sexta-feira, 27 de março de 2015

O árabe que lutou ao lado dos índios americanos

Sanguessugado do Bourdoukan

Georges Bourdoukan 

No deserto dizem que quem procura vingança deve cavar duas sepulturas.Talvez isso explique a história de Rachid Nasr ad-Din que lutou ao lado dos índios americanos contra os colonos brancos na última metade do século XVI.

Tudo começa no deserto do Saara, quando ele parte em busca de vingança, porque uma adolescente de sua tribo fora seqüestrada 100 anos atrás por um jovem de outra tribo que havia se apaixonado por ela.

Como no deserto o tempo não conta, nem as mortes que se sucederam nesses 100 anos de vingança e contra-vingança, agora cabia a ele limpar a honra de sua gente pela desfeita. Mas, por entender que já era tempo de colocar um ponto final nessa história, e não querendo cavar duas sepulturas, atravessou o deserto até o oceano em busca de novas terras onde pudesse recomeçar sua vida.

Virou presa de guerra, quando o barco em que viajava foi capturado por piratas no norte da África, que o venderam como escravo nos Estados Unidos.

Seu comprador queria que o ajudasse na captura de índios cujas cabeleiras valiam fortunas na Europa, utilizadas para fazer perucas que os nobres e mais abastados usavam para cobrir suas cabeças raspadas por causa dos piolhos.

As caçadas aos índios eram realizadas pelos colonos em grupos, diariamente.Ninguém era poupado, nem mulheres, nem crianças. Os pedidos de novos escalpos não cessavam de chegar.

Estarrecido com tamanha brutalidade, Nasr ad-Din, conseguiu escapar acabando por juntar-se aos índios, ao lado dos quais lutou contra os escalpeladores. Mais tarde casou-se com uma princesa índia.

A história registra que Nasr ad-Din foi o primeiro não nativo a navegar pelo rio Hudson.

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