terça-feira, 5 de maio de 2015

A censura às músicas de Chico Buarque na ditadura (1964-1985)

Via Observatório da Imprensa

Stephanie Carvalho, Luana Paula Rocha, Jéssica Natalia Silva e Sthefany Toso 

Este artigo tem por objetivo mostrar, através de letras de músicas de Chico Buarque, a censura aplicada após decretado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), a forma metafórica utilizada por estes para e contribuir  que as pessoas abrissem os olhos para o que estava acontecendo no país. Serão  citadas as músicas e o conteúdo das principais canções e identificadas as maneiras em que os compositores utilizaram para passar suas mensagens de forma subjetivo e ainda apresentando um pouco sobre a repressão e as censuras feitas pelos censores. Será mostrada a censura aplicada sobre os artistas, as artimanhas utilizadas por eles para fazer com que a mensagem chegasse até o povo, escrevendo suas músicas para alertar, de alguma forma, que o povo estava sendo repreendido.

Procurando entender melhor sobre a música e as mensagens que passavam ao povo na época da ditadura militar, mostraremos a importância da música na comunicação. Todas as pessoas ouvem música, ou seja, é um ótimo veiculo de comunicação para todas as faixas etárias, para crianças com músicas educativas, e principalmente para os jovens, que em sua maioria não se interessam muito por outros meios de comunicação, como jornais, por exemplo. Mesmo nos dias atuais não tendo tamanha censura do passado, muita informação e mensagens são passadas através de letras de música. É de extrema importância para os jovens, principalmente estudantes de jornalismo, esse contato com o passado e saber como era difícil se comunicar e passar informações importantes publicamente através das músicas, e ainda como os cantores e compositores faziam para colocar essas mensagens metafóricas em suas músicas.

Foi tomado como base para o desenvolvimento do artigo, letras de músicas censuradas e vetadas de um dos maiores compositores da MPB (Música Popular Brasileira), Chico Buarque de Hollanda. Foram feitas pesquisas via internet a arquivos da época da ditadura militar de 1964, como sites que contam sobre este período, o Ato Institucional Nº 5, os censores, a história da ditadura e, principalmente, o site oficial de Chico Buarque, onde na sessão “Vida” são contadas em pequenos textos toda a trajetória de Francisco, desde seu nascimento em 1944 até o lançamento do seu documentário O País da Delicadeza Perdida em 2003. No mesmo site, porém na sessão Textos, traremos relatos através de entrevistas, artigos, áudios e depoimentos dados pelo próprio cantor.

Foram assistidos vídeos que contam sobre este período histórico para relatar com mais precisão sobre o assunto abordado. Descrevemos em forma de citação o depoimento de Chico Buarque sobre seu autoexílio na Itália durante um período da ditadura presente no vídeo Chico Buarque na ditadura militar, trazendo detalhes de informações e veracidade, através de depoimentos oficiais do artista.

Entramos também em contato com a assessoria de imprensa do cantor com o intuito de conseguir uma entrevista com Chico, para que este nos relate com mais precisão sobre a repressão que sofreu na ditadura, os sentimentos e acontecimentos que o marcaram, mas não obtivemos um retorno após diversos e-mails enviados.

A ditadura militar de 1964

A ditadura militar brasileira de 1964 caracterizou-se pelas perseguições policiais, pela repressão aos que eram contra o golpe militar, pela censura, supressão dos direitos constitucionais e pela falta de democracia. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

Com a grave crise política que o país apresentava desde a renúncia de Jânio Quadros (1961), e a entrada de seu vice, João Goulart, ao poder, foram dadas aberturas às organizações sociais estudantis, trabalhadoras e populares, todos reivindicando seus direitos e melhorias ao país, preocupando as classes conservadoras, como os banqueiros, empresários, a Igreja Católica, os militares e a classe média, todos temendo um golpe comunista. Os partidos de oposição, União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), por sua vez, acusaram Jango, como era conhecido João Goulart, de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pelas organizações sociais. (DITADURA…, Op Cit.)

Figura 1 – Comício de João Goulart na Central do Brasil – RJ, em 1964 (Fonte: Folha de S. Paulo)

Figura 1 – Comício de João Goulart na Central do Brasil – RJ, em 1964 (Fonte: Folha de S. Paulo)

Em 13 de março de 1964, João Goulart, em comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, defendeu as Reformas de Base, que incluíam os setores educacional, político, agrário e fiscal. Quase uma semana depois, em 19 de março, os conservadores realizaram a Marcha da Família com Deus p ela Liberdade manifestando contra as intenções de Jango, reunindo em média 500 mil pessoas pelo centro de São Paulo. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

Figura 2 - Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo (Fonte: Info Escola)

Figura 2 – Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo (Fonte: Info Escola)

O clima político-social no Brasil não era dos melhores já haviam tempos. Em 31 de março de 1964, saem às ruas as tropas mineiras e paulistas, e, com a intensão de evitar uma guerra civil, João Goulart foge para o Uruguai. Era apenas o que os militares aguardavam para tomar o poder. Aproveitaram de toda a situação e, em 9 de abril, foi decretado o Ato Institucional Número 1, AI-1, que dava o poder aos militares de cassar os mandatos políticos da oposição ao regime militar e tirar a estabilidade dos funcionários públicos. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

Em 15 de abril de 64 o General Humberto Castelo Branco foi eleito pelo Congresso Nacional o novo Presidente da República, e em seu pronunciamento prometeu defender a democracia, e cumpriu, já que assim que dá inicio ao seu governo assume          uma     posiçãoautoritária.

Castelo Branco instituiu o bipartidarismo, onde só existiam o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que era de oposição e controlado pelos militares, e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que representava os militares, também estabeleceu eleições indiretas para a presidência e dissolveu partidos políticos, parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, sindicatos receberam intervenções do governo e cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados. (DITADURA…, Op Cit.)

No fim de seu mandato, Castelo Branco, junto aos militares, impõem uma nova Constituição, a Constituição de 1967, onde é institucionalizado o regime militar e suas formas de governar. O próximo presidente do Brasil é o general Arthur da Costa e Silva eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. A população continua não aceitando o regime militar instaurado no país, e diante indignação do povo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) organiza a Passeata dos Cem Mil na Cidade Maravilhosa. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

Figura 3 – Passeata dos Cem Mil (Fonte: Brado Retumbante)

Figura 3 – Passeata dos Cem Mil (Fonte: Brado Retumbante)

Em forma de protesto ao regime militar, greve de operários de Osasco (SP) e Contagem (MG) paralisam diversas fábricas. (DITADURA…, Op Cit.)

Em 13 de dezembro de 1968 o governo decreta o pesadelo de todos os brasileiros, o Ato Institucional Número 5 (AI-5), o mais duro de toda a ditadura, onde juízes foram aposentados, mandatos foram cassados, finalizaram com a garantia de habeas-corpus e aumentaram ainda mais a repressão militar e política. Escrito pelo ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva e transmitido pelos rádios através da sessão de promulgação pelo locutor Alberto Cury, o AI-5 foi visto como uma vingança ao discurso do deputado Márcio Moreira Alves, quando solicitou ao povo que não fizessem as comemorações da Independência do Brasil, em 7 de setembro, como forma de protesto à Ditadura Militar. (AI-5 o que é…, 2014; 40 ANOS…, 2008)

A censura aplicada após decretado o AI-5 foi forte e precisa. Na matéria especial sobre os 40 anos do AI-5, publicada pelo site Biz Evolution, foram vetados “500 filmes, 450 peças teatrais, 200 livros e 500 canções”. De acordo com o texto, teve quem achou bom o novo ato institucional, “O AI-5 foi implementado porque o Brasil estava a ponto de se tornar um país comunista. Se não tivéssemos implementado o AI-5, hoje o Brasil provavelmente seria um país a lá Cuba. O AI-5 salvou o Brasil.”, afirma Jarbas Passarinho, mas também houve quem não gostou, “O AI-5 é o grande responsável pelo mega atraso cultural brasileiro em relação a educação, pobreza, mentes abertas, cultura, globalização que se vê até hoje. É claro que houve excessos de ambos os lados, do lado dos milicos houve as torturas, censuras, perseguições, etc, e do lado dos civis houve alguns atos terroristas. Mas, nada se justifica o que aconteceu com a promulgação do AI-5″ afirma um professor de história da USP não identificado. (40 ANOS do AI-5, 2008)

Costa e Silva apresentou-se doente e foi substituído por uma junta militar que, em 18 de setembro de 1969, decretou a Lei de Segurança Nacional, que decretava “o exílio e a pena de morte em casos de ‘guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva’”. No final de 69, Carlos Marighella, líder da ALN, foi assassinado em São Paulo. Neste momento, a Junta Militar escolheu para ser o presidente do Brasil o general Emílio Garrastazu Medici, que teve seu governo denominado de “anos de chumbo” pela repressão às lutas armadas, uma rígida censura sobre os veículos de comunicação, artes e educação, sendo muitos destes investigados presos, torturados e exilados. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

O Milagre Econômico, período de 1969 a 1973, foi uma, e quem sabe a única, coisa boa da ditadura militar, onde a economia do país crescia rapidamente. “O PIB cresceu a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação chegava aos 18%”. Investimentos internos, como a construção da Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói que geraram milhares de empregos, “e empréstimos ao exterior foi o que fez o país avançar e estruturar a base de infra-estrutura”. O que não foi questionado na época é que “todo esse crescimento teve um altíssimo custo, foram feitas dívidas externas enormes para o padrão econômico do Brasil” e a conta deveria ser paga no futuro. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

Em 1974 o general Ernesto Geisel assume o governo brasileiro dando inicio ao lento processo de volta a democracia. Em seu governo “a crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira”, juntamente ao fim do milagre econômico e a insatisfação da população com as altas taxas. Em 1978 Geisel enfim acaba com o AI-5, “restaurando o habeas-corpus, e dando caminho para a volta da democracia no Brasil”. (DITADURA…, Op Cit.)

Em 1978, João Batista Figueiredo, também general, decretou a Lei da Anistia, “concedendo o direito de retorno ao Brasil todos os exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura deram inicio a repressão clandestina no governo de Geisel e continuaram com o movimento às escuras. Em 1979 o governo aprova a lei do pluripartidarismo, onde todos os partidos voltam a funcionar na normalidade. A ARENA muda seu nome para PDS (Partido Democrático Social), e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) passa a ser PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Outros partidos foram criados, como o PT (Partidos dos trabalhadores) e o PDT (Partido Democrático Trabalhista)”. Foram colocadas cartas-bomba em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem doa Advogados do Brasil), sendo que no fim de Abril de 81 uma bomba, provavelmente implantada por militares de linha dura, explodiu no Centro de Convenções do Rio Centro, mas até hoje, 09 de Novembro de 2014, nada foi provado. (DITADURA Militar no Brasil…, 2014)

Nos últimos anos do governo militar o Brasil se mostra fragilizado, com alta inflação e recessão, partidos de oposição ganham forças e os sindicatos se fortalecem. Em 1984 a população vai às ruas participar do movimento de Diretas Já, que era a favor da “aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que garantia eleições diretas para presidente naquele mesmo ano”, mas a Câmara dos Deputados não aprovou a emenda. (DITADURA…, Op Cit.)

Tancredo neves foi escolhido pelo Colégio Eleitoral, em 15 de Janeiro de 1985, para concorrer à presidência com Paulo Maluf. Tancredo adoeceu e faleceu antes mesmo de tomar posse, assumindo assim seu vice José Sarney. Em 1988 foi aprovada a nova Constituição do Brasil, apagando os rastros do momento mais sofrido e obscuro que o país já passou e estabelecendo princípios democráticos ao país. Era o fim da Ditadura Militar no Brasil. (DITADURA…, Op Cit.)

Durante a repressão militar, além de políticos e artistas caçados, exilados e proibidos de exercer suas profissões, nos jornais, as noticias censuradas era trocadas por frases sem nexo, receitas de bolos, marchinhas de carnaval, e versos dos Lusíadas, como fez o Estado de São Paulo, para mostrar a população os atos dos censores sobre os veículos de comunicação. O jornal Pasquim, por sua vez, brincou com o Grito do Ipiranga, e teve nove de seus jornalistas presos. (ANOS 70…, 2011)

Figura 4 – Charge “O Grito do Ipiranga” – Jornal Pasquim (Fonte: Papo de Blodega)

Figura 4 – Charge “O Grito do Ipiranga” – Jornal Pasquim (Fonte: Papo de Blodega)

A peça Rasga Coração de Oduvaldo Vianna Filho ganhou o primeiro lugar em um concurso de dramaturgia promovido pelo Governo, mas mesmo assim a censura proibiu a montagem desta. (ANOS 70…, 2011)

Os principais cantores censurados pela Ditadura Militar foram: Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Kid Abelha, Milton Nascimento, Raul Seixas, Toquinho, Odair José e Torquato Neto. Chico Buarque de Hollanda, por sua vez, teve pelo menos 10 canções censuradas. Como não se podia expressar os sentimentos sobre tudo o que acontecia no Brasil, os artistas escreviam com mensagens figuradas. (Anos 70…, Op Cit.)

“Muitos artistas faziam versos, faziam livros, faziam cinema, e eram cortados pela censura, e eles simplesmente refaziam outra coisa, e ao fazer esta outra coisa é que surgia a linguagem figurada, a linguagem metafórica, alusiva” (FAVERATTO, Anos 70…, 2011).

Ainda vivo, com 79 anos, Geraldo Vandré se tornou o “morto-vivo da Ditadura aos 38 anos de idade”. Com a canção “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, Geraldo, que “era um doutrinador e domador de consciência de massa”, foi considerado comunista pelas suas manifestações traves das músicas. Foi silenciado pelos militares, levado à exilio e quando retornou ao Brasil, permaneceu sob vigia militar enquanto trabalhava como advogado e fazia shows pela Europa e América Latina. (Geraldo Vandré…, 2012)

“… Pelos campos há fome em grandes plantações/ Pelas ruas marchando indecisos cordões/ Ainda fazem da flor seu mais forte refrão/ E acreditam nas flores vencendo o canhão/ Vem, vamos embora, que esperar não é saber,/ Quem sabe faz a hora, não espera acontecer./// Há soldados armados, amados ou não/ Quase todos perdidos de armas na mão/ Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição/ De morrer pela pátria e viver sem razão/ Vem, vamos embora, que esperar não é saber,/ Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”.  (VANDRÉ, 1960)

Após silenciar Vandré, a próxima vítima dos militares foi Chico Buarque de Hollanda, o cantor e compositor mais censurado durante o regime militar. (Geraldo Vandré…, 2012)

3 Chico Buarque De Hollanda

No dia 19 de Junho de 1944 nasce na Cidade Maravilhosa um dos maiores cantores e compositores da Música Popular Brasileira, Francisco Buarque de Hollanda. (CHICO Buarque, 2014)

Em 1946, Chico, com apenas 2 anos de idade, vais com a família para São Paulo, após o pai, Sérgio Buarque de Hollanda, sociólogo e historiador, é nomeado Diretor do Museu do Ipiranga. (CHICO Buarque, 2014)

Chico Buarque começa a mostra seu interesse pela música com 5 anos, quando cria um álbum com fotografias recortadas de jornais de cantores do rádio. Quando completa 9 anos sua família se muda para Roma, na Itália, e Chico se despede da avó que fica no Brasil de forma convincente: “Vovó, você está muito velha e quando eu voltar eu não vou ver você mais, mas eu vou ser cantor de rádio e você poderá ligar o rádio do Céu, se sentir saudades”. No mesmo ano já compõe sua primeira marchinha de carnaval. Um dos primeiros incentivadores de Chico foi Vinicius de Morais, amigo de sua família e que se tornaria seu grande amigo e parceiro. (CHICO…, Op Cit.)

Em 1957 a família Buarque Hollanda retorna ao Brasil e 6 anos mais tarde Chico Buarque deu asas ao sonho da avó materna quando entra para a FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, que largou 3 anos depois do ingresso por causa da repressão que as universidades sofriam desde 1964, o inicio da Ditadura Militar no Brasil. (CHICO…, Op Cit.)

Considerado o marco zero de sua carreira, Chico apresentou-se pela primeira vez em um palco em 1964, em um show no Colégio Santa Cruz, com a música “Tem Mais Samba”, feita sob encomenda para o festival Balanço de Orfeu. (CHICO…, Op Cit.)

No inicio de sua carreira, em 1966, a canção “Tamandaré”, do disco Chico Buarque de Hollanda, gravado pela RGE no Rio de Janeiro, foi proibida após seis meses em cartaz no show “Meu Refrão” com Odete Lara e MPB-4, por ter frases ofensivas ao patrono da marinha, Almirante Joaquim Marques Lisboa. (CHICO…, Op Cit.)

“‘Seu Marquês’, ‘Seu’ Almirante/   Do semblante meio contrariado/  Que fazes parado/  No meio dessa nota de um cruzeiro rasgado/   ‘Seu Marquês’, ‘Seu’ Almirante/  Sei que antigamente era bem diferente/  Desculpe a liberdade/   E o samba sem maldade/ Deste Zé qualquer/ Perdão Marquês de Tamandaré” (HOLLANDA, 1966).

Figura 5 – Capa do primeiro LP de Chico Buarque (Fonte: Chico Buarque)

Figura 5 – Capa do primeiro LP de Chico Buarque (Fonte: Chico Buarque)

Em 1968 estudantes, artistas e intelectuais param a cidade do Rio de Janeiro para a Passeata dos Cem Mil, onde protestavam contra a Ditadura Militar. (PASSEATA dos Cem Mil, 2014)

Figura 6 – Chico Buarque na Passeata dos Cem Mil (Fonte: Jornalismo Educativo)

Figura 6 – Chico Buarque na Passeata dos Cem Mil (Fonte: Jornalismo Educativo)

Em 1968 foi decretado o AI-5, onde uma de suas determinações era a censura sobre várias formas de cultura, e é então quando Chico Buarque foi exilado na Itália. (AI-5 o que é…, 2014)

”Eu saí do Brasil dia 2 de Janeiro de 69, o AI-5 foi 13 de Dezembro de 68, foi quando fechou tudo, teve a censura, os jornais, a prisão de uma porção de gente. Alguns dias entre o AI-5 e a minha partida, a gente não tinha muita noticia de nada, havia uma boataria solta. A gente se encontrava nos bares e a tal, fulano foi preso, fulano não foi. Eu fui detido de manhã pelos soldados lá pelo dia 20 de Dezembro, passei um dia no quartel e me soltaram, mas me deixaram com a recomendação de não deixar a cidade do Rio de Janeiro sem uma autorização expressa de um coronel, e tinha o telefone do Coronel Atila Moura Sales para consulta-lo para isso, e eu tinha marcado uma viagem para Cannes, um festival, e o lançamento de um Disco em Roma, então pedi essa autorização e ela foi dada. Fui para Cannes e em seguida fui para Roma com a intensão de ficar o tempo que durasse tudo, uma semana, quinze dias, no máximo. Recebendo as noticias de que estava acontecendo cada vez mais coisas esquisitas no Brasil, eu fui aconselhado a não voltar. Em determinado momento eu tive que tomar essa decisão. Eu com Marieta, minha mulher e tal. Como é que faz? Com nossa filha, ou nosso filho? Eu não sabia. ‘Vamos ficar aqui’. Não   havia mais segurança para eu voltar para o Brasil.” (CHICO, 2010).

Escrita por Chico Buarque de Hollanda no fim de 1967, e sob direção de José Celso Martinez Correa, a peça Roda Viva foi ferozmente censurada pelo censor Mario Russomano em 1968. (BIS! …, 2013)

A peça conta a história de um famoso cantor que toca de nome para agradar seus fãs. O personagem principal é uma figura pública manipulada pela indústria fonográfica trazendo uma reflexão sobre o consumo da sociedade. (BIS!…, Op Cit.)

Em carta, o referido censor mostra que, por determinação da Chefe da Censura Federal em São Paulo, foi, no dia 21 de Junho, assistir à peça e a considerou “de fato degradante e de certo modo até subversivo”. Mesmo que de forma impropriada e anti-ética, o censor demonstra sua opinião na carta no momento em que chama Chico Buarque de “seria um débil mental?” informando que este escreveu uma peça que fere a formação moral e a religião do espectador. O censor relata também as as falas dos personagens como “expressões pornográficas” e severas críticas feitas à política do país de modo inteligente a induzir o espectador a concordar com estas. (AÇÃO dos aparecidos…, 2011)

Figura 7 – Carta de censura à peça “Roda Viva” de Chico Buarque de Hollanda( Fonte: Os Aparecidos Políticos)

Figura 7 – Carta de censura à peça “Roda Viva” de Chico Buarque de Hollanda (Fonte: Os Aparecidos Políticos)

Em 1970, quando Chico retorna ao Brasil, envia a música “Apesar de Você” para a provação da censura, contando com que fosse vetada, mas para sua surpresa a canção foi liberada e gravada imediatamente. Após a venda de 100 mil cópias e se tornado um grande sucesso, um jornal comentou que a canção referia-se ao presidente Médici. O exercito brasileiro invadiu a fábrica da Philips recolhendo e destruindo todas as cópias do disco, apesar de terem se esquecido da matriz, que permaneceu intacta. (CHICO Buarque, 2014; A MÚSICA brasileira…, 2011)

Após a censura da peça “Calabar, ou o Elogio à Traição”, escrita em parceria com Ruy Guerra, Chico deu o nome “Calabar” ao seu novo disco de 1973, com a imagem do nome pichado em um muro na capa. Os censores acharam que a palavra pichada trazia um significado subversivo, e a censuraram também. (O CASO Calabar, 2014; MARCO da censura…, 2013; A MÚSICA brasileira…, 2011)

Figura 8 – Capa do Disco Calabar de Chico Buarque (Fonte: Por Todo Canto Livros)

Figura 8 – Capa do Disco Calabar de Chico Buarque (Fonte: Por Todo Canto Livros)

Como forma de protesto, Chico Buarque trocou a capa por uma imagem totalmente em branco, sem nenhum escrito. Como o álbum trazia as canções da peça vetada, a grande maioria, escritas com Ruy Guerra, foram proibidas:

>> “Vence na Vida Quem Diz Sim: teve a letra totalmente censurada, e foi gravada apenas com o instrumental”;

>> “Ana de Amsterdam: teve vários trechos vetados”;

>> “Não Existe pecado Ao Sul do Equador: foi vetada, mas fez sucesso na voz de Ney Mato Grosso quando se tornou tema da novela global ‘Pecado Rasgado’, onde o verso ‘Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor’, foi substituído por ‘Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor’“;

>> “Fado Tropical: teve versos declamados por Ruy Guerra proibidos”;

>> “Bárbara: teve a palavra ‘duas’, que se referia às personagens Ana de Amsterdam e Bárbara, cortada por sugerir a homossexualidade”. (A MÚSICA brasileira…, 2011)

Com tanto vetos, proibições e uma capa em branco, o disco “Calabar” foi um fracasso de vendas. A Philips recolheu todas as cópias e as relançou com uma imagem do artista na capa e o título de “Chico Canta”. (A MÚSICA…, Op Cit.)

Também em 1973, Chico lançou a música Cálice, em parceria com Gilberto Gil, onde, de forma metafórica, expressa claramente sua opinião sobre a repressão e os atos da Ditadura Militar, o sofrimento, a indignação e a discordância daquilo tudo. (A MÚSICA…, Op Cit.)

“Pai, afasta de mim esse cálice/ Pai, afasta de mim esse cálice/ Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue/ Como beber dessa bebida amarga/ Tragar a dor, engolir a labuta/ Mesmo calada a boca, resta o peito/ Silêncio na cidade não se escuta/ De que me vale ser filho da santa/ Melhor seria ser filho da outra/ Outra realidade menos morta/ Tanta mentira, tanta força bruta/ […] Como é difícil acordar calado/ Se na calada da noite eu me dano/ Quero lançar um grito desumano/ Que é uma maneira de ser escutado/ Esse silêncio todo me atordoa/ Atordoado eu permaneço atento/ Na arquibancada pra a qualquer momento/ Ver emergir o monstro da lagoa/ […] De muito gorda a porca já não anda/ De muito usada a faca já não corta/ Como é difícil, pai, abrir a porta/ Essa palavra presa na garganta/ Esse pileque homérico no mundo/ De que adianta ter boa vontade/ Mesmo calado o peito, resta a cuca/ Dos bêbados do centro da cidade/ […] Talvez o mundo não seja pequeno/ Nem seja a vida um fato consumado/ Quero inventar o meu próprio pecado/ Quero morrer do meu próprio veneno/ Quero perder de vez tua cabeça/ Minha cabeça perder teu juízo/ Quero cheirar fumaça de óleo diesel/ Me embriagar até que alguém me esqueça”  (HOLLANDA; GIL, 1973).

Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram muito cuidado na hora de escrever Cálice., queriam de qualquer forma levar à população o que passavam dia a dia com a repressão dos militares, todo o sofrimento de ter que fugir para outro país, não poder falar o que queriam e, principalmente, alertar a população do que estava acontecendo no Brasil. Desta forma, por ser uma canção um tanto quanto complexa, “deciframos” cada verso, visando mostrar detalhadamente e de forma clara a ser entendida a mensagem passada pelos maiores compositores da MPB. Uma análise de discurso foi feita segundo o autor José Luíz Fiorin, para explicar as figuras de discurso.

A temática geral da música aborda os assuntos como liberdade, opressão, ditadura; já o plano de leitura é o modo de ler o texto, indicado pela recorrência de traços semânticos, que estabelecem a permanência de um efeito de sentido no discurso. O diálogo estabelecido na música é o interdiscursivo, onde “podemos descrever o acesso, pelo discurso em análise, a outros discursos presentes no contexto e no senso comum, numa espécie de diálogo, que confirma ou contradiz ideologicamente esse outro discurso.” (Fiorin, p. 26-27)

O sentido conotado é uma relação mútua entre duas coisas, um sentido secundário que se soma aos significados das palavras. São valores acrescidos, secundários, periféricos, que vêm implantar novos conteúdos aos signos da denotação.

A metáfora é um recurso conotado, que se apresenta como a substituição de palavra, por analogia, como uma comparação. É a transferência de uma palavra para outro plano de leitura, que não é o mesmo em que ela se encontra.

Por fim, o sentido explícito é de senso comum, de fácil entendimento, não deixa dúvidas. E o sentido implícito é o que fica nas entrelinhas, sendo necessário um conhecimento mais específico. (FIORIN, 2011)

Pai, afasta de mim esse cálice

Cálice, um diálogo interdiscursivo que, implicitamente, significa cale-se, se referindo á censura. Faz analogia, de modo implícito, entre a Paixão de Cristo – a agonia de Jesus (pai) no calvário – e o sofrimento vivido pela população durante o regime autoritário.

De vinho tinto de sangue

Na bíblia seria o sangue de Cristo; na música refere-se, num recurso metafórico, ao sangue das vítimas torturadas e desaparecidas durante a ditadura. Como beber dessa bebida amarga. Dificuldade de aceitar um quadro social onde a oposição é combatida de modo desumano, numa associação conotada com o gosto de uma bebida amarga.

Tragar a dor, engolir a labuta

Tragar a dor indica a imposição de uma situação de autoritarismo e violência física e moral. Engolir a labuta remete a ter que viver numa condição que não permite o direito de expressão dos trabalhadores.

Mesmo calada a boca, resta o peito

A expressão calada a boca confirma o sentido conotado de cálice (cale-se). Peito: coração, sentimento. Por resta compreende-se o tema da resistência, que indica esperança de mudança, inconformismo.

Silêncio na cidade não se escuta

As pessoas não se expressam, não podem se manifestar.

De que me vale ser filho da santa

Melhor seria ser filho da outra

As frases parecem referir-se, de modo conotado, à oposição boa conduta x má conduta, ou lícito x ilícito, indicando o plano de leitura da revolta.

Outra realidade menos morta

Morta é uma conotação que indica, considerando o contexto da época,  uma realidade onde as condições estão em disjunção com os significados possíveis de “vida”, entre eles a igualdade de direitos, a democracia, a expressão, etc.

Tanta mentira, tanta força bruta

A frase reforça, na repetição de tanta, os temas da desconfiança e da violência.

Como é difícil acordar calado

Se na calada da noite eu me dano

Num jogo com as palavras calado/calada, as frases remetem à dificuldade de aceitar passivamente as imposições do regime, apresentando, de modo subentendido, o tema do autoritarismo (me dano), que impede a expressão do povo.

Quero lançar um grito desumano

Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa

As frases tematizam a falta de direito à expressão e criam o sentido de uma voz sufocada, calada à força. Por desumano subentende-se uma crítica à conduta do governo. Atordoa indica a insatisfação com a situação e também pode ser uma referência implícita aos métodos de tortura e repressão usados para extrair a confissão das vítimas.

Atordoado eu permaneço atento

Na arquibancada pra a qualquer momento

Ver emergir o monstro da lagoa

Num plano de leitura do pessimismo, as frases tematizam a espera por uma situação pior, em que monstro da lagoa alude, implicitamente, ao governo militar.

De muito gorda a porca já não anda

De muito usada a faca já não corta

Porca indica a conduta do governo, provavelmente referindo-se, implicitamente, à corrupção (gorda). Faca parece indicar o desgaste de uma conduta que se repete.

Como é difícil, pai, abrir a porta

Essa palavra presa na garganta

Esse pileque homérico no mundo

Em um tom de apelo a Deus, na palavra pai, o discurso tematiza as condições de repressão (porta fechada, palavra presa) e a situação caótica do contexto, associado a um pileque homérico, qualidade que enfatiza a intensidade.

De que adianta ter boa vontade

O discurso indica um plano de leitura da impossibilidade, de “mãos atadas”.

Mesmo calado o peito, resta a cuca

Dos bêbados do centro da cidade

Cuca provavelmente refere-se à parcela mais politizada, não alienada, da população. A comparação com os bêbados repete a referência anterior (pileques homéricos diante do contexto caótico), indicando os temas da repressão (calado) e da resistência (resta a cuca).

Talvez o mundo não seja pequeno

Nem seja a vida um fato consumado

Num plano de leitura da dúvida, que considera a possibilidade da realidade vir a ser diferente, as frases remetem ao tema do inconformismo com a situação vigente.

Quero inventar o meu próprio pecado

Quero morrer do meu próprio veneno

Sentido de autonomia, liberdade.

Quero perder de vez tua cabeça

Minha cabeça perder teu juízo

O trecho remete, possivelmente, à saída do governo militar do poder, na metáfora perder a tua cabeça. Mesmo sentido de perder teu juízo, no sentido de se livrar do julgo, do poder.

Quero cheirar fumaça de óleo diesel

Me embriagar até que alguém me esqueça

O final da música apresenta novamente um tom pessimista, tematizando o esquecimento para suportar/esquecer a realidade.

Apesar de todo o cuidado, os censores identificaram a mensagem que Chico e Gil tentavam passar e a canção foi censurada no mesmo ano, sendo proibida de ser gravada e cantada, tanto por Chico, quanto por Gil, “que desafiou a censura e a cantou em um show para estudantes em homenagem ao estudante de geologia da USP, Alexandre Vanucchi Leme, morto pela Ditadura”. (A MÚSICA brasileira…, 2011)

Já em 1974, Chico foi proibido de gravar canções próprias, então lançou o disco “Sinal Fechado” com canções de outros compositores. Após sofrer uma grande perseguição da Ditadura e de ter tantas canções vetadas, Chico Buarque cria os pseudônimos Julinho da Adelaide e Leonel Paiva. É com Julinho que Chico consegue passar pela censura com músicas de críticas inteligentes nas entrelinhas, como em “Jorge Maravilha”, onde no verso “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”, Chico se refere ao presidente Geisel, quando sua filha Amália Lucy diz em entrevista que admirava as canções de Chico Buarque. (A MÚSICA brasileira…, 2011)

Em 1975 Chico Buarque de Hollanda se despede dos palcos, ficando 9 anos sem subir em um, limitando-se a eventos em beneficio de causas sociais. (CHICO Buarque, 2014)

Engana-se quem pensa que vetos e censuras eram apenas para canções, frases ou palavras que feriam os militares da Ditadura. Os censores proibiam até mesmo simples palavras, observando-as apenas no contexto em que aplicadas, se feriam a moral da população ou não. Um exemplo foi a música “Atrás da Porta” de Chico Buarque e Francis Hime, onde no verso “E me agarrei nos teus cabelos, nos teus pelos”, a palavra ‘pêlo’ teve de ser substituída por peito, umas vez que os censores achavam que a palavra era de caráter indecente. (A MÚSICA brasileira…, 2011)

Em 1978, com o fim da AI-5, Chico Buarque usou e abusou de suas canções censuradas pela Ditadura Militar, gravando “Cálice”, regravou “Apesar de Você”, escreveu novas músicas onde dizia tudo o que pensava sobre o governo, a moral imposta na sociedade, e principalmente o preconceito. Exemplo disso foram as canções “’Folhetim’ que descrevia uma prostituta, o ‘Geni e o Zepelim’ que falava de Genivaldo, um travesti da peça ‘A Ópera do Malandro’ e ‘Não Sonho Mais’, que falava de Eloína, também travesti na peça ‘A República dos assassinos’”. (A MÚSICA…, Op Cit.)

Conclusões

Concluindo este artigo que teve como objetivo mostrar como era a censura às músicas e como estas foram utilizadas na época da ditadura militar, foi possível mostrar sua importância na comunicação, já que com toda a censura não era mostrada a verdadeira realidade à população.

O estudo proposto neste artigo teve o intuito de mostrar como Chico Buarque de Hollanda fazia para alertar a população de demonstrar suas opiniões e indignação com assuntos relacionados com a Ditadura, como a repressão, por exemplo, nos fazendo pensar que, apesar de todos esses 50 anos, a música continua sendo forte ferramenta de comunicação, conscientização e expressão de opinião, uma vez que chega a todas as comunidades e grupos sociais.

Foi feita a análise da canção Cálice, uma composição de Chico Buarque e Gilberto Gil, que diz bastante sobre o que os artistas da época passavam com a repressão dos militares e toda a censura. Chico, assim como vários outros compositores, usaram de uma privilegiada inteligência e dom com as palavras nas canções para criar músicas e versos com duplo sentindo, de forma que não fossem vetados pelos censores com as palavras utilizadas mas levavam suas mensagens à população, tentando mostrar-lhes o que vivam diariamente no governo militar da época.

Referências

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VANDRÉ, Geraldo. Pra não dizer que não falei das flores. 1960. Brasil. Vagalume. Disponível em:  http://www.vagalume.com.br/geraldo-vandre/pra-nao-dizer-que-nao-falei-das-flores.html Acesso em: 12 Out. 2014.

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Stephanie Carvalho, Luana Paula Rocha, Jéssica Natalia Silva e Sthefany Toso são estudantes de Jornalismo. Trabalho Interdisciplinar Dirigido 3. Jornalismo Multimídia. Centro Universitário UNA. Professora Orientadora: Cândida Emília Borges Lemos. Belo Horizonte, novembro 2014

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