quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Olha aí, galera do Rio. Há uma alternativa pro senado

Via Rede Democrática

Rio tem surpresa comunista na eleição ao Senado

As pesquisas eleitorais para o Senado, no Rio de Janeiro, têm apontado a liderança de Romário (PSB), seguido por Cesar Maia (DEM) e na terceira colocação uma surpresa: o professor Eduardo Serra, do PCB, que mesmo sem coligações e alianças alcançou 7% das intenções de voto logo no inicio da corrida eleitoral, tanto no Datafolha quanto no Ibope. "Acho que o eleitorado mais progressista e de esquerda está procurando uma alternativa a Romário e Cesar Maia, e identificou na minha candidatura este perfil. Ainda bem, porque é isso mesmo", disse Eduardo Serra, de 58 anos, engenheiro e professor da UFRJ, onde se formou, fez mestrado e doutorado.

Eduardo Serra também credita a boa colocação à visibilidade que teve nas campanhas de 2008 e 2010, quando concorreu à prefeitura e ao governo do Estado. Em 2010, no entanto, teve apenas 0,01% dos votos (pouco mais de 11 mil no total). Os atuais 7% representam mais de 800 mil, uma façanha para um partido do tamanho atual do PCB, que não tem representantes no Congresso Nacional.

"Já apareci em outros dois programas eleitorais e acho que isso facilita, como também o fato de eu ter atuado em várias áreas, ser professor universitário e ter sempre adotado o mesmo discurso", acrescenta.

O discurso a que ele se refere é de mudança. Num tom sereno, garante que o comunismo é a proposta mais generosa surgida no mundo. E acredita que o Brasil é capaz de reconstruir este sonho através do socialismo.

"Reconhecemos que o governo do PT trouxe avanços significativos para o Brasil, sobretudo na sua política externa, coroada com a criação do Brics, nos programas sociais como o Bolsa-Família e no aumento do salário mínimo acima da inflacão. Somos oposição, mas consciente. E sabedores de que precisamos ir além", diz.

O ir além de Eduardo Serra é composto de quatro eixos: fortalecimento da democracia promovendo a participação popular; acesso universal e gratuito aos direitos básicos, como saúde, educação e alimentação; restruturação da economia com a restatização de empresas estratégicas, além de voltá-las para o mercado interno e, por fim, na luta contra todo e qualquer tipo de discriminação.

"Ser comunista é incorportar tudo o que aconteceu de bom e aprender com as experiências mal sucedidas. Não queremos fazer do Brasil a União Soviética, ou fechar empresas e tomar a casa de Teresópolis de ninguém. Queremos o desenvolvimentismo. Aliado a experiências que deram certo como pleno emprego, saúde e educação universal", explica.

Confusão com José Serra gera brincadeira

A boa colocação de Eduardo Serra nas pesquisas fez com que muita gente fizesse uma associação imediata ao ex-governador paulista José Serra, que também será candidato ao Senado, mas por São Paulo. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montnegro, admite que possa ter havido uma confusão na cabeça do entrevistado, mas diz que as chances são pequenas. "Sempre pode. Mas acho que pode, ser, sim, uma identificação do eleitor com uma alternativa a Romário e Cesar Maia", diz Montenegro.

Eduardo Serra, que entre amigos é chamado de Edu, e não de Serra, diz que a única semelhança que tem com o candidato tucano é o sobrenome.

"Ainda bem. Que isso fique claro (risos)", brincou o comunista.

Fonte: O Dia, 31/07/2014

‘Queremos discutir o papel do Senado’, diz Eduardo Serra

POR LEANDRA LIMA E MAIR PENA NETO

Candidato do PCB ao Senado quer estruturas decisórias, e não apenas consultivas, no parlamento

Candidato do PCB ao Senado, Eduardo Serra, 58 anos, defende um aprofundamento da participação popular nas decisões políticas, inclusive com acesso dos movimentos sociais à tribuna do Parlamento. Para Serra, a forma como o Senado foi pensado está ultrapassada, e o PCB cogita a hipótese de sua extinção a longo prazo, após o fortalecimento da representatividade popular e da Câmara dos Deputados.

O senhor acha que a ideia do socialismo ainda empolga a juventude e a sociedade?

Acredito que a ideia do comunismo é a mais generosa que a humanidade já criou. Pensa projetos sem a exploração do homem pelo homem, uma sociedade em que todos, tendo acesso a uma base material, como Saúde, Educação, moradia, possam desenvolver suas potencialidades. O socialismo que pretendemos construir é o socialismo dos dias de hoje, com o balanço crítico dos problemas e desvios que houve no passado, mas acreditando que o saldo é positivo, com as conquistas sociais.

O senhor acredita que seja possível alcançar o socialismo dentro da estrutura da democracia brasileira?

Sim. Entendemos a democracia não apenas com o exercício do voto, mas com a participação direta da população, organizadamente, no processo político. Transformar o sistema representativo atual, tornando o parlamento aberto aos movimentos sociais, facilitando a formulação de apresentação de leis de iniciativa popular, que já existe mas não é um mecanismo simples, criar uma rede de organizações políticas onde a população possa participar diretamente das decisões. A Constituição brasileira prevê isso.

Como seria a amplificação da participação popular no parlamento, além dos mecanismos que já existem hoje?

Pretendemos que as organizações políticas possam se pronunciar na tribuna, para apresentar seus projetos, suas demandas. E outras transformações, como a reforma política, mas não essa que está sendo colocada pelos partidos da ordem. Defendemos uma reforma que amplie a liberdade de organizações partidárias, diminua radicalmente o exercício do poder econômico nas eleições. Os partidos grandes são financiados pelas mesmas empresas e isso é ruim para o processo democrático. O candidato eleito vai ser forçado a defender aqueles valores. Isso é um fator que desejamos eliminar com o fundo público de campanha, para que todos os partidos tenham acesso, assim como o acesso à mídia, cujo espaço é amplamente desigual, sem espaço para partidos que não têm cadeira no Congresso. O Leonel Brizola conseguiu reverter o resultado nas eleições em 1982 porque foi convidado para participar dos debates, mesmo não tendo representantes no Legislativo.

O senhor já tem modelos de projetos de leis que trabalharia para aprovar no Senado, caso seja eleito?

Nós nos apresentamos na eleição com uma plataforma política com matriz teórica e ideias para transformação socialista revolucionária de radicalidade, no sentido de mudar a estrutura da sociedade. E nos apresentamos com um programa político com eixos de lutas, as quais podem vir a se transformar em projetos.

O que podem vir a ser projetos de leis?

Por exemplo, defendemos a estatização do sistema financeiro, que consome hoje 43% do Orçamento federal. É bom lembrar que 80% da arrecadação de impostos vêm daqueles que ganham entre um e dez salários mínimos. Ou seja, somos a favor de inverter isso. Vamos taxar o lucro, a propriedade, as grandes fortunas e o capital financeiro, que quase não paga nada em suas operações. Nessa esteira, defendemos a reestatização das empresas que foram privatizadas. Nos anos 90, foi passada a ideia de que tudo ia melhorar com a privatização das grandes empresas, porque o Estado seria mais moderno. E o que assistimos foi a precarização dos empregos, diminuição relativa no número de postos de trabalhos e sistemas inteiros de seguridade social destroçados.

Quais empresas?

Os trens no Rio de Janeiro, por exemplo, já transportaram mais de um milhão de pessoas. Hoje transportam 500 mil. O mesmo se deu com as Barcas, e isso aconteceu depois da privatização. A resistência que há do setor de transportes urbanos para a ampliação do metrô e a criação dos VLTs (veículo leve sobre trilho) é pela mesma razão. Somos a favor da estatização desses setores. Nós defendemos a “desmercantilização da vida”. Ou seja, tudo o que é básico para o ser humano, Saúde, Educação, moradia, alimentos básicos, transporte urbano, medicamentos, não podem ser mercadorias, não podem ter os seus preços flutuando ao sabor do mercado.

Uma das frentes de luta apresentadas pelo PCB é a revisão do Senado, apontando para a sua extinção. É isso mesmo?

O Senado foi pensado para harmonizar os interesses dos estados brasileiros, e para coordenar, em cada unidade federativa, o sentido da defesa externa, e achamos que isso está superado. Queremos discutir o papel do Senado e pode até se levantar a hipótese de sua extinção, mas é a longo prazo, apenas após o fortalecimento da representatividade popular e da Câmara dos Deputados.

Cresceu na atual campanha presidencial a discussão de participação social sem partido. Como o senhor vê isso?

De certa forma, a sociedade vai se tornando cada vez mais complexa e vão surgindo outras formas de representação, de interesses e de opiniões, é natural. Existem hoje organizações que não são partidárias mas que canalizam demandas. O que entendemos é que os partidos são o tipo de organização que consegue unir as demandas da população e ter uma visão do todo da política. Eu vejo um cenário de transformação dos partidos, porque eles têm que ouvir o que tem vindo das ruas e conviver com outras formas de organização surgindo.

Como o senhor pretende atrair o eleitorado, com pouco tempo de TV?

O conjunto de propostas que estamos apresentando estão encontrando eco na classe trabalhadora, em setores de baixa renda, e até em setores de rendas maiores porque as reconhecem como possíveis e necessárias para o Brasil. Temos lidado com limitações de recursos e até de espaço porque o tratamento da mídia é desigual. Mesmo eu estando em terceiro lugar, não sou chamado para os espaços. Mas entendo que meu índice vai crescer por causa da presença do PCB nas manifestações, conversando com as pessoas nas ruas e utilizando as redes sociais.

As alianças no Rio estão embaralhadas e confundindo a cabeça do eleitor. O senhor acha que é possível se diferenciar desse cenário?

Fazemos alianças com outros partidos, mas apenas no campo da esquerda, como o PSOL, o PSTU, e com outros grupos que não têm organização partidária. Se formos eleitos, teremos no Parlamento um ponto de apoio para as lutas sociais.

Como senhor avalia os dois candidatos que estão à sua frente nas pesquisas para o Senado?

O Cesar Maia já teve oportunidade de mostrar que suas ideias no governo não são boas. Se se olhar o que foi feito com o recurso público no caso da Cidade das Artes, vê-se que tipo de prioridade ele dá para o uso do dinheiro público. E ele se filia a uma corrente assumidamente conservadora, cuja ação política tem se mostrado equivocada. Quanto ao Romário, acho que ele tem uma raiz social humilde e preocupações sociais. Eu diria que o mandato dele não foi ruim, mas o tipo de preocupação dele é localizada. Ele não está se apresentando como uma pessoa que pensa o país, que entendemos ser o perfil de um senador.

Fonte: O Globo, 02/09/2014

Conheça a página oficial do candidato: https://pt-br.facebook.com/EduardoSerraPCB

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