segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Eleições no congresso: O dólar em alta

Sanguessugado do Porfírio

Pedro Porfírio

Eduardo Cunha e Renan Calheiros são as caras de um congresso sem pudor e sem compromissos republicanos

Não será surpresa se em meio a esses turbilhões pintar na Câmara um projeto de PRIVATIZAÇÃO TOTAL DA PETROBRÁS, como conclusão de uma CPI direcionada.

O que se pode esperar de um sistema de poderes compartilhados que tem Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados e Renan Calheiros, mais uma vez, à frente do Senado Federal?

Daqui para frente, a República estará mais do que nunca nas mãos de uma súcia sem qualquer compromisso republicano. E não é surpresa para ninguém. Esse Congresso que saiu das urnas de 2014 é de longe o mais tarado pela causa própria, misturando interesses espúrios, ambições pessoais e ausência de qualquer recato.

Eduardo Cunha e Renan Calheiros são as expressões mais toscas de um processo eleitoral em que o mandato é conferido em sua quase totalidade aos que podem gastar rios de dinheiro em campanhas onde a despolitização campeia. Ninguém melhor do que eles para comandar esses parlamentares mais interessados em recuperarem seus investimentos.

Com essa dupla no comando das casas legislativas o jogo vai ser mais sujo ainda e a prática do DÁ LÁ TOMA CÁ será determinante.  Suas escolhas estão sob medida como ferramentas de um ardiloso retrocesso, em que uma presidenta engessada não verá outro caminho se não o de ceder, frustrando ainda mais quem imaginou dias melhores no seu segundo mandato.

E não verá outro caminho por que ela própria já capitulou na formação de seu ministério e de suas políticas econômicas, afastando-se de qualquer possibilidade de confronto com o sistema e, o que é mais patético, frustrando a milhares de brasileiros que acreditaram no seu suposto "coração valente".

Nesse cenário, pode estar certo o senador José Serra ao dizer que a presidenta Dilma Rousseff não concluirá seu mandato. Os adversários têm mostrado muito mais competência na derrota e na química que faz do limão uma limonada.

Por suas capitulações surpreendentes só um milagre levará o povo a ocupar as ruas e entrincheirar-se na defesa do seu governo quando a articulação dos piores interesses decidir removê-la.   Com certeza, não vai ser a turma da Kátia Abreu, do Bradesco ou da Igreja Universal que vai postar-se ao seu lado quando o bicho pegar.

Pior para o povo, que acabará sendo a vítima do seu descuido eleitoral nas eleições parlamentares. Pior, principalmente, para os que ainda tinham alguma esperança de algum tipo de avanço, qualquer avanço – não precisa ser nem esses passos firmes do índio Evo Morales nos altiplanos bolivianos.

Vai ser difícil a partir de agora imaginar qualquer mudança pra melhor – reforma política consistente, nem pensar. Vai ser difícil registrar seriedade nas decisões envolvendo os podres poderes. Renan e Eduardo Cunha não jogam por meias patacas. Os seus colegas não investiram neles à toa.  A República está desmilinguindo para a satisfação das corjas patrimonialistas que vão deitar e rolar.  

E para a infelicidade geral da nação.

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