domingo, 15 de abril de 2018

Ataque a Síria: não tenho provas, mas sobram-me conviccões


Sanguessugado do InformaçãoIncorrecta

O ataque na Síria em directo


Mísseis sobrevoam  Damasco

O bom blogueiro está a ir para a caminha para gozar do merecido descanso quando decide espreitar
os canais televisivos via internet. E eis que de repente aparece o simpático Donald Trump numa conferência de imprensa. Pergunta o Presidente: "Que tipo de País ataca os inocentes?". E o bom blogueiro pensa: "Esquisito, uma conferência de imprensa para fazer autocrítica? Ou estará a ralhar contra os atiradores israelitas que disparam contra os manifestantes palestinianos desarmados?". Mas não: o assunto era o ataque de EUA, Reino Unido e França contra a Síria.

Assim, há pouco começou o ataque. É muito cedo, ainda nada é sabido. Testemunhos afirmam ter ouvido boatos na zona norte de Damasco, mas a confirmação mais importante chega da televisão de Estado da Síria que anuncia ter respondido ao ataque.

Voltemos para a conferência: Trump anunciou um ataque mais comedido quando comparado com as declarações do passados dias. Este é um ataque "preciso" associado às "capacidade químicas" de Damasco. Portanto, segundo as afirmações, a intenção parece ser não uma mudança de regime mas algo dirigido contra o alegado arsenal químico da Síria.

O resto da conferência foi mera propaganda: Trump lembrou que há um ano Assad lançou um ataque
químico (nunca provado) contra os seus cidadãos e que no passado Sábado o líder sírio lançou um novo ataque (acerca do qual existem ainda mais dúvidas) contra inocentes. E falando dos ataques: esta teria sido uma excelente ocasião para apresentar as provas de que tais ataques 1. aconteceram e 2. foram perpetrados pela Síria. Mas Trump, tal como acontece com o Primeiro Ministro inglês, Theresa May, e com o Presidente Francês Macron, dá como assumido o facto.

Portanto, um ataque não suportado por nenhuma prova. A não ser que falar de "Mal", de "famílias esmagadas pelo gás", de "regime terrível" possa ser considerado só por si uma prova. Estendemos um véu de piedade acerca da afirmação segundo a qual este ataque seria um "interesse vital pela segurança" dos EUA.

Uma hora depois eis a intervenção de Theresa May: é ela que, além de repetir quanto já afirmado por Trump, esclarece ainda mais que o ataque "não significa intervir numa guerra civil" e que não é "para uma mudança do regime". Obviamente, a May não pude evitar de referir-se à Rússia: o ataque "envia também um claro sinal a todos aqueles que acreditam poder usar as armas químicas com impunidade". Até Trump tinha sido mais inteligente, evitando um ataque directo contra Moscovo. E quando as nossas palavras estão abaixo do nível de Trump, é evidente que foi atingido o fundo.

A seguir, do Pentágono, o Secretário da Defesa americano, James Mattis (que poderia ter ficado calado, pois limitou-se a repetir quanto já afirmado pelo seu Presidente), e o Coronel Dunfort, o qual explicou que os ataques tinham começado às 21:00 (horário da costa Leste) e que tinham como objectivo duas localidades sírias: uma fábrica nos arredores de Damasco e dois depósitos perto de Homs.

Depois das declarações, eis as perguntas dos jornalistas. Uma em particular: "Quais as provas de que o ataque foi perpetrado pelo regime sírio?". A resposta de Mattis:
Tenho a certeza de que o regime sírio conduziu o ataque químico contra pessoas inocentes na semana passada, sim, estou absolutamente certo disso e temos o nível de certeza dos serviços secretos do qual precisamos para conduzir o ataque.
Ou seja: nada de provas, temos que fazer um acto de fé e confiar na opinião da infalível Administração americana.

Segundo as palavras do Coronel, o ataque deveria ser uma acção única e de curta duração, o que é confirmado pelo facto de que nesta altura o ataque já ser considerado concluído. Portanto, uma acção bastante limitada que, segundo a televisão síria, viu o lançamento de 30 mísseis. Quanto aos resultados, inútil nutrir grandes esperanças: as forças ocidentais irão apresentar o ataque como um estrondoso sucesso, tendo conseguido centrar todos os objectivos; de partes síria serão mostradas imagens de casa destruídas e bairros residenciais em chamas. Já estamos acostumados.

Agora é só esperar as reacções.


Ipse dixit.


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