pobreza, a desigualdade e o desemprego, e elevado o Índice de Desenvolvimento Humano, assim como tem implementado um importante sistema de proteção integral para pessoas com capacidades especiais, com o crescimento, em 2012, de 26% na taxa de alunos matriculados na educação superior.  Suas conquistas em educação e saúde têm sido reconhecidas pela UNESCO e pela UNICEF. Durante esses anos, construiu uma excelente rede de rodovias, que unificaram o país pela primeira vez, e foram construídas 10 grandes represas que contribuem para a geração de energia limpa.  

Tudo isso, com sua zelosa defesa da soberania nacional e seu exitoso desempenho como presidente pro tempore da CELAC,  tem elevado extraordinariamente o prestigio de Correa. Está aí a explicação da furiosa reação oligárquica.

PS.: Hoje inicia-se no México, quase clandestinamente, um fórum de estímulo à contra-revolução mercenária em Cuba organizado pela Fundação Konrad Adenauer e pela Organização Democrata Cristã da América.(http://www.odca.org.mx/calendario-de-eventos2.php?id=61).

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