domingo, 14 de dezembro de 2014

Qualquer semelhança, não é mera coincidência

Via Rebelión

O avanço do fascismo na Venezuela

“…

a) situar, estigmatizar e segregar indivíduos e coletivos em meios de comunicação de massas; b) segregar e expulsar pessoas de espaços públicos e privados: profissionais, recreativos, educativos, assistenciais, etc.; c) reações tíbias ou falta de reação da cidadania diante de agressões e assassinatos contra vítimas visíveis em alguns meios de comunicação de massas; d) reações tardias, inoportunas ou inadequadas por parte das instituições do Estado e de alguns dirigentes.”

Judith Porcar

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Aporrea

O fascismo é um movimento político de direita que se organiza para a tomada violenta do poder. Emerge como resposta do capitalismo  diante das conquistas sociais de modelos políticos socialistas, progressistas e das mudanças entre as relações sociais de poder em benefício de setores explorados, pobres ou vulneráveis da população.

A tomada de poder por elementos da direita é a culminação de um projeto que se realiza por etapas, sendo que algumas são violentas e amplos setores da sociedade as rechaçam; outras são menos estrondosas, mas absolutamente necessárias para que os objetivos da direita se tornem realidade.

O rechaço da sociedade diante de práticas violentas e violadoras dos direitos humanos faz com que seja necessário um plano prévio de “amaciamento”, que consiste no desenvolvimento de atividades que transmitem mensagens através dos meios de comunicação de massa: imprensa, televisão, cinema e redes sociais, que tem a intenção de impactar a psique das pessoas com o objetivo de criar novos valores mais de acordo com o modelo sócio econômico e de Estado daqueles os financiam.

Essa etapa do fascismo penetra na sociedade e se dissemina de maneira sutil ao começo, e vai se radicalizando-se até chegar a seu ápice, quando terá alcançado a tolerância de amplos setores da população, que não se dão conta da manipulação à qual são submetidos.  A tolerância pode ser medida pela reação da população diante de fatos que atentem contra os direitos humanos, assassinatos e garantias sociais. Nas etapas que se sucedem antes de se alcançar a finalidade última que é a toma do poder político de forma violenta, levam-se a cabo atos de crueldade extrema, como assassinatos com sanha de lideranças e dirigentes, e torturas e atos terroristas que produzem pânico nas pessoas, com um efeito paralisante,  o que facilita a conquista de um estado mental tolerante.

O fascismo atua através de um aparato de propaganda que tem como missão atingir os seguintes objetivos:

-Estimagtização: seleciona e caracteriza as vítimas de forma negativa com relação ao resto dos cidadãos

-Segregação: o isolamento das vítimas é importante, por que é o que permite a orfandade e a vulnerabilidade diante da agressão.

-Coisificação: a vítima deixa de ser uma pessoa para ser uma coisa ou um objeto; ela é despojada de sua condição humana e dessa forma, a agressão é contra um vermelho, índio, cigano, muçulmano, judeu, ateu, santeiro, coletivos que facilitam a aceitação social sem remorsos.

-Perseguição: essa ação se exerce de forma psicológica no âmbito público e privado, profissional, cultural, religioso e educativo. Estende-se a todos os setores da vida, gerando mudanças e atitudes que a princípio são quase imperceptíveis, mas que vão se intensificando até expulsar as vítimas de seus espaços sociais.

-Extermínio: é a eliminação física das vítimas, além da sua cultura, religião, direitos humano e políticos, juntamente com a espoliação de seus bens e posses. Os grupos estigmatizados são eliminados em tempos distintos, o que facilita a execução com pouca oposição.

Historicamente, tem se observado que o fascismo avança muito até conseguir a segregação, tratamento cruel , assassinato e extermínio de populações inteiras, sem que ocorra uma reação efetiva dos que poderiam atuar a tempo para conter e evitar isso. Nesse sentido, há indicadores que refletem o avanço do fascismo na República Bolivariana da Venezuela, como: a) situar, estigmatizar e segregar indivíduos e coletivos em meios de comunicação de massas; b) segregar e expulsar pessoas de espaços públicos e privados: profissionais, recreativos, educativos, assistenciais, etc.; c) reações tíbias ou falta de reação da cidadania diante de agressões e assassinatos contra vítimas visíveis em alguns meios de comunicação de massas; d) reações tardias, inoportunas ou inadequadas por parte das instituições do Estado e de alguns dirigentes.

Reverter o processo revolucionário bolivariano passa por destruir a organização coletiva própria do socialismo para conformar o poder popular, que o diferencia do individualismo no capitalismo neoliberal. A satanização dos coletivos revolucionários é uma investida do imperialismo, que mais uma vez faz uso da estratégia fascista para criar um ambiente propício no cenário nacional e internacional para seu extermínio.

Temos que identificar oportunamente as etapas da estratégia fascista, e atuar com consciência, articulação social, políticas de comunicação, e educativas, assim como novos instrumentos legais para intervir precoce e acertadamente com as instituições de um estado democrático para deter os planos da direita internacional e sancionar seus operadores em nosso país.

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