sexta-feira, 29 de setembro de 2017

França e Itália se juntam em torno de estaleiro, enquanto no Brasil polo naval vira sucata

Via Viomundo
   


ENQUANTO A PETROBRAS E A JUSTIÇA DESTROEM A INDÚSTRIA NAVAL BRASILEIRA, ITÁLIA E FRANÇA ESTRUTURAM O MAIOR ESTALEIRO ESTATAL ESTRATÉGICO DA EUROPA

Mauro Santayana


 

Contrariando a crença imbecil da coxinhada brasileira de que nos países ocidentais se desvaloriza, despreza e diminui o Estado em benefício de suposta competência e honestidade da iniciativa privada — entre outras coisas para se evitar “prejuízos” e cabides de emprego — em uma decisão de forte cunho estratégico, a França acaba de vender 51 por cento do recém estatizado estaleiro francês STX — retomado após venda para capitais coreanos por governos anteriores — para o maior estaleiro da Itália, o Fincantieri, que pertence ao governo italiano, dando origem ao maior estaleiro público da Europa, capaz de construir tanto porta-aviões como navios transatlânticos de cruzeiro.

O capital restante, 49 por cento, ficará nas mãos do Naval Group, ligado à Marinha Francesa, e o governo italiano não poderá transferir suas ações, no futuro, para mãos privadas ou estrangeiras sem autorização parisiense, mesmo que se trate de empresas 100 por cento européias.

Enquanto isso, no Brasil, a Petrobras do Sr. Pedro Parente acaba de enfiar — com aval do Ministério Público e do governo Temer, que provocaram a quebra da Ecovix-Engevix no âmbito da Operação Lava-Jato, sem estabelecer um plano para a continuidade das obras em andamento — o último prego no caixão do Pólo Naval de Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul, depois de demitir milhares de trabalhadores, no final do ano passado, com a programada venda, como sucata, de 80.000 toneladas de aço da P-71 e da P-72 – duas mega-plataformas de petróleo, uma delas praticamente pronta para montagem — para a Gerdau, para corte e derretimento, praticamente a preço de banana.

As obras poderiam ter continuado com sua transferência a outra empresa ou mesmo a uma cooperativa de trabalhadores, com financiamento de emergência do BNDES, por meio de um percentual mínimo dos 250 bilhões de reais que esse banco está enviando, por ordem do governo Temer, para “pagamento” adiantado ao Tesouro, sem nenhuma necessidade disso.


Como sempre, a culpa vai cair no colo a “incompetência” de governos anteriores, que teriam “quebrado” o Brasil, deixando não apenas centenas de bilhões de reais nos cofres do BNDES, mas também mais de um trilhão de reais em reservas internacionais que poderiam estar sendo usados em benefício da nação, sem aumentar a dívida bruta, que ainda é menor, com relação ao PIB, do que era no final do governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso.

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