domingo, 22 de fevereiro de 2015

Diógenes, o cão

Via Cultura, Esporte e Política

Erick Freire Silveira 

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Diógenes (413 – 323 a.C.) nasceu em Sínope, cidade costeira da região da Turquia e foi o símbolo da escola Cínica, isto porque ele fez de sua filosofia uma forma de viver, bastante radical para qualquer época da história. Diógenes desprezava as convenções sociais, isto é o comportamento que a sociedade tinha naquele momento, o luxo, riquezas e demasiado conforto que necessitava para viver. Ele desprezada tais coisas e afirmava que o homem precisava apenas daquilo que lhe era básico para sobreviver e ser feliz.

Sustentando esta corrente de pensamento Diógenes passou a viver tal qual os mendigos, alimentando-se de sobras que conseguia recolher pela cidade, vestindo apenas uma túnica velha e fazendo de um barril a sua morada. Ele era conhecido por perambular pelas ruas carregando consigo uma espécie de lamparina acesa, mesmo durante o dia, e respondia a todos que o perguntassem sobre o propósito de sua vida com a frase “Procuro um homem”. E este homem que procurava era aquele que vivia de acordo com a sua própria natureza, suprindo apenas suas necessidades básicas para viver e não vivendo de acordo com os conceitos da sociedade superficial.

A trajetória

Em uma ocasião em que seu pai teria adulterado uma moeda do Estado Diógenes foi exilado de sua cidade natal para Atenas, onde começou a pôr em prática seus pensamentos com o estilo de vida simples e praticamente sem posses. Contudo, alguns estudiosos afirmam que a culpa do exílio foi do próprio Diógenes, pois seu pai lhe tinha confiado a cunhagem das tais moedas. Em Atenas, vivendo como um mendigo, Diógenes pretendia ser discípulo de Antístenes, fundador da escola Cínica, mas o próprio o rejeitou e somente após muita insistência ele lhe concedeu o aval de discípulo. Pode-se destacar um episódio em que Antístenes ergue um bastão com a intenção de golpear Diógenes na cabeça e o mesmo lhe responde com a seguinte frase: “Pode golpear, mas não encontrarás um bastão duro o suficiente para me fazer desistir de querer que me diga algo, que acho que devas”.

Tornando-se símbolo da escola Cínica, Diógenes continuou a viver segundo os seus ideais e para ele este estilo radical de vida lhe permitia ser ele mesmo sem estar preso às convenções sociais, lhe permitia ser livre. Para ele está liberdade era alcançada à medida que cansava o corpo para que se habituasse a dominar seus prazeres até que fossem ignorados por completo, pois para os seguidores do cinismo os prazeres enfraquecem a alma do homem, pois este se torna seu escravo.

Um episódio marcante da vida de Diógenes foi quando o então imperador, e mais poderoso homem conhecido na época, Alexandre da Macedônia, o teria encontrado tomando um banho de sol e lhe dito “Peça-me o que quiser”. Contudo, no momento em que falava com Diógenes, Alexandre fazia sombra ao mesmo, encontrando-se despretensiosamente à frente do sol. Então Diógenes respondeu-lhe com a seguinte frase “Devolva meu sol.”. Demonstrando o pouco que precisava para que se contentasse.

Diógenes virou símbolo da simplicidade e sua história ensina até os dias de hoje que os homens precisam de menos do que pensam para sobreviver e serem felizes. Ao falecer a seguinte frase foi escrita em sua lápide “O próprio bronze envelhece com o tempo, mas tua gloria, Diógenes, nem toda a eternidade destruirá; pois apenas tu ensinaste aos mortais a lição da autossuficiência na vida e a maneira más fácil de viver”. Foi feita em sua homenagem uma coluna com um cão no topo, que simbolizava seu apelido “Diógenes, O Cão”, e também o seu modo de viver, simples como os cachorros, alimentando-se de restos, bebendo água das poças que encontrava e perambulando pelas ruas de Atenas.

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