sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os 7 homens de Dilma

feicibuqui do Marco Aurélio Mello

O poder é inebriante. E Dilma sabe disso. Ou melhor, deveria saber. Na ilusão de que, eleita, seguiria “carreira solo”, livre de seu criador, a criatura trouxe novas pessoas de sua confiança para o Palácio. Mas uma coisa é ela confiar em cada um deles, outra, bem diferente, é cada um deles confiar um no outro. E é aí, nas intrigas palacianas, que os setoristas de política nadam de braçadas em Brasília.

Com a saída de Gilberto Carvalho da Casa Civil, homem forte de Lula, ganhou espaço Aloizio Mercadante. Paulista, economista e, também, da cota de Lula. Outro paulista do chamado Campo Majoritário, que levou o PT ao poder é o mineiro Ricardo Berzoini (comunicações). Mercadante e Berzoini são da velha guarda do partido, dos poucos que sobraram depois do mensalão e do tal escândalo dos aloprados.

Sabe-se que Dilma tem Lula em altíssima conta. Portanto, jamais iria contrariá-lo. Ela pode comprar briga com quem quiser, mas com seu antecessor seria suicídio político. Afinal, o ex-presidente é ainda o maior avalista do Governo que ele próprio forjou. Cinco anos depois de deixar o cargo ainda é condecorado mundialmente. Só Lula tem condições de levar adiante importantes pleitos em escala global.

Só que Dilma não confia no PT de São Paulo. Não confia em Rui Falcão, muito menos em outras lideranças sem expressão nacional. Ao perder Fernando Pimentel, seu braço direito, agora governador de Minas, e a maior promessa do partido, a presidente optou por dois gaúchos: Miguel Rossetto (secretaria geral) e Pepe Vargas (relações institucionais), além de seu fiel escudeiro, Giles Azevedo.

Só que – para empatar a conta - a “turma de Lula” tem outro importante aliado: Jaques Wagner. O ministro da Defesa também tem assento no quarto andar do Palácio. Ele é quem toma o pulso das Forças Armadas e desenha estratégias para preservar e proteger a integridade física da nação.

Se são três para lá, três para cá, quem sobra como fiel da balança? O paranaense Thomas Traumann. O ex-porta-voz de Dilma, hoje na Secom, é quem tem ou deveria ter o poder de controlar a comunicação dentro e fora do Governo. No entanto, ninguém além de Dilma, confia nele.

Traumann é um homem “do mercado” levado ao Governo pelo “finado” Palocci. Conversa e pauta a mídia hegemônica obedecendo a lógica de sua antecessora, Helena Chagas. Segundo ela, é conversando com o inimigo que as coisas se acertam. Ele “opera” à revelia de Berzoini e tem boas relações com as Organizações Marinho, o que só agrava o quadro de desconfiança interna.

Nesse cipoal de tramas, vazamentos e mentiras é que o jogo se estabelece. Pergunto: será que para bem do interesse público? Desconfio que não.

Neste contexto, os sete homens de Dilma não valem uma mulher dura,idealista e cheia de escrúpulos, como deveria ser um servidor de Estado. Este é o maior incêndio dentro do Governo hoje.

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