sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pior cego é aquele que vê e se recusa a acreditar

Via PCO

A movimentação golpista de volta ao centro do debate político

Congresso se prepara para ofensiva contra o governo Dilma

A vitória de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados trouxe de volta ao cenário político o debate sobre a ameaça golpista.

Se no ano passado houve a tentativa de impedir a diplomação de Dilma pela via jurídica, primeiro numa ação contra as contas dela e do PT; depois com um pedido do PSDB protocolado horas antes da diplomação da presidenta para que quem assumisse o cargo fosse Aécio Neves entre outras iniciativas, desta vez fica a possibilidade para a direita do golpe pela via Parlamentar.

Foi assim no Paraguai contra o governo Fernando Lugo. Em menos de 36 horas o presidente foi deposto através de votação no Senado sem nenhuma reação do seu partido ou do próprio presidente.

O truque é conhecido e já foi detalhado nessas páginas. “O caso Petrobrás é a mola mestra do golpe articulado contra o governo do PT. O objetivo é implicar a presidenta da República como cúmplice no alegado esquema de propinas e conseguir o seu impeachment via Congresso Nacional ou STF” (As engrenagens do golpe de estado estão sendo colocadas no lugar), nesse caso a engrenagem sai da própria base aliada do governo, através do racha do PMDB entre duas alas, uma de oposição ao governo e outra que por interesses específicos se mantém na base aliada.

Nesse sentido, a renúncia de Graça Foster e de mais cindo diretores da Petrobras nesta quarta-feira, dia 4, é a assinatura de culpa do governo diante da crise na empresa. Além de estar sendo considerado um sinal de fraqueza do governo diante das denúncias de corrupção.

Se antes a oposição de direita e a imprensa exigiam da presidenta uma ação enérgica contra a direção a empresa que estaria, segundo eles, envolvida até o pescoço no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, a renúncia ganhou o caráter contrário. Foster passou a ser apresentada como heroína, uma mulher competente e fiel ao governo que foi traída pela presidenta.

A direita e sua imprensa monopolizada já anunciam o que está por vir. A revista Veja chegou a declarar que Dilma não duraria no cargo mais de 300 dias. Outros sites na internet, bem como jornais impressos e de televisão afirmam que vem por aí uma ofensiva contra a presidenta no Congresso. Importante lembrar que Cunha é o segundo na linha de sucessão à presidência da República, estando atrás apenas do vice-presidente, Michel Temer, que também é do PMDB, mas estaria, ainda, ao lado do governo.

Nos próximos dias serão definidos outros cargos importantes na Câmara, como presidentes de Comissões e da mesa diretora. Ao que tudo indica Cunha articulou com uma maioria também para garantir que os principais cargos estejam entre seus aliados.

O que promete criar todas as condições para se repetir aqui os acontecimentos do Paraguai, uma perseguição rápida e certeira contra o governo eleito.

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