segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A canalha bancária bate o bumbo pra Grécia

Via Esquerda.net

Começou a chantagem sobre o novo Governo grego

Os recados e as ameaças não se fizeram esperar. Passadas nem 24 horas da histórica vitória da esquerda grega, governantes e representantes de instituições financeiras desdobraram-se em declarações. A mensagem é clara: a austeridade tem que continuar.

A agência de notação americana Standard and Poor's ameaçou baixar o rating da dívida pública grega.

Alexander Stubb, primeiro-ministro finlandês e fervoroso adepto das políticas de austeridade, foi dos primeiros a dar o mote:

“Não esquecemos os empréstimos, mas estamos prontos para discutir uma extensão das maturidades do programa. Contudo isso não muda o facto de a Grécia ter de continuar com as reformas”, leia-se cortes, afirmou citado pela Reuters.

O chefe do Governo finlandês recusou ainda a hipótese de uma eventual redução da dívida soberana grega, entendendo que as condições do memorando da troika já são “muito acessíveis”.

O Banco Central Europeu não quis ficar atrás. Benoît Coeuré, membro do conselho executivo do banco, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, diz respeitar “o resultado da eleição democrática, mas também temos de ter em conta o que foi acordado anteriormente. Devemos cumprir as regras, o seu desrespeito foi a principal causa da emergência da crise do euro”.

“É absolutamente claro que não podemos concordar com qualquer redução da dívida que inclua os títulos detidos pelo BCE. Tal é impossível por razões legais”. Para além disso entende que o novo executivo helénico “deve pagar, são essas as regras do jogo europeu, não há lugar para um comportamento unilateral na Europa”.

A Standard and Poor's também enviou um “recado” aos novos inquilinos de Atenas, avisando que está a ponderar baixar o rating da dívida grega antes do período previsto de revisão, 13 de março. A agência de notação americana justifica a possível decisão com o facto de as “coisas poderem piorar”.

Christine Lagarde, diretora do FMI, em entrevista ao vespertino francês Le Monde, disse que “existem regras internas na zona euro a serem respeitadas" e que “não podemos fazer categorias especiais para tal ou tal país”. Rejeitando, desta forma, qualquer tratamento especial para a Grécia que, segundo a também ex-ministra de Sarkozy, tem ainda “reformas profundas” a fazer.

Jeroen Dijsselbloem sublinhou que “fazer parte da zona euro significa cumprir com tudo o que estiver acordado”. Questionado sobre um possível perdão da dívida grega, o chefe do Eurogrupo respondeu dizendo que não existe “muito apoio para isso” no seio da zona euro.

Como era de esperar, também o Governo alemão se pronunciou. Wolfgang Schauble, ministro das Finanças de Merkel, disse que “ninguém obriga a Grécia a nada mas os compromissos assinados mantém-se válidos e tudo que foi feito nos últimos anos foi para ajudar a Grécia”.

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