domingo, 24 de maio de 2015

O que mudou?

Sanguessugado do Bourdoukan

Georges Bourdoukan

1967

Jornalista, tinha uma coluna estudantil no Jornal Ultima Hora, o único veiculo de comunicação que ainda respirava os ares de centro-esquerda.

A manifestação estudantil estava em seu auge.

Ocupavam as Praças da Sé e Clovis Bevilaqua.

Milhares ainda atravessavam o Viaduto do Chá e caminhavam pela Rua Direita para engrossar as fileiras dos protestantes.

Havia muitos policiais infiltrados, mas a maioria era reconhecida.

Eram os únicos que portavam um caderno ou um livro.

A senha era gritar  ABAIXO A DITADURA.

E o pau começava a  comer.

A polícia militar batia sem dó nem piedade.

Não havia balas de borracha, mas os cassetetes, em sua maioria eram de madeira.

Tentei seguir um rastro de sangue para ver onde terminava.

E terminava no interior da Catedral da Sé.

Ao subir a escadaria, levei a primeira porrada.

No ombro e em seguida na nuca.

E ao cair, bati com a boca na escada, o que me custou dois dentes.

Ainda meio zonzo gritei que era jornalista e que estava ali a trabalho. E que mesmo se não fosse eles não tinham direito de agir com tanta brutalidade.

Apanhei que é uma beleza.

Escapei e corri para o interior da Catedral, onde outros jornalistas tentavam se abrigar das pancadas e do gás lacrimogêneo, que a mídia de hoje denomina “bombas de efeito moral”...

Como se houvesse moral em bombas.

E paro por aí porque esse é um tema para um livro e não para um simples blog.

2013

Avenida Paulista e Centro de São Paulo

Policia Militar fortemente armada, com tudo que lhe é de direito descarrega sua ira contra estudantes e trabalhadores que protestavam contra o aumento.

Novamente bateu sem dó e nem piedade.

São os herdeiros do prendo e arrebento.

Em 1967, tanto o prefeito quanto o governador eram figuras biônicas. Não tinham que dar satisfação a ninguém.

Apenas aos militares que governavam o país e carinhosamente denominados de GORILAS.

Com todo respeito aos gorilas, chipanzés e orangotangos.

Hoje o prefeito é do PT e o governador do PSDB.

Ambos eleitos com o voto popular.

E, teoricamente, ao povo, apenas ao povo que eles teriam que dar satisfação.

Bem, isso teoricamente.

E a Polícia Militar?

Nada mudou, com certeza.

E a mídia?

A mídia sempre pertenceu à Casa Grande.

2015

E aí o prendo e arrebento recepcionou os professores no Paraná!...

Alguém acredita que houve mudanças?

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