sábado, 30 de dezembro de 2017

Izaías Almada: FELIZ ANO NOVO!…COMO?!…

Sanguessugado do Viomundo

Izaías Almada, especial para o Viomundo


Dando o devido desconto à repetição desprovida de sentimentos sinceros e a hipocrisia que geralmente as acompanham, além dos perus e panetones, para as mensagens natalinas e de fim de ano, fica no ar uma dúvida hamletiana para toda a sociedade brasileira nos dias que correm: como desejar a alguém um feliz natal e um próspero ano novo? Ser ou não ser?

Claro: aviso que estou me dirigindo a seres humanos de verdade. Porque como diz o grande poeta Fernando Pessoa: “Arre! Estou farto de semideuses…”. E de gente desprovida de humanidade, acrescento, sobretudo de mentecaptos a dirigir o estado.

Como pode um país prosperar quando elimina no dia a dia boa parte das suas conquistas sociais dos últimos anos?

Que destrói empresas nacionais através de uma espécie de caça às bruxas medieval alcunhada de Lava Jato?

Quando se propõe a entregar uma das nossas maiores riquezas, senão mesmo a maior delas, o petróleo, para a inesgotável sanha do capitalismo internacional e seu liberalismo econômico de bilhões e bilhões de pobres e miseráveis a trabalhar para aumentar a fortuna de 1% da população mundial?

Como pode um país, até então, com relevante projeção na economia global, maior potência da América do Sul, mais de duzentos milhões de habitantes, maior produtor de nióbio do mundo, solo riquíssimo em minérios, invejável manancial de água doce, ser governado por uma quadrilha de incompetentes administradores, mas competentíssimos larápios, dilapidadores do patrimônio público construído com o trabalho e o suor de sua gente mais humilde?

Um país que aceita um golpe de estado mequetrefe, em que os destituídos do poder político por meia dúzia de imbecis (mesmo com a ajuda dos espertalhões internacionais de sempre) foram e são incapazes de reagir, aceitando o golpe como uma coisa natural na política e até dispostos a perdoar os golpistas?

Ou, até com alguns deles, voltar a fazer alianças políticas para as eleições de 2018?

Como pode um país laico se submeter a um parlamento dominado por corruptos, ignorantes e fundamentalistas religiosos que, entre outras barbaridades, quer votar uma lei também medieval sobre o aborto?

Como posso desejar feliz ano novo a um conterrâneo meu sabendo que ele poderá incorporar e aumentar a lista de desempregados de hoje para amanhã?

Que os seus direitos trabalhistas estão sendo rasgados e jogados na lata de lixo?

Como posso desejar feliz ano novo a professores e candidatos a cursos universitários, com a ignorância e o preconceito tomando conta dos ministérios da Educação e da Cultura?

Onde a ação deletéria de seus ocupantes não apresenta nenhuma sintonia com o órgão a que comandam?

Com analfabetos culturais censurando o nu em museus e aberrações parlamentares que confundem Bertolt Brecht, o dramaturgo e pensador alemão, com Bertoldo Brecha, personagem de Chico Anísio?

Há um lugar comum criado pela comunidade jurídica há muitos e muitos anos e que diz que “a justiça é cega”.

No Brasil, desde o início da colonização portuguesa, ela é cega de um olho só, pois do outro ela enxerga muito bem e sabe a quem defender e a quem condenar. Um olho para a Casa Grande e outro para a senzala.

Como desejar feliz ano novo a cidadãs e cidadãos governados por Dória, Alckmin e Michel Temer?

A um país que tem o seu Superior Tribunal Federal a serviço da cleptocracia e que permite quase que diariamente o achincalhe e o deboche à Constituição, escondendo-se covardemente sob o manto protetor de uma imprensa que faz corar homens como Carlo Gambino, Lucke Luciano e Al Capone?

Constituição, aliás, que prevê a defesa da soberania do país pelas FFAA… Como, caro leitor, por que elas não estão agindo?

Talvez não considerem que a soberania do país esta ameaçada… Não tem problema: desejaremos feliz ano novo às multinacionais do petróleo, então, e aos seus lobistas infiltrados em órgãos do governo brasileiro. Afinal, para sermos “bons cristãos” temos que desejar feliz natal e ano novo a alguém, não?

Idiotizados, caminhamos como carneiros para o matadouro de 2018, na suposição de que respiramos ainda alguma democracia, de que estamos de fato combatendo a corrupção, iludidos em nossa convicção de que nossas instituições republicanas não estão todas elas encharcadas de corrupção. Santa ignorância!

Pior: o Brasil, bem ou mal, deposita suas esperanças nas costas de um único homem.

E se ele não chegar lá?

E se os nossos democratas de fancaria já estiverem de olho em Honduras? Onde, aliás, os golpes “suaves” começaram…

Vamos esperar sentados diante dos telejornais manipuladores da opinião pública? Procurando alguma esperança no noticiário dos blogues progressistas? Conectados às redes sociais cobertas de vaidade e atitudes fascistas?

A cada dia que avançamos para o ano novo, avançamos para uma incógnita, incógnita essa que poderia ser desfeita se não tivéssemos, até agora pelo menos, nos tornado num país acovardado.

E um país acovardado não tem como desejar a si mesmo um feliz ano novo. E muito menos um feliz natal.

Contudo, em nível individual e mais comezinho cada um de nós pode expressar seus votos de feliz ano novo. Escolher alguém ou um grupo, uma instituição para isso.


Eu acabo de escolher a quem desejar um feliz ano novo. Ao povo de Honduras e aos seus bravos policiais que entenderam “o nome do jogo”.

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