sexta-feira, 12 de junho de 2015

Departamento de Justiça, FIFA e imperialismo

Via Rebelión

Editorial Workers World-Mundo Obrero

Editorial Workers World

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

A repentina e dramática prisão de nove funcionários de alto escalão da maior organização de futebol do mundo e de cinco executivos de corporações pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DJ) suscitou perguntas  nos milhares de fanáticos do esporte mais espetacular do mundo.  Estas são duas:

Primeiramente, qual é o papel da Federação Internacional de Futebol Associado, FIFA, organização privada que se encarrega da Copa Mundial de Futebol, que começou em 1930, e da Copa Mundial Feminina, iniciada em 1991? Segundo, por que o Departamento de Justiça dos EUA encabeçou uma operação internacional  encoberta que envolve pessoas que não são  cidadãos norte-americanos em um esporte muito popular fora dos EUA? 

Agora a atração pelo futebol está crescendo nos EUA, especialmente nas categorias femininas. E de fato, a próxima abertura no dia 6 de junho da Copa Mundial Feminina no Canadá poderia aumentar o atrativo. Mas isso não afeta nossas perguntas.

Os torneios da FIFA arrecadam bilhões de dólares. Seus países anfitriões atraem centenas de milhares de turistas. A Copa Mundial de Futebol é inclusive de maior envergadura que os Jogos Olímpicos e que o Super Bowl da Liga Nacional de Futebol Americana.

Não temos nenhuma informação interna sobre a FIFA. Mas “WW-Mundo Obrero” tem uma visão clara de como as megacorporações privadas funcionam em um mundo dominado pelo imperialismo. Seu objetivo é maximizar os lucros, e isso significa a constante exploração de seus trabalhadores e de nações oprimidas. 

Isso significa também o uso de todas as medidas, incluindo os subornos e a intimidação – no caso dos EUA, inclusive com ameaças de guerras – para captar novos mercados a preços rentáveis. Significa arriscar-se com todo tipo de atividade ilegal – da lavagem de dinheiro das drogas ilícitas nos bancos, até o fornecimento de armas – para manter os lucros. Isso é o capitalismo.

As gigantes do petróleo, as farmacêuticas, o complexo militar-industrial e os mega-bancos imperialistas mantém relações estreitas com os governos para azeitar a máquina do lucro. Por que deveríamos nos surpreender com que a FIFA possa fazer o mesmo?

O que temos aprendido sobre a FIFA e seus principais executivos é que seu principal executivo, o reeleito Joseph Blatter é um misógino que tem menosprezado o papel das mulheres jogadoras de futebol. Sua política islamofóbica entre 2007 e 2014 era não permitir o Hiyab em campo, excluindo assim as mulheres muçulmanas desse esporte. Sabemos que a FIFA permitiu algumas construções questionáveis  no Brasil e algumas obras mortais no Qatar, onde 1200 emigrantes mal pagos, praticamente trabalhadores escravos, morreram nas obras desde 2010.

Não temos nenhuma simpatia pelos executivos da FIFA. Manifestamos nossa solidariedade com os trabalhadores da construção explorados que recebem centavos, e com os explorados jogadores de futebol, poucos dos quais conseguem salários estelares.

Por outro lado, suspeitamos da decisão do Departamento de Justiça dos EUA em colocar seu punho imperialista em outro âmbito internacional. Por que? Por acaso, os EUA deram sinal verde ao DJ quando perdeu para o Qatar a realização da Copa de 2022? É para castigar a Rússia, que será sede da Copa de 2018, como parte da ofensiva na Ucrânia? 

Aqui nos EUA há quadrilhas ainda mais perigosas do que a FIFA. Por exemplo, os enormes bancos multinacionais cujas especulações exacerbaram o colapso capitalista de 2008, e cujos executivos ganharam a nova denominação de “banksters”. As empresas farmacêuticas que utilizam artimanhas para estender suas patentes; fabricantes de armas que empregam generais aposentados para torcer braços; ou os departamentos de polícia em todo o país, que prendem, matam e ocupam as comunidades baseados no racismo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.