sábado, 1 de novembro de 2014

A estória do ébola não cheira bem

Via Resistir.info

Paul Craig Roberts [*]

O governo federal anunciou que milhares de soldados adicionais dos EUA estão a ser enviados para a Libéria. O general Gary Volesky disse que as tropas "suprimiriam" o ébola. A estória oficial é que tropas de combate estão a ser enviadas para construir estruturas de tratamento para aqueles infectados com o ébola.
Por que tropas de combate? Por que não enviar uma unidade militar de construção tal como um batalhão de engenharia se têm de ser militares? Por que o governo não faz o que habitualmente fazia, contratar uma companhia de construção para construir as unidades de tratamento? "Milhares de tropas adicionais" resulta numa equipe de construção muito grande e sem experiência para 17 unidades de tratamento. Isso não faz sentido.
Estórias que não fazem sentido e que não são explicadas naturalmente levantam suspeitas, tais como: Estarão soldados dos EUA a serem usados para testar vacinas e curas do ébola ou, mais sombriamente, estarão eles a serem usados para trazerem mais ébola para os EUA?
Entendo porque pessoas fazem estas perguntas. O facto de que elas não receberão nenhuma resposta aprofundará suspeitas.
Americanos desinformados e crédulos responderão: "O governo dos EUA nunca utilizaria os seus próprios soldados e os seus próprios cidadãos como cobaias (guinea pigs). Antes de se fazer de bobo, aguarde um momento para recordar os muitos experimentos que o governo dos EUA efectuou sobre soldados e cidadãos americanos. Por exemplo, investigue online por "experimentação humana não ética nos Estados Unidos" ("unethical human experimentation in the United States") ou "experimentos de radiação humana" ("human radiation experiments") e descobrirá que agências federais tais como o Departamento da Defesa e a Comissão de Energia Atómica fizeram: expuseram soldados e prisioneiros dos EUA a altos níveis de radiação; irradiaram os testículos de homens e testaram defeitos de nascimento (o que resultou em altas taxas); irradiaram as cabeças de crianças; alimentaram com material radioactivo crianças mentalmente deficientes.
A oposição do regime de Obama à quarentena para aqueles que chegam da África Ocidental também é um mistério. O US Army anunciou que o Exército tenciona por em quarentena todo soldado americanos que retorne da deslocação à Libéria. O Exército diz razoavelmente que um excesso de cautela é exigido a fim de minimizar o risco de transferir o surto de ébola para os EUA . Contudo, a Casa Branca não endossou a decisão do Exército e manifestou oposição às quarentenas ordenadas pelos governadores de Nova York e Nova Jersey.
Aparentemente, a pressão da Casa Branca e ameaças de processos judiciais daqueles sujeitos à quarenta levaram a que os dois estados afrouxassem suas quarentena. Uma enfermeira que retornou do tratamento de pacientes ébola na África Ocidental foi considerada por Nova Jersey como sã para actuar depois de se verificar que estava livre de sintomas durante 24 horas ao invés dos 21 dias que leva para a doença produzir sintomas. A enfermeira ameaçou com um processo judicial e a falsa questão da "discriminação contra trabalhadores de cuidados de saúde" levantou-se. Como será a discriminação para por em quarentena aqueles com a máxima exposição ao ébola?
Antes de aparecerem sintomas, uma pessoa infectada é perigosa para outros até estar em quarentena. Como o CDC (Center for Desease Control and Prevention) foi agora forçado a admitir, depois de estupidamente negar o facto óbvio, a actual estirpe (strain) de ébola pode propagar-se pelo ar. Tudo o que é preciso é um espirro ou uma tossidela ou uma superfície contaminada .
Por outras palavras, pode difundir-se como a gripe. Negações anteriores deste facto ajudaram a criar a suspeita de que a nova estirpe de ébola é uma estirpe utilizada como arma de guerra biológica [NR] criada pelos laboratórios do governo dos EUA na África Ocidental. Como revelou o professor Francis Boyle, da Universidade de Illinois, Washington instalou seus laboratórios de guerra biológica em países africanos que não assinaram a convenção que proíbe tal experimentação.
O procedimento tortuoso de Washington ao evadir-se da convenção que o governo dos EUA assinou provocou uma outra suspeita. Será que a nova estirpe do ébola escapou, talvez através de acidente de laboratório que infectou seus trabalhadores, ou foi a estirpe libertada deliberadamente a fim de verificar se funciona ?
A única política inteligente e responsável é parar todos os voos comerciais para e das áreas do ébola. Trabalhadores voluntários da saúde deveriam ser transportados por aviões militares e deveria ser-lhes exigido que aguentassem a necessária quarentena antes de serem transportados de volta para os EUA.
Por que a Casa Branca se opõe à única política responsável e inteligente? Por que está o Congresso silencioso sobre a questão?
A resistência a uma política sã promove a suspeita de que o governo ou algum grupo conspirativo tenciona utilizar o ébola para declarar lei marcial e arrebanhar a população ou parte indesejáveis dela para dentro dos campos FEMA que a Halliburton foi paga para construir (sem que alguma vez dissessem ao público a razão destes campos).
Certamente é estranho que um governo envolvido em guerras a longo prazo no Médio Oriente, cujo propósito não é claro para o público, e em fomentar conflito tanto com a Rússia como com a China, dois países armados com ogivas nucleares, esteja tão desatinadamente a criar entre o público mais suspeitas quanto aos seus motivos, intenções e competência.
A democracia exige que o público confie no governo. Mas Washington faz todo o possível para destruir esta confiança e para apresentar um quadro de governo disfuncional com agendas ocultas e não declaradas.

[NR] Após a derrota do fascismo japonês na II Guerra Mundial, os EUA capturaram os arquivos e os integrantes da unidade militar niponica especializada em guerra bacteriológica e puseram-nos ao seu serviço.   Na década de 1950, na Coreia, os EUA efectuaram experimentos de guerra biológica, crime de guerra devidamente confirmado e comprovado por uma comissão internacional de inquérito.

[*] Antigo secretário assistente do Tesouro dos EUA e editor associado do Wall Street Journal, autor de How the Economy Was Lost e de How America Was Lost
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/...

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