terça-feira, 16 de dezembro de 2014

S.O.S. CUBA.

Sanguessugado do Olhar o Mundo

Luiz Eça

Combater o Ebola tornou-se uma emergência internacional.

Os EUA, como líderes do planeta, o Reino Unido e outros países enviaram milhares de soldados.

Ótimo, disse a Organização Mundial da Saúde, mas para tratar as vítimas e prevenir a expansão do vírus, o mais necessário são profissionais de saúde.

Quando chegaram os primeiros médicos ocidentais, no fim de novembro, há quase dois meses já existiam 256 médicos e enfermeiros cubanos trabalhando nos países da África Ocidental atacados pelo Ebola. E mais 200 estavam a caminho, todos voluntários.

Cuba é reconhecidamente o líder mundial na assistência emergencial ao combate ao Ebola.

Nada mal para um pequeno país com 11 milhões de habitantes, renda per capita de 6 mil dólares (do Brasil é 10 mil), com sua economia sufocada pelo embargo americano.

O próprio John Kerry, Secretário de Estado dos EUA,

país que, por 50 anos, vem tratando Cuba como inimigo, teve de se congratular com o governo de Havana e qualificar sua atuação no affair Ebola como “impressionante.”

Cuba tem se destacado em prestar socorros urgentes a países devastados por desastres humanitários.

Há 4 anos atrás, depois do terremoto que praticamente destruiu o Haiti, foram os cubanos que enviaram o maior número de médicos, os quais cuidaram de 40% das vítimas.

Sri Lanka e Bandla Desh receberam assistência médica cubana, durante os tsunamis na Ásia, em 2004.

Em 2005, uma calamidade desabou sobre o Cashemir administrado pelo Paquistão: terrível terremoto que matou 75 mil pessoas, deixou  138 mil seriamente feridas e 3,5 milhões desabrigadas.

Cuba enviou 2.400 médicos e enfermeiros, que permaneceram trabalhando durante seis meses, inclusive no inverno.

70 % das vítimas foram tratadas por esses profissionais que, ao sair, deixaram 32 hospitais de campanha instalados.

Nos terremotos do Chile (1960), Nicaragua (1972)  e Irã (1990), as equipes de profissionais de saúde cubanas também atenderam prontamente aos pedidos de socorro.

E o programa venezuelano do presidente Chavez, Mission Barrio Adentro, desenvolve-se com alta participação de médicos cubanos. Esse programa consiste na construção e funcionamento de dezenas de hospitais, clínicas e outras instalações de saúde nos locais mais pobres e carentes de serviços do país. Ele cresceu a partir da assistência emergencial prestada por médicos cubanos no gigantesco deslizamento de lama (dezembro de 1999) na cidade de Vargas, no qual morreram 20  mil pessoas.

Depois do furacão Hurricane passar por Nova  Orleans, Cuba preparou 1500 médicos para ajudar a salvar vidas americanas.Mas o então presidente George W.Bush achou que seria humilhante para o prestígio da América e recusou.

Os médicos  cubanos tem sido ainda mobilizados para atender países com saúde pública precária.

Em Honduras, nas áreas onde eles atuaram, no período 1998/2003, a mortalidade infantil foi reduzida de 30,8% para 10,1% e a mortalidade materna caiu de 48,1 para 22,4 em 1000.Houve uma tentativa de expulsar a missão cubana, alegando que estaria tirando empregos do povo local. Mas não  pegou, tanto os sindicatos quanto as organizações comunitárias foram contra.

O valor do trabalho dos profissionais de saúde de  Cuba pode ser avaliado por 1.700 deles terem recebido a medalha Quetzal, a mais alta condecoração da Guatemala.

Numa recente campanha inter-americana, três milhões de operações de catarata foram realizadas gratuitamente por médicos cubanos em 33 países , com recursos do governo Chavez, da Venezuela.

Neste ano de 2014, a LABIOFAM,  instituto de pesquisas químicas e biofarmacêuticas do governo de Havana, lançou uma campanha para aplicação em massa de um medicamento contra a malária em mais 15 países da África Ocidental. A malária é uma doença tão grave que mata anualmente mais de 630 mil pessoas na Africa, a maioria crianças com menos de cinco anos (Organização Mundial da Saúde).

Atualmente, existem cerca de 50 mil médicos e enfermeiros trabalhando em países do exterior.

O que levou o professor canadense John Kierk a comentar: “O internacionalismo médico cubano já salvou milhões de vidas.”

Não seria um motivo mais do que suficiente para os EUA levantarem o boicote sobre Cuba?

Certo que em Cuba não há democracia, nem liberdades fundamentais, nem partidos ou jornais de oposição e são mantidos um certo número de presos políticos.

Afinal, Havana não tem nem de longe 30.000 presos políticos como a Arábia Saudita. Nem proíbe igrejas cristãs, nem impõe menos direitos a mulheres – nem envia armas para rebeldes em países vizinhos (Síria), como faz o reino de petrodólares..

E os EUA mesmo assim, são amigos íntimos do rei e sua corte.

Cuba também não matou mais de 2 mil oposicionistas nas ruas; nem condenou à morte centenas de opositores de opinião; nem tem dezenas de milhares de presos políticos. O regime egípcio  fez e faz tudo isso – e John  Kerry já considerou seu governo uma esperança democrática, tendo Obama renovado o envio suspenso de 3,1 bilhões de dólares em armas.

E Israel, então?

É verdade que se trata de uma democracia. Infelizmente tenta agora torná-la racista, tornando os 20% árabes do país cidadãos de 2ª-classe. Os habitantes judaicos gozam de todas as liberdades e direitos humanos, ma Israel os nega  aos palestinos. Comete periodicamente crimes de guerra em Gaza, , onde bombardeia áreas de civis, matando milhares de cidadãos desarmados. Demole casas de inocentes, num crime de punição coletiva claramente definido nas Convenção de Genebra. Nega-se a abandonar sua ocupação militar dos territórios palestinos.

Fatos enquadrados nos mais variados crimes do direito internacional.

Obama chega até a criticar algumas dessas posições. Mas é só.

Na hora do v amos ver, ele defende Israel contra toda e qualquer acusação feita nos foruns internacionais, mesmo que cobertas de razões.

E ainda enche os cofres de Telaviv de dinheiro- 17 bilhões de dólares, segundo o vice-presidente Biden- nos 6 anos de governo do líder democrata.

Cuba, com muito menos pecados do que essas citadas nações, tem direito, por um dever de igualdade, de receber um mínimo da Casa Branca: o fim do boicote, para que a ilha possa crescer mais, dar uma vida melhor a seus habitantes.

E , sempre que chamada para uma emergência,  tiver mais recursos para socorrer ainda melhor.

Milhões de futuras vítimas, espalhadas pelo mundo, agradecerão comovidas.

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