sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Por não considerar crime de larga escala, TPI rejeita investigar ataque de Israel à flotilha de Gaza

Via Opera Mundi

Redação

Promotora reconheceu que há base para crer que “foram cometidos crimes de guerra” em 2010, mas caso não teria “gravidade suficiente para justificar ações do tribunal”

O TPI (Tribunal Penal Internacional) decidiu que não investigará o ataque de Israel contra a flotilha internacional que levava ajuda a Gaza em 2010, como informou a promotora do alto tribunal da ONU, Fatou Bensouda, nesta quinta-feira (06/11). Na ação, morreram 11 cidadãos turcos.

Agência Efe

Estudantes palestinos e soldados israelenses entraram em confronto nesta quinta na Cisjordânia

Apesar de reconhecer que há uma base razoável para crer que “foram cometidos crimes de guerra”, a promotora afirmou que o caso não teria “gravidade suficiente para justificar ações adicionais por parte do TPI”. E ressaltou que o órgão prioriza crimes em larga escala.

O TPI recebeu em 14 de maio de 2013 uma solicitação para investigar o ataque de forças israelenses à pequena frota. A Corte abriu então "um exame preliminar" do caso. Ela disse ainda que a decisão “não minimiza de nenhuma maneira o impacto dos supostos crimes nas vítimas e suas famílias", mas que ela tem que se guiar pelo Estatuto de Roma.

"Na análise final concluí, por isso, que os requisitos legais sob o Estatuto de Roma para abrir uma investigação não se dão" e que por ali "o exame preliminar foi fechado". A União das Comores, que fez a solicitação para que o caso fosse investigado, tem o direito de solicitar aos juízes do TPI que revisem a decisão.

Na época, um relatório da Comissão Investigadora do Conselho de Direitos Humanos da ONU revelou que o ataque israelense foi "desproporcional e de uma inacreditável e desnecessária violência" e diz ainda que "o ataque foi repleto de inaceitável brutalidade, uma conduta que não pode ser justificada sobre bases de segurança ou outras".

Três dos seis barcos da flotilha foram bombardeados em águas internacionais cerca de 130 quilômetros distante da costa israelense em 31 de maio de 2010.

Madrugada violenta em Jerusalém

A notícia de que um palestino teria atropelado três soldados israelenses na noite desta quarta-feira (05/11) em território ocupado da Cisjordânia aumentou os boatos de que estaria em curso uma terceira intifada. Jornais locais disseram, nesta quinta (06/11), que investigações preliminares apontam que não se tratou de uma ação deliberada, e sim de um acidente.

Agência Efe

Mulher argumenta com soldados israelenses próximo à mesquita Al Aqsa

Ainda assim, o homem supostamente responsável pela ação se entregou à polícia na manhã de hoje e admitiu ter atropelado os soldados. A suspeita de que se trata de uma ação coordenada se deu devido ao fato de ser o segundo incidente do tipo no mesmo dia e o terceiro em duas semanas. Ontem, um israelense morreu e mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas após um palestino atropelá-los perto de uma estação de bonde na rodovia que divide Jerusalém. Na sequência, Ibrahim al Akari foi morto pela polícia. Além dos casos confirmados, jornais locais divulgaram a informação de que um agricultor em Al Khadr, vila próxima a Belém, teria sido atropelado. O Exército não confirmou.

Durante a madrugada, ocorreram confrontos com a polícia, principalmente no campo de refugiados de Shuafat, em Jerusalém Oriental, de onde Ibrahim era. Nas últimas horas, 16 palestinos foram presos por violar a ordem em bairros árabes em Jerusalém.

Ao todo, 188 palestinos já foram detidos pelas forças de segurança nas últimas duas semanas em Jerusalém. Destes, 71 são menores de idade. Os recentes atentados e a escalada da violência na cidade fizeram aumentar os rumores, comentados por especialistas e políticos, de uma terceira intifada, após as ocorridas entre 1987 e 1993, e de 2000 a 2005.

O vice-presidente da Fundação para a Defesa da Democracia, analista e autor do livro Hamas vs. Fatah: The Struggle for Palestine (Hamas vs. Fatah: A Luta pela Palestina, em tradução livre), Jonathan Schanzer, disse em seu Twitter que algo “sui generis está acontecendo em Jerusalém. Não uma intifada (ainda). Mas note que árabes de Jerusalém estão preparando uma”.

Nesta quarta, o braço armado do Hamas, os Batalhões de Ezedin al-Qassam, disse, em comunicado, que prepara a “mais dura guerra da história” contra Israel. "Nossa próxima vitória será a mais dura na história do movimento sionista", afirmaram.

Esplanada das Mesquitas

No centro da nova escalada na tensão entre israelenses e palestinos está o acesso à Esplanada das Mesquitas, onde ocorreram diversos atos violentos nos últimos dias.

Hoje, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que não haverá mudanças no status quo da Esplanada das Mesquitas e afirmou que Israel não tem intenção de modificar o delicado equilíbrio de forças no recinto sagrado tanto para muçulmanos como para judeus.

As declarações foram proferidas após o anúncio feito pela Jordânia de que o embaixador em Israel seria chamado para consultas em protesto contra o que descreveu como "violações" cometidas em Jerusalém e seus lugares santos. O país administra, desde 1994, devido ao acordo de paz com Israel, as atividades religiosas na esplanada.

Ontem, forças de segurança israelenses entraram na Esplanada das Mesquitas e lançaram bombas de efeito moral na Mesquita de al-Aqsa, terceira na hierarquia do islamismo, para reprimir protestos gerados pela visita de ultranacionalistas judeus ao local.

As visitas, autorizadas recentemente por Israel, são consideradas como uma provocação pelos muçulmanos.

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