quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Para que serve a polícia militar no Brasil?

Via Revista Consciência.net

Gustavo Barreto

A Polícia Militar nasce, no Brasil, como guarda imperial de D. João VI, formada por soldados estrangeiros profissionais e milicianos populares que deveriam preservar o Estado imperial e, igualmente, resguardar a propriedade (incluindo os escravos, negros transplantados da África em uma das maiores violências já ocorridas em todos os tempos). Está registrado, nos livros de História, para quem quiser consultar.

Ao longo do tempo, este mesmo Estado – a quem sempre deveu lealdade – a utilizou para os mais diferentes fins: perseguiu escravos fugidos, jornalistas, políticos da oposição, estrangeiros, militantes políticos. Bastava designar a minoria que fosse como problema de segurança nacional e lá estava a Polícia Militar, “adestrada” para o fim proposto pelas autoridades. Raros foram os momentos de rebelião interna, todas dissipadas, algumas brutalmente.

Hoje, não se sabe exatamente para que serve Polícia Militar. Genericamente, continua a manter a ordem pública, mas sabe-se por exemplo que pode faltar onde a desordem está constituída e sobrar onde o povo está mais organizado e lutando por seus direitos. Seriam os direitos igualitários uma desordem? É uma possibilidade.

Mas o que mais impressiona não é essa aparente falta de rumo da corporação, demonstrada pelos sucessivos casos de corrupção e de criminalidade que salta aos olhos das polícias militares em evidente contradição com supostas orientações baseadas na ética humanista e nos direitos humanos.

O que mais se destaca é a frequência com que entrega resultados em relação ao genocídio das minorias tradicionais do país. Nas cidades ou no campo, a Polícia Militar continua sendo uma das que mais mata no mundo, e suas vítimas continuam sendo os historicamente denominados “não brancos”. Ou seja, todos os demais que não são de uma “linhagem” étnica do tipo europeia, pretensamente superior aos “degenerados” da nação brasileira (para citar uma expressão adequada para o tempo histórico que estamos resgatando). O recorte de classe pouco muda, aparentemente, a cor do crime no Brasil, mas certamente é um dos fatores decisivos para sua perpetuação.

E a resposta perpetuada pelos majoritariamente brancos persiste: trata-se de uma infeliz coincidência, que não condiz com nossa belíssima Constituição Federal que transborda igualdade e justiça.

Seria pueril imaginar que estamos caminhando para uma sociedade melhor, cada vez mais igualitária como se o rumo da História fornecesse uma trajetória semelhante à linha férrea. Para isso minimamente ocorrer, teríamos que compartilhar da visão da justiça social que, pelo que entendo, não se parece em nada com a formulação atual do etnocídio de negros pobres favelados, atual diretriz da maior parte das autoridades brasileiras.

4 comentários:

  1. serve para nada agente chama ela nao vemkkkk

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  2. A policia existe apenas para proteger o sistema politico do povo.

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  3. A polícia existe apenas para proteger o sistema de governo do povo.

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  4. a polícia atual serve para reprimir contrários,e proteger os políticos e seus interesses.

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