sexta-feira, 29 de setembro de 2017

França e Itália se juntam em torno de estaleiro, enquanto no Brasil polo naval vira sucata

Via Viomundo
   


ENQUANTO A PETROBRAS E A JUSTIÇA DESTROEM A INDÚSTRIA NAVAL BRASILEIRA, ITÁLIA E FRANÇA ESTRUTURAM O MAIOR ESTALEIRO ESTATAL ESTRATÉGICO DA EUROPA

Mauro Santayana


 

Contrariando a crença imbecil da coxinhada brasileira de que nos países ocidentais se desvaloriza, despreza e diminui o Estado em benefício de suposta competência e honestidade da iniciativa privada — entre outras coisas para se evitar “prejuízos” e cabides de emprego — em uma decisão de forte cunho estratégico, a França acaba de vender 51 por cento do recém estatizado estaleiro francês STX — retomado após venda para capitais coreanos por governos anteriores — para o maior estaleiro da Itália, o Fincantieri, que pertence ao governo italiano, dando origem ao maior estaleiro público da Europa, capaz de construir tanto porta-aviões como navios transatlânticos de cruzeiro.

O capital restante, 49 por cento, ficará nas mãos do Naval Group, ligado à Marinha Francesa, e o governo italiano não poderá transferir suas ações, no futuro, para mãos privadas ou estrangeiras sem autorização parisiense, mesmo que se trate de empresas 100 por cento européias.

Enquanto isso, no Brasil, a Petrobras do Sr. Pedro Parente acaba de enfiar — com aval do Ministério Público e do governo Temer, que provocaram a quebra da Ecovix-Engevix no âmbito da Operação Lava-Jato, sem estabelecer um plano para a continuidade das obras em andamento — o último prego no caixão do Pólo Naval de Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul, depois de demitir milhares de trabalhadores, no final do ano passado, com a programada venda, como sucata, de 80.000 toneladas de aço da P-71 e da P-72 – duas mega-plataformas de petróleo, uma delas praticamente pronta para montagem — para a Gerdau, para corte e derretimento, praticamente a preço de banana.

As obras poderiam ter continuado com sua transferência a outra empresa ou mesmo a uma cooperativa de trabalhadores, com financiamento de emergência do BNDES, por meio de um percentual mínimo dos 250 bilhões de reais que esse banco está enviando, por ordem do governo Temer, para “pagamento” adiantado ao Tesouro, sem nenhuma necessidade disso.


Como sempre, a culpa vai cair no colo a “incompetência” de governos anteriores, que teriam “quebrado” o Brasil, deixando não apenas centenas de bilhões de reais nos cofres do BNDES, mas também mais de um trilhão de reais em reservas internacionais que poderiam estar sendo usados em benefício da nação, sem aumentar a dívida bruta, que ainda é menor, com relação ao PIB, do que era no final do governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Sentença 2 em 1, a jabuticaba stfeiana

GilsonSampaio


Suplico a algum gênio que ilumine o meu bestunto e me esclareça sobre essa formidável sentença prolatada (by Traulo Cequinel) pelo não menos formidável - atenção revisão: o sentido é de aterrador, inspirador de medo e terror - STF ao produzir uma sentença 2 em 1, ou seja, o denunciado já denunciado por 9 (NOVE) vezes, inclusive por obstrução à justiça, terá 2/3 do dia para conspirar obstrução a justiça e depois será obrigado a se recolher ao seu sacrossanto lar durante a noite. Afinal, ninguém é de ferro, né?

SOCORRO!





O fim do BNDES e o grande golpe do Brasil quebrado - Mauro Santayana

Sanguessugado do Rede Brasil Atual

Brasil tem se transformado no país de pequenos e grandes golpes contra a economia, a soberania e a democracia

Mauro Santayana

Mentira mil vezes repetida torna-se verdade, pregava Joseph Goebbels (centro), ministro da Propaganda de Hitler - Créditos: Wikimedia Commons

Mentira mil vezes repetida torna-se verdade, pregava Joseph Goebbels (centro), ministro da Propaganda de Hitler / Wikimedia Commons


Nos últimos anos, e mais especialmente a partir de 2013, o Brasil tem se transformado, cada vez mais, no país de pequenos e grandes golpes, canalhas, sucessivos e mendazes. Golpes na economia, golpes na soberania e na estratégia nacional, golpes contra a democracia, que culminaram no grande golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016.

Mas, sobretudo, golpes contra verdade, a consciência popular, a própria realidade e a opinião pública. Com a criação e disseminação de mentiras, fakes e falsos paradigmas apoiados mutuamente na fabricação do consentimento para a desconstrução de um sistema político que, com todos os seus defeitos – aliás, como toda democracia – funcionava com um mínimo de governabilidade, de estabilidade institucional e de equilíbrio entre os poderes da República.

Golpes voltados para sabotagem e destruição de um programa nacionalista e desenvolvimentista que levou o Brasil da 14ª para a sexta economia do mundo, em 9 anos, a partir de 2003, apoiado no retorno à construção de plataformas de petróleo, hidrelétricas de grande porte, ferrovias, refinarias, tanques, submarinos, navios, rifles de assalto, caças, cargueiros aéreos militares, multiplicando o crédito, dobrando a produção agrícola, triplicando a produção de automóveis.

Da imensa usina de contrainformação fascista montada, principalmente, a partir de 2013, saíram – e continuam a sair – milhares de calúnias, seguindo uma estratégia não escrita que usa pequenas “notícias” cotidianas. A maior parte delas surreal, disseminada pela má fé, o ódio e a hipocrisia, realimenta permanentemente, principalmente nas redes sociais, grandes correntes e paradigmas midiáticos que adquiriram o ar de certeza para a parcela mais ideologicamente imbecil, quanto mais apaixonadamente ignorante, da população brasileira.

Uma das principais pós-verdades vendidas para esse público, hoje já transformada em discurso e adotado como bandeira e muleta pelo atual governo e boa parte da mídia, é de que o Brasil estaria totalmente inviabilizado economicamente e, logo, necessitado de passar por um urgente programa de “reformas” – com venda de ativos públicos e privados para “sair do buraco”.

Ora, quebrados, ou quase isso, estávamos no último ano de governo do senhor Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, depois de um nefasto e maior programa de “reformas” e de “privatizações” (na verdade, de desnacionalização) da economia brasileira em 500 anos, encerramos o ano com um PIB nominal e uma renda per capita em dólares, segundo o Banco Mundial, menor do que de oito anos antes, no final do governo Itamar Franco. E uma dívida com o FMI de US$ 40 bilhões.

Hoje o Brasil tem R$ 380 bilhões de dólares – mais de R$ 1 trilhão – em reservas internacionais e é ainda, com toda a crise, a nona economia do mundo. Entre as 10 principais economias do planeta, grupo em que nos incluímos depois de 2002, pelos menos sete países – Estados Unidos, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá – têm dívida pública maior do que a nossa.

O salário mínimo e a renda per capita são maiores, em dólares, agora, do que no final de 2002, e as dívidas bruta, externa e líquida são menores do que eram quando Fernando Henrique deixou o poder.

208 milhões de idiotas
Mas a mídia, os ministros, os “especialistas” e “analistas” do “mercado” insistem em afirmar a todo o momento exatamente o contrário. Que estamos redondamente quebrados e que a dívida nacional explodiu por terem, talvez, na verdade, a mais descarada certeza de que conseguiram realmente nos transformar impunemente, nos últimos quatro anos, a todos os brasileiros em uma populosa nação de 208 milhões de idiotas.

Afinal, há muita diferença entre dificuldades fiscais momentâneas, causadas entre outras coisas, por um programa de desonerações fiscais equivocado, mas que deixou um déficit muito menor do que o de hoje – agravado por volumosos aumentos de salários para o Judiciário e o Ministério Público aprovados depois que Temer chegou ao poder – e os dados macroeconômicos de um Brasil que já emprestou dinheiro ao FMI e ocupa o posto de quarto maior credor individual dos Estados Unidos. (Basta pesquisar na página oficial do Tesouro norte-americano procurando a expressão mayor treasuries holders no Google.)

A razão pela qual o governo e o sistema de contrainformação fascista, na internet principalmente, não alardeiam para a maioria da população o excelente nível de reservas internacionais é óbvia. Essa informação contradiz frontalmente o mito de que Lula, Dilma e os governos do PT quebraram o Brasil, a ponto de deixar o país de chapéu na mão.

E anula, praticamente, a justificativa que está por trás de um programa apressado, antidemocrático – porque a sociedade não está sendo ouvida – e antipatriótico de privatizações que está entregando o Brasil a toque de caixa e preço de banana podre aos estrangeiros. Como ocorreu, por exemplo, com a venda da maior refinaria de resina PET da América Latina, recém-inaugurada pela Petrobras (na qual foram investidos R$ 9 bilhões) por apenas R$ 1,3 bilhão para capitais mexicanos, no final do ano passado, provocando um prejuízo, apenas nesse caso, três vezes superior àquele que teoricamente teria sido gerado por Dilma no caso Pasadena, se ela já não tivesse, a bem da verdade, sido isentada pelo TCU dessas acusações.

Ou da entrega – por meio de um discurso entreguista tão hipócrita quanto calhorda – de reservas de petróleo do pré-sal para empresas 100% estatais de outros países como Noruega e China, enquanto, para consumo interno, defende-se a “desestatização” da Eletrobras e a própria Petrobras, com a alegação de que o capital privado seria mais honesto e competente.

Tudo isso em um país em que, paradoxalmente, com base em uma campanha jurídica eivada de primeiras, segundas e terceiras intenções políticas, se acaba de destruir cinicamente – e em alguns casos, desnacionalizar – a base do capital privado nacional e da megaengenharia brasileiras, justamente por serem consideradas, as duas, fontes de corrupção e de serem excessivamente dependentes do governo.

BNDES poderoso e eficiente
São essas mesmas razões – a mentira e a manipulação e a necessidade de sustentar o mito de que o PT quebrou o país – que fazem com que o governo e a mídia deixem de mencionar, ou tentem esconder da maior parte da população, que Temer e Meirelles herdaram dos governos Dilma e Lula, quando assumiram o poder depois do golpe de 2016, um BNDES extremamente poderoso e eficiente, com centenas de bilhões de reais em caixa.

Recursos que eles estão raspando dos cofres do nosso maior banco de fomento, enviando-os “antecipadamente” para o Tesouro, com a desculpa de estar diminuindo a dívida pública, quando ela é menor hoje do que em 2002 e esse dinheiro fará quase ou nenhuma diferença em percentual de dívida com relação ao PIB, ao fim desse estúpido e gigantesco austericídio.

Não é preciso lembrar ao ministro da Fazenda – que recebeu mais de R$ 200 milhões em “consultoria” no exterior nos últimos três anos – que o BNDES foi criado, em 1952, no segundo governo Vargas, para promover o desenvolvimento econômico e social do país, e não para gerar recursos para o pagamento de uma dívida pública que ainda se encontra em uma classificação mediana do ponto de vista internacional.

Como não é preciso recordar que bancos precisam de dinheiro para funcionar, retirar deles recursos, nesse caso, capitais públicos, equivale a fechar as suas portas. Tampouco é preciso lembrar que, assim como no caso da justificativa imbecil da queda de Dilma por “pedaladas” fiscais, o dinheiro que está no BNDES, ou no Tesouro, pertencem ao mesmo dono – o povo brasileiro –, que o que importa não é ficar fingindo que se tratam de coisas diferentes, mas, no frigir dos ovos, gerir esses recursos, economizados nos últimos anos, em benefício de todos os cidadãos e não de firulas contábeis para se posar de bons moços para o “mercado”.

Isso tudo em um momento em que o país, com mais de 14 milhões de desempregados, padece com centenas de bilhões de dólares em projetos importantíssimos – muitos deles estratégicos – paralisados irresponsavelmente por decisão da Justiça nos últimos três anos. E precisa desesperadamente recuperar suas maiores empresas, e de mais infraestrutura e vagas de trabalho.

A intenção de acabar, na prática, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, estrangulando-o enquanto principal instrumento estratégico para a competitividade brasileira, não atende apenas aos interesses de nossos concorrentes externos.

Faz parte da mesma estratégia de enfraquecer também o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para justificar privatizações, ou, no mínimo, “equilibrar” o “mercado”, favorecendo bancos privados nacionais e estrangeiros no sistema financeiro nacional.

Não por acaso, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco acaba de declarar, em seminário em Belo Horizonte, que o BB está pronto para privatização. Franco presidiu o Banco Central no primeiro mandato de FCH, entre 1997 e 1999, era das grandes privatizações. Não é também por coincidência que contratos do Minha Casa Minha Vida têm sido sistematicamente atrasados pela Caixa. Anunciou-se nesta semana que o financiamento de imóveis usados na Caixa agora só chegará, no máximo, a 50% do valor do bem a ser adquirido.


A classe “média”, principalmente, aquela parcela que se assume como vanguarda do fascismo nas redes sociais, ou está engolindo a seco, ou deve mesmo estar satisfeita com essas notícias, e também com outras novidades desse “novo” Brasil, ordeiro e progressista, como a volta dos frequentes, quase semanais, aumentos do preço dos combustíveis da Petrobras para as distribuidoras, rapidamente repassados pelos postos, tão comuns na última década do século passado.

domingo, 24 de setembro de 2017

Tucanos paulistas são todos VIP: Serra é investigado na Espanha, Aqui, negam colaboração com a Espanha.

GilsonSampaio


Minha ameba lobotomizada sussurrou com um ar blasé:

- "Tucanos paulistas são VIP e a justiça do país não está à altura deles. Suiça, França e agora a Espanha pediram cooperação da justiça brasileira e... nada. Esqueçam Serra, Alckimin, Alstom,. Siemens, Rouboanel, Cratera do Metrô, CPTM, Merenda Escolar, Máfia das Ambulâncias etc Parem de espernear inutilmente. Não vai rolar."



Gravação secreta leva ética de Janot ao nível da de Joesley

Fernando Brito



A gravação da conversa entre o então Procurador Geral da República e seus colegas procuradores-gerais de países sul-americanos em Brasília tem algo de mais grave que a já grave informação de que Janot foi pedir a cooperação de Michel Temer para investigar suspeitas de corrupção do então chanceler José Serra na Espanha.


Há pelo menos um indício concreto de que isso pode ter sido a razão do afastamento de Serra do Itamarati, como explica o G1 ao informar que  ” a agenda oficial da Presidência registra uma reunião entre Janot e Temer no dia 15 de fevereiro, às 17h30″ e que “uma semana depois, em 22 de fevereiro, Serra pediu demissão do cargo de ministro, alegando problemas de saúde”.

Seria o mínimo a esperar-se diante de uma investigação internacional sobre o chefe da diplomacia brasileira.

Mas há algo que o site da Globo não questiona e que é um escândalo que também terá repercussão sobre a imagem do Brasil. É o fato de haver uma gravação clandestina de uma reunião internacional de procuradores gerais, todos eles, em tese, detentores de informações sigilosas, juntamente durante as conversas reservadas entre eles.

Gravar uma reunião sem o conhecimento de seus participantes e nestas circunstâncias – quando eram convidados de Janot, já em seu período de saída, em agosto passado – é algo que coloca o Procurador Geral da República no mesmo patamar do seu ex-colaborador e agora inimigo Joesley Batista e suas gravações coletivas.

É absolutamente necessário que a Procurador Raquel Dodge abra uma investigação sobre as circunstâncias desta gravação, extra-oficial e totalmente aética e ofensiva a autoridades estrangeiras recebidas pela chefia do MP.

Tudo, no Ministério Público, parece ter adotado os métodos “abandidados” dos personagens que ele investiga por crimes. Hoje, Eduardo Cunha acusa a Procuradoria de ter usado parte dos “anexos” que ofereceu em sua proposta de delação premiada na delação firmada com o doleiro Lúcio Funaro.


O MP não pode entrar na linha do “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”. É um órgão público, o fiscal da lei, e se vê metido, agora, neste submundo de propinas, vantagens, espionagem e fraude.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Povo, Pátria e Soberania

Sanguessugado do Senhor X


Fernando Rosa – O governo golpista assina um protocolo internacional para submeter o Brasil a bisbilhotice externa em suas instalações nucleares, após investir no desmonte do projeto do submarino nuclear (Pro-Sub) e condenar o Almirante Othon a 43 anos de prisão.


Os golpistas também cortam em 30% o orçamento anual das Forças Armadas, reduzem seu efetivo pela metade nas fronteiras, ao mesmo tempo que buscam transformar as forças de defesa nacional em mera “polícia” do caos urbano, que eles mesmos criaram com sua política econômica.

Em parceria com Trump, Temer também ameaça meter o Brasil e as Forças Armadas na aventura de uma “guerra amazônica”, um novo Vietnam, para atender aos interesses geopolíticos norte-americanos e sua necessidade de manter-se no poder a qualquer custo.

Enquanto isso, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sergio Etchegoyen, diz que “privatizações não ameaçam a soberania”, ao mesmo tempo em que os jornais anunciam que se encontrará com dirigentes da CIA, do FBI e outras agências de inteligência americanas.

As situações descritas deixam claro a tentativa dos interesses que patrocinam o golpe de Estado de afastar as Forças Armadas de seu compromisso histórico de garantir a integridade territorial, a soberania sobre nossas riquezas e a identidade do país, enfim, o Estado Nacional.

Diante disso, não é de estranhar a reação de descontentamento de setores das Forças Armadas com a situação do país, que vive entre a desfaçatez entreguista dos golpistas e a quase total ausência de preocupação da oposição com os temas que envolvem a soberania nacional.

Em entrevista ao jornal Valor, no início do ano, o Comandante do Exército, general Villas Bôas, já havia feito um diagnóstico contundente da realidade brasileira, dizendo que “somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser”.

Pois, neste momento, é disso que se trata, é isso que se impõe, a construção de um projeto para o país e da unidade entre suas forças políticas civis e militares, com poder de enfrentar a guerra de destruição imposta ao país pelos interesses do sistema financeiro internacional.

Em artigo publicado em fevereiro deste ano, afirmamos que “nenhum país do mundo, e menos ainda um país com a dimensão e a história do Brasil, consegue sobreviver sem um Projeto Nacional, e subordinado a interesses externos e internos menores”.

E dissemos mais, que diante das disputas geopolíticas atuais nenhum país se afirmaria no contexto mundial “sem contar com Forças Armadas fortes, robustas, instrumentalizadas tecnologicamente, capazes de impor respeito e afirmar os interesses nacionais”.

Assim é na Venezuela onde as Forças Armadas defendem a soberania do país, na Síria em que as Forças Armadas enfrentaram a aliança dos EUA com o Daesh, na Turquia ou em qualquer lugar do mundo que resiste seriamente a ataques externos contra sua soberania.

A ilusão de subordinar os interesses econômicos e geopolíticos do Brasil aos Estados Unidos, por um lado, abdica da ideia de Nação independente e mergulhará o país em um conflito futuro sem precedentes na história do país, a exemplo dos tempos da primeira Guerra Brasílica.

De outro lado, no estágio atual do mundo, ainda mais na América do Sul, é também ilusão achar que o imperialismo financeiro global recua de sua voracidade destrutiva apenas diante de protestos de rua e/ou eleições, sem a presença de uma força de dissuasão, ou seja, militar.

Portanto, o que o Brasil precisa é de unidade em torno de três “palavras mágicas” – POVO, PÁTRIA e SOBERANIA, valores que podem unificar os interesses nacionais, populares, democráticos, patrióticos – civis e militares, comprometidos com a defesa da Nação e o futuro dos brasileiros.


Do contrário, abandonaremos a vocação de “grande potência”, como definiu o general Villas Bôas, para nos transformar em uma colônia norte-americana, como já rechaçou o general Ernesto Geisel, com uma terra sem dono, um povo escravo e uma FFAA rebaixada à capitães do mato.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Subprocuradora da República pede suspeição de Moro para julgar Lula (por que só agora?)


Sanguessugado do Forum

Redação


A subprocuradora-geral da República, Aurea Lustosa Pierre, emitiu parecer favorável à defesa de Lula para que o STJ analise a suspeição do juiz de Curitiba para julgar o ex-presidente. Em seu parecer, subprocuradora cita fotos de Moro aos sorrisos com adversários do petista e questiona sua isenção. Confira a íntegra


A subprocuradora-geral da República, Aurea Lustosa Pierre, emitiu, no início da noite desta quarta-feira (20), parecer favorável para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analise a suspeição do juiz Sérgio Moro para julgar Lula. A subprocuradora acatou um pedido da defesa do ex-presidente, já que o TRF-4 havia negado que Moro tinha perdido sua isenção.


Em seu parecer, Aurea questiona a imparcialidade de Moro ao julgar Lula por conta de diversas declarações do magistrado que denotariam que ele tem o ex-presidente como seu adversário. Outro ponto de destaque do parecer é o que ela inclui a participação de Moro em um evento da ‘Istoé’, revista que ela classifica como “tendenciosa” e “desrespeitosa” com relação à Lula e cita fotos, no mesmo evento, em que Moro posa ao lado de adversários declarados do petista, aos sorrisos.


A subprocuradora cita ainda diversos outros exemplos pelos quais Moro não poderia julgar Lula. Entre eles, permitir que uma testemunha chamasse o petista de “lixo” durante uma audiência e ainda liberar o vídeo para a imprensa para “ampla divulgação”. Aurea resgata também o fato de o juiz de Curitiba agradecer à população pelas manifestações em seu apoio relacionadas à processos contra Lula que estão sob sua jurisdição e ainda em trâmite e, mais do que isso, o fato de ter pedido apoio da opinião pública.

Em outro trecho, a subprocuradora ainda destaca: “É suspeito o juiz que faz palestras no Brasil e no exterior — eventualmente remuneradas — para tratar de assunto que está sob sua jurisdição e é objeto de ações pendentes de julgamento”.



Caso o STJ considere Moro suspeito para julgar Lula, seus processos devem ser repassados a outro juiz.

Xadrez sobre a falsificação de documentos na Lava Jato

 Sanguessugado do GGN 

Luis Nassif


O livro-bomba sobre a Lava Jato, prometido pelo doleiro espanhol Tacla Duran, começa a dar frutos.

Tacla é o doleiro cuja declaração de renda comprovou pagamentos a Rosângela Moro, ao primeiro amigo Carlos Zucolotto e a Leonardo Santos Lima.

Alguns capítulos do livro ficaram por alguns dias no site de Tacla. No livro, ele diz que a delação da Odebrecht teve vários pontos de manipulação, com a montagem de documentos, provavelmente por pressão dos procuradores, atrás de qualquer tipo de prova contra Lula.

O juiz Sérgio Moro facultou apenas aos procuradores da Lava Jato o acesso ao banco de dados especial da Odebrecht. Aparentemente, os procuradores entram lá e pinçam apenas o que interessam.

Analistas foram atrás das dicas levantadas por Tacla e quase todas se confirmaram.

Mais que isso: há indícios de que alguns dos documentos foram montados.

Evidência 1 – extrato da Innovation tem somas erradas.

 

Evidência 2 – os extratos com erros são diferentes de outros extratos do mesmo banco apresentados em outras delações.




Evidência 3 – os extratos originais do banco apresentam números negativos com sinal -, ao contrário do extrato montado, em que eles aparecem em vermelho.

Evidência 4 – a formatação das datas de lançamento é totalmente diferente de outros documentos do banco, que seguem o padrão americano: Mês/Dia/Ano.

Evidência 5 – a formatação nas datas de lançamento é idêntica ao da planilha PAULISTINHA, preparada por Maria Lúcia Tavares, a responsável pelos lançamentos no Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Evidência 6 – nos anexos da delação de Leandra A. Azevedo consta ordem de pagamento, com data de 28 de setembro de 2012, de US$ 1.000.000,00 da conta da Innovation para a Waterford Management Gourp Inc. Mas no extrato bancário supostamente montado, a transferência consta como saída de 27 de setembro de 2012, ou seja, antes da ordem de pagamento.

Agora, se coloca o juiz Sérgio Moro em situação complicada. Como pretende julgar o processo sem facultar o banco de dados da Odebrecht à defesa, para se identificar os documentos falsificados e os verdadeiros.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Bob Fernandes:Procurador expõe intestinos da Lava Jato. E a Jecaria fascista ataca


Bob Fernandes



O procurador Ângelo Vilela era "amigo íntimo" do procurador-geral, Janot. Por suspeita de vazar informações para a JBS, Vilela ficou 76 dias preso.
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Solto, em entrevista para Camila Mattoso, da Folha, Vilela expôs intestinos. Do procurador Janot e das delações na Lava Jato.
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Vilela conta: Janot armou com a JBS para derrubar Temer. Porque assim evitaria que Raquel Dodge, a quem Janot chamava de "bruxa", se tornasse a nova procuradora-geral.
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O procurador Vilela diz: na Lava Jato se prende para investigar, ao contrário de investigar para,  só com provas, prender.
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Segundo o procurador, não é o Estado que tem provado a culpa, como manda a lei mundo afora...
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... Aos investigados se tem imposto o ônus de provar sua inocência....Certamente, uma contribuição desse "novo direito brasileiro" ao direito universal.
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O procurador Vilela criticou ainda a tática dos "vazamentos seletivos para assassinato de reputações".
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O sistema político-partidário se auto-avacalhou, isso é fato.
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Mas há outro fato: há mais de uma década, desde o chamado "mensalão", vazamento é método e as manchetes são o verdadeiro tribunal.
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Quem é fuzilado nas manchetes está moral e socialmente morto. 
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Também isso, avacalhação e auto-avacalhação da política, deu oxigênio, abriu espaços para ultraconservadores. Quando não, fascistas.
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Como em Porto Alegre. Onde devotos bolsonáricos e bando MBélico fizeram o Santander se acovardar. E fechar a exposição "Queermuseu".
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Em Campo Grande, no Museu Marco, a polícia prendeu... um quadro. E em Jundiaí o ultraconservadorismo levou à censura de uma peça de teatro.
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Hoje, em Brasília, um juiz autorizou tratar homossexuais como se fossem doentes.
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O incomodo, de sempre, é com sexo. Isso se resolve no divã, não com censura.
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Na questão quadros e exposição, um bando de jecas. Sem noção, profundamente ignorantes.
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Por isso, e por saberem disso, a reação fascistóide. As manifestações de recalque com a própria incultura.
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Não buscam aprender, saber. Buscam impor sua ética/ estética: linguagem e pensamento rasteiros, brutalidade, a ameaça constante da força, inclusive física.

A espetacular estréia de Raquel Dodge

GilsonSampaio






Supremas relações


Sanguessugado do APublica

Lucas Ferraz

Processo trabalhista revela acesso à cúpula do Judiciário em troca de patrocínio de eventos de site jurídico. Gilmar Mendes tem conversa exposta em que trata sobre projetos de seu IDP

Acesso a ministros dos tribunais superiores de Brasília em troca de patrocínios para eventos jurídicos realizados dentro dos tribunais. Assessoria de comunicação a empresas e escritórios de advocacia de forma que a atividade seja utilizada em favor do cliente em “julgamentos” e para “formar o convencimento de juízes”. Alguns dos bastidores pouco conhecidos do Poder Judiciário, um dos mais fechados do país, são descritos em uma ação em trâmite na Justiça do Trabalho.

Até o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tem nos autos um e-mail reproduzido em que ele trata com o empresário e jornalista dono das empresas alvo do processo, Márcio Chaer, de projetos da instituição de ensino na qual é um dos sócios, o Instituto de Direito Público (IDP).

A ação trabalhista, iniciada em 2014 e perto de ser concluída, foi proposta por Ana Cláudia Pessoa, que trabalhou por 16 anos com Chaer na empresa Dublê Editorial, responsável pelo site especializado Consultor Jurídico, e na Original 123, que também pertence a Chaer e oferece serviços de assessoria para empresas e escritórios de advocacia. As duas funcionam no mesmo prédio, em São Paulo.

Ana Cláudia começou a trabalhar na empresa como secretária, sendo depois transferida para o cargo de gerente administrativa, quando passou a fazer parte do quadro societário da Dublê Editorial. A prática, comum nos escritórios de advocacia, foi denunciada pelos advogados ao Ministério Público do Trabalho.

Ela alega que seu vínculo com as empresas sempre foi de empregada e que ao deixar o trabalho, em 2012, não recebeu a indenização conforme lhe era de direito. Os e-mails e demais documentos anexados na petição, segundo os advogados, foram reproduzidos para comprovar a condição da cliente como subordinada, e não como uma das sócias-proprietárias.

Os e-mails revelam temas que vão além da questão trabalhista. Eles mostram, por exemplo, como são organizados eventos da empresa na cúpula do Judiciário. É o caso do lançamento do Anuário da Justiça, publicação produzida pelo Consultor Jurídico e que faz uma espécie de raio-x do Judiciário (tanto dos tribunais superiores quanto dos federais e regionais), realizado em órgãos como o STF e o TSE. Um deles também expõe a relação entre Márcio Chaer e o ministro Gilmar Mendes, que são amigos íntimos.


O empresário, um dos responsáveis pelo início do namoro de Gilmar com a atual mulher, Guiomar Feitosa, recorre ao seu site em várias ocasiões para atacar reportagens ou jornalistas que expõem fatos negativos ao ministro.

A mensagem reproduzida na ação trabalhista é de abril de 2010: Gilmar utiliza seu e-mail oficial do STF para solicitar que o amigo promova novos produtos do IDP que estavam para ser lançados.

“Márcio, precisamos pensar em organizar as ofertas do curso e das demais publicações da série IDP. O livro agora veio com um CD, com jurisprudência e problemas para serem resolvidos”, escreve o ministro.

Chaer responde minutos depois, com cópia para Ana Cláudia, Dalide Corrêa, funcionária do IDP, e uma terceira pessoa: “Essa semana damos jeito nisso. Estou respondendo com cópia para Ana e Alessandra para resolver isso”.

Procurado, Gilmar Mendes afirmou via assessoria de imprensa que “não é nem nunca foi administrador do IDP”. “O ministro é autor de livros e a conversa foi no contexto de divulgação de suas obras”, respondeu.

A relação entre eles também é comercial. A assessoria de imprensa do IDP de São Paulo está sob a responsabilidade da Original 123, que também assessora o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, um dos advogados dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, que serão julgados no STF. À época do e-mail, contudo, o IDP de São Paulo ainda não havia sido criado.

A atual crise em torno da delação da JBS evidenciou uma das destinatárias do e-mail entre Chaer e o ministro: Dalide Corrêa, braço-direito de Gilmar no IDP e diretora-geral da escola de 2000 até o mês passado, quando se desligou da empresa. Ela foi citada em reportagem da Veja como uma das interlocutoras da escola com a JBS e responsável por tratar dos patrocínios da gigante da carne à instituição.

Segundo a Veja, Dalide procurou advogados ligados à JBS preocupada com a possibilidade de a delação dos executivos da empresa comprometer Gilmar e ela própria. Dalide, segundo o próprio ministro do STF, intermediou um encontro entre ele e Joesley Batista, no início do ano, ocasião na qual Gilmar diz ter certeza que foi gravado pelo executivo da JBS. O ministro pediu à Polícia Federal para investigar as citações feitas a ele na reportagem da revista.

A atuação de Gilmar Mendes como sócio do IDP tem gerado muitas críticas — a Constituição, no seu artigo 95, diz que aos juízes é vedado exercer outro cargo ou função, exceto a de magistério; a Lei Orgânica da Magistratura, por sua vez, dispõe que o juiz não pode “exercer o comércio, exceto como acionista ou quotista”.

“Na prática, Gilmar Mendes está a frente das principais atividades do IDP: dos eventos, dos congressos, dos cursos vendidos ao poder público, das publicações”, afirma Conrado Hübner Mendes, professor de direito constitucional da Faculdade de Direito da USP e, na academia, um dos principais críticos da atuação do ministro.

“Um bom exemplo: quando Joesley teve um encontro com Gilmar Mendes, meses atrás, foi para tratar de patrocínio a eventos do IDP. Sabe-se que a J&F [controladora da JBS] já gastou mais de R$ 2 milhões com patrocínio ao IDP. Se Gilmar Mendes fosse mero acionista do IDP, afastado de sua gerência, não estaria negociando patrocínio. Portanto, não é só ilegítimo, é também ilegal que ele tenha essas relações”, completou.

Márcio Chaer não quis se manifestar sobre o assunto. “Se vocês acham que vingança por conta de relação fracassada é pauta, realmente, a visão de vocês sobre o que é jornalismo tem algo de errado”, disse, afirmando que a ex-funcionária é sua “ex-mulher”. “A ação trabalhista é por vingança. A venda de livros é uma fonte de renda do site. Os livros do ministro estão entre as 5.800 obras que divulgamos para poder custear o jornalismo”, afirmou sem comentar a relação com o ministro. Em vez disso, preferiu questionar “de onde vem o dinheiro que os financiadores repassam à agência Pública“. (Veja aqui informações sobre os financiadores da Pública.)

A petição da defesa de Ana Cláudia Pessoa é assinada pelos advogados Cláudio Batista dos Santos e Felix Soibelman (este o atual marido dela). “Não sou ex-mulher de Márcio Chaer. A ação que movo contra ele tem como objetivo obrigá-lo a pagar o que me deve depois de ter trabalhado por 16 anos para as empresas dele”, respondeu ela.


Gilmar Mendes participa do lançamento do Anuário da Justiça Brasil (Foto: Rosinei Coutinho/ASCOM/TSE)

Público x privado

A antiga relação entre o ministro do STF e o jornalista já rendeu polêmicas, inclusive dentro do STF. O lançamento do Anuário, que costuma acontecer nas dependências dos tribunais superiores de Brasília, já levou o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa a considerar a prática um “escândalo”. A crítica diz respeito à confusão entre o público e o privado: uma empresa tem o privilégio de promover seu produto dentro dos tribunais.

Neste ano, a edição do Anuário da Justiça do Brasil foi lançada num coquetel que reuniu mais de 300 pessoas na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Gilmar Mendes. Além dele, prestigiaram o evento outros sete ministros do STF, além de integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ministério Público, muitos advogados e empresários.

Além de empresas, a publicação é custeada também por escritórios de advocacia, quase todos com atuação em cortes como o Supremo. Em 2010, ao ser indagado sobre esse aspecto em reportagem da revista Piauí, Chaer respondeu que “isso não quer dizer absolutamente nada”.

Os advogados afirmam na ação que é “no mínimo constrangedor” que o empresário “comercialize” sua proximidade com magistrados dos tribunais superiores. Em sua atuação, mistura-se uma empresa de assessoria e um site jornalístico, ambos especializados no mundo jurídico. Não é raro que o segundo divulgue informações do interesse dos clientes da primeira, como já aconteceu e foi registrado na petição pelos advogados. O empresário se refere ao serviço prestado pelo Consultor Jurídico como de “utilidade pública”.

Um dos exemplos citados no documento é um pedido de patrocínio, no valor de R$ 50 mil, enviado por e-mail pelo empresário à empreiteira Camargo Corrêa para o lançamento do Anuário da Justiça do Trabalho no ano de 2012. Ele escreve a Marcelo D’Angello, diretor de comunicação da empresa, argumentando que a média de recursos trabalhistas da construtora é inferior à média nacional. “Confessa: o argumento é bom, não é?”, diz Chaer. “Estou em busca de patrocínio para o coquetel e oferecendo como contrapartida, logo no convite, direito de enviar anuários com carta própria para quatro TRTs e ministros do TST, mais lugar na sala VIP com os ministros enquanto o evento não começa”, finaliza.

A Camargo Corrêa não patrocinou aquele evento, mas fez parte do grupo de escritórios de advocacia e empresas que contribuiu financeiramente para a edição do Anuário da Justiça do Brasil daquele ano.
No processo, há ainda a transcrição de propostas enviadas nos últimos anos para empresas como Brasil Telecom, Bradesco e Souza Cruz. O empresário promete “oferecer subsídios e argumentos técnicos que possam ser usados em favor” dos clientes no “meio judicial, seja em julgamentos, seja para formar o convencimento dos juízes”.

Presidente do TSE na cerimônia de lançamento do Anuário da Justiça Brasil ao lado de Márcio Chaer (à direita) (Foto: Rosinei Coutinho/ASCOM/TSE)

Defesa do amianto

A petição descreve também a atuação das empresas na defesa da indústria do amianto, componente usado para a produção de telhas e caixa-d’água que organizações de saúde apontam como cancerígeno — o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda permitem o seu uso. Em julgamento recente, o STF praticamente derrubou a regulamentação do amianto no país, mas o caso ainda não terminou: outras ações em curso no tribunal ainda serão analisadas.

E-mails de 2009 reunidos por Ana Paula Pessoa mostram que a empresa de Márcio Chaer intermediou a publicação de anúncios em jornais de circulação nacional defendendo o uso do amianto. A propaganda foi bancada por instituições como Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e Instituto Nacional da Crisotila (IBC).

Para os advogados, a atuação pró-amianto fica evidente também no site Consultor Jurídico, que costuma tratar do tema como “questão puramente econômica, em detrimento da questão da saúde”.

“Espera-se que um jornalismo especializado no meio forense espelhe a imparcialidade dos Tribunais, ou, ao menos, não maneje esta proximidade para veicular teses que sejam de interesse próprio ou de seus clientes de assessoria de imprensa (Original 123)”, escrevem Cláudio Batista dos Santos e Felix Soibelman.

Questionado sobre esses pontos por telefone e por e-mail, o empresário Márcio Chaer não respondeu.

Atualização às 14h10 de 18/09: para fins de precisão, a frase “O empresário, um dos responsáveis pela aproximação de Gilmar e a atual mulher, Guiomar Feitosa” foi alterada para “O empresário, um dos responsáveis pelo início do namoro de Gilmar com a atual mulher, Guiomar Feitosa”.

sábado, 16 de setembro de 2017

Pedida a suspeição do justiceiro do Paraná

Sanguessugado do GGN

Defesa de Lula pede afastamento de Moro por suspeição

Luis Nassif


Jornal GGN – A defesa e  Luiz Inácio Lula da Silva impetraram, em regime de urgência, ordem de habeas corpus com pedido de medida liminar em favor do ex-presidente pois que existe constrangimento ilegal por parte do juiz de piso Sergio Moro, da 13a. Vara de Curitiba, que demonstra de forma inquestionável sua parcialidade. A defesa aponta que tal situação prejudica o processo e, principalmente, a defesa do processado. Com isso, o pedido é de que seja declarada a suspeição do juiz e consequente nulidade dos atos praticados pelo suspeito.

A defesa diz que faz seu trabalho e que não poderia “furtar-se a mais  esta dolorosa etapa do trabalho de Sísifo e não esgrimir o sabre da liberdade e da legalidade contra o arbítrio montanha acima, mesmo sabendo que o granítico bloco será lançado morro abaixo, mais uma vez... Não importa: a liberdade, a legalidade e o combate contra o autoritarismo não se renunciam, senão com a própria vida!“.

E ainda aponta que, mesmo regulado pelo Código de Processo Penal, o habeas corpus é mais amplo e visa tutelar os direitos e garantias fundamentais do indivíduo, previsto na Constituição Federal. E é o remédio jurídico adequado quando de qualquer ameaça de violência ou de supressão imediata da liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder.

Segundo a defesa, com a manifesta parcialidade com que o juiz de piso Sergio Moro tem agido com relação a Lula, comprovada ainda por suas manifestações na audiência do dia 13 de setembro, isso vem corroborar e confirmar os fatos impeditivos à sua permanência como apreciador dos fatos visto que causa prejuízo à defesa de Lula. Habeas corpus, então, agindo de forma preventiva, é um “remédio eficaz para o controle da legalidade em todas as fases da persecução criminal“.

Moro demonstrou claramente, ao longo da audiência, comportamento hostil, externando, ao final, de que “está convencido“ de que Lula “é culpado“.



Eis o trecho que comprova a afirmativa da defesa:



Paciente: E vou terminar fazendo uma pergunta pro Senhor, Doutor: Eu vou chegar em casa amanhã, vou almoçar com oito netos e uma bisneta de seis meses, eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba  prestar depoimento a um juiz imparcial?

Juiz Federal: Hum...Bem primeiro não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta pra mim, mas de todo modo, sim.

Paciente: Sei, porque não foi o procedimento na outra ação, Doutor.

Juiz Federal: Eu não vou discutir a outra ação...

Paciente: Não foi.

Juiz Federal: ...com o senhor, senhor Ex-Presidente. Se nós fossemos discutir aqui, a minha convicção foi que o senhor é culpado. Não vou discutir aquele processo aqui, o senhor está discutindo lá no Tribunal e apresente suas razões no Tribunal, certo? Se nós fossemos discutir aqui, não seria bom pro senhor.

Paciente: É, mas é porque nós temos que discutir aqui...

Juiz Federal: eu vou interromper aqui a gravação.

Paciente: ... Eu vou continuar...

Juiz Federal: Certo...

Paciente: ...esperando que a Justiça faça Justiça nesse país.

Juiz Federal: Perfeito. Pode interromper a gravação (destacou-se).

Muito embora a parcialidade da autoridade coatora não seja qualquer novidade para o Paciente e para todo o Planeta, o que o trecho acima transcrito enuncia, às expressas, é que a Autoridade Coatora tem o juízo de culpa sobre o Paciente já previamente formado e consolidado. Isso antes mesmo de se realizarem as diligências de que cuida o artigo 402 do CPP e das derradeiras alegações do MPF e da  Defesa...

Sua assertiva oração não deixa qualquer dúvida: “o senhor é culpado”.


Além disso, trata-se de fato notório que o juiz de piso e Lula são tratados e retratados como dois inimigos. Isso pode ser comprovado pelas capas estampadas por grandes revistas do país, que colocaram os dois em ringue de luta, como rivais em luta. E isso se deu às vésperas do interrogatório anterior, em 10 de maio deste ano.

A imprensa, à época, tratou o tema como “ajuste de contas“ entre os dois e o “primeiro encontro cara a cara“.

A defesa assinala que Lula, no interrogatório, externou esta preocupação, de que tinha receio em não receber um tratamento imparcial.

Mesmo negando sua imparcialidade, Moro demonstrou, por meio de palavras, o contrário. Assim, se o juiz de piso já decidiu a causa, “o resto do processo passa a ser uma mera encenação destinada a reforçar a decisão já tomada previamente“.




quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O torpe Janot: recusa-se a rever impeachment mas diz que ele foi ‘armado’

Sanguessugado do Tijolaço

Fernando Brito


O Procurador Rodrigo Janot apaga as luzes do seu mandato com um espetáculo deprimente de contradição.

Pela manhã, deu parecer contrário á ação que visa anular o impeachment de Dilma Rousseff, afirmando que “o processo de impeachment foi autorizado e conduzido com base em motivação idônea e suficiente, não havendo falar em ausência de justa causa”.

À tarde, ao oferecer a segunda denúncia contra Michel Temer, deixa claro que o impeachment foi urdido, entre outras coisas, pelo desejo do PMDB em travar a Lava jato, para o que não tinha a cumplicidade de Dilma:

“Os caciques do PMDB achavam que o governo não estava agindo para barrar a Operação Lava Jato em relação aos “aliados” por que queriam que as investigações prejudicassem os peemedebistas”.

“os articuladores do PMDB do Senado Federal, em especial o Senador Romero Jucá, iniciaram uma série de tratativas para impedir que a Operação Lava Jato continuasse a avançar. Como não lograram êxito em suas tratativas, em 29.03.2016, o PMDB decidiu deixar formalmente a base do governo e, em 17.04.2016, o pedido de abertura de impeachment da Presidente Dilma Rousseff foi aprovado pela Câmara dos Deputados”.


Como se vê, – não é, Doutor Janot? –  houve ” motivação idônea e suficiente”.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Mata no peito e fatura no holerite

Sanguessugado do Marcelo Auler


Diante do salário da filha, Luiz Fux se calou
 
Marcelo Auler 

Após declarar à Folha de S. Paulo, que “nós, ministros do Supremo ganhamos um salário muito digno, então é bom a gente saber também quem recebe supersalários”, o ministro Luiz Fux, há 42 anos militando no Direito, sendo que três como advogado, outros três como promotor de Justiça e os 36 restantes como magistrado, em cuja função chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) há seis anos, preferiu se calar quando questionado sobre os vencimentos de sua filha, Marianna Fux.

Ela, desde março de 2016 é desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Foi nomeada e empossada na vaga do quinto dos advogados com apenas 35 anos de idade, após um procedimento polêmico de escolha. Segundo se discutiu à época, Marianna não teria comprovado a prática jurídica exigida em lei. Por isso, foi considerada sem experiência suficiente. Nada disso superou a campanha feita pelo pai que lhe garantiu ser a candidata mais votada entre seus hoje colegas de plenário. (A propósito vale a leitura da reportagem de Malu Gaspar na revista piauí – Excelentíssima Fux).

O comentário do ministro publicado na Folha de terça-feira (05/09) – Ministro do STF diz que existe tentativa de enfraquecer o Judiciário – foi feito em função da recente divulgação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do custo médio de um juiz ao erário público – R$ 47,7 mil mensais em 2016. Fux, ao defender a divulgação destes valores, acrescentou: “Às vezes há um esquecimento proposital de que o juiz é um servidor público. Como servidor, o juiz deve receber aquilo que todo servidor recebe. Na hora de analisar um juiz não pode analisar o Judiciário, mas sim, um servidor público”.


Ao que parece, esqueceu o telhado de vidro na família. Ao recorrer à página de transparência do TJ-RJ, este Blog constatou que Marianna, nos primeiros seis meses de 2017 – não há ainda dados sobre os pagamentos feitos a partir de Julho – embora tenha um salário nominal bruto de R$ 30.471,11 – aferiu um total de R$ 219.449,01, o que corresponde a uma média mensal de R$ 36.574,84. Rendimento quase igual ao salário bruto de seu pai – R$ 37.476,93 – e bem acima do que ele recebe líquido, um pouco menos do valor que admitiu ao jornal paulista: R$ 25.347,53.

A Irmã Invejosa

GilsonSampaio



domingo, 10 de setembro de 2017

Furacão Irma - a didática

feicibuqui da Leila Jinkings

Mulher furiosa que com sua arrasador andar nos dá uma lição de política prática.

Anuncia que vai para Cuba e que daí viajará, como qualquer balseiro, rumo a Flórida para buscar o sonho americano.

Oh, surpresa! O sonho americano consiste em um grito que diz "vem Irma, salve-se quem puder". As pessoas correm ao supermercado para acumular comida até desabastecê-lo totalmente. As pessoas, em seus carros, procedem à evacuação gerando o bloqueio das vias. As pessoas pensam se está em dia o pagamento do seguro.

A população de Flórida foge de Irma, em sua fuga a gasolina se esgota e as vias se engarrafam com a quantidade de carros. Em seu fuga movida por combustível fóssil, garantem que virão mais furacões ainda maiores.

Darwinismo social, sobrevive quem tem.

Em Cuba, pequena ilha bloqueada e solidária, de imediato formam-se as brigadas de trabalho, que são a forma organizada de defender o outro, o vizinho, o irmão, o desconhecido. Uns põem a comida e os medicamentos de todos a salvo; outros se ocupam de lhe fazer manutenção do saneamento básico para mitigar as inundações; podam-se as árvores para que os ramos não sejam projéteis assassinos; ocupam-se de levar as pessoas a refúgios e instalações militares seguras. Ante o perigo coletivo, o plural é a resposta. A ira de Irma encontra um povo, por amor e por dever reunido.

Antes de morrer, Irma saberá que sua ira é inútil quando há um muro de corações que se juntam.

(@Cubanamera) Sergio Serrano

Nilson Lage: ou uma "força oculta" se levanta contra o golpe, ou o Brasil vai ser dividido

Sanguessugado do GGN


Nilson Lage

 O Brasil se encaminha para a etapa final de um processo que acompanho e prevejo há anos.

Só a idade provecta, a desimportância pessoal e a mídia restrita que uso permitiram que expusesse minha certeza que, por certa, se confirma – assim mesmo porque me recuso a discutir com os apaixonados, os crentes e os convictos, que fazem dos desejos esperança e contam que alguém os realize.

Só um tarado formalista ou um bacharel brasileiro poderiam aceitar que o que ocorre tem algo remotamente parecido com democracia.

O legal não é legítimo: por meios institucionais, essa gente jamais devolverá o poder.
Ao contrário de 1964, quando o golpe foi dado contra o trabalhismo e no contexto da guerra fria, esse objetiva desmontar o Brasil – e o fará.

Quem se opuser será desacreditado, desmoralizado, combatido como criminoso, condenado por crimes quer os tenha ou não cometido, ou terá morte suspeita – provavelmente em desastre de avião, que é o mais fácil.

Radicalizaram.

O dragão da maldade comanda o Judiciário, o Legislativo, o Executivo, a mídia, as igrejas, armou um exército policial paralelo – uma espécie de SS frente a Wehrmacht. A dissidência será contida em guetos, sob pressão social, e se condenará a validar, pela existência, a iniquidade.

Ou uma improvável força oculta (nem poderia, obviamente expor-se) ergue-se com a força dos terremotos por sobre a desinformação da massa e o engano dos letrados – terá que buscar no povo forças para revolver o lixo o e enfrentar águias, hienas e urubus que cercam a carniça - ou .podemos cogitar do fracionamento do país em estados menores que (dou, como exemplo, guardadas nítidas diferenças, a Iugoslávia) poderiam, talvez, viver sob menor pressão e enfrentar com eficácia os problemas sociais que infernizam – e infernizarão cada vez mais – a nossa vida.


*Nilson Lage é professor titular da UFSC

sábado, 9 de setembro de 2017

'Bombardeamos tudo que se movia': os ataques que ajudam a explicar o rancor histórico da Coreia do Norte com os EUA

Via BBC Mundo

Guillermo D. Olmo

"Tudo que se movia." Com essas palavras, o ex-secretário de Estado americano Dean Rusk definiu os alvos das bombas lançadas sobre a Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953), uma missão batizada pelo Pentágono de Operação Estrangular.

Aviões lançam bombas sobre a Coreia do Norte
Os bombardeios americanos foram um pesadelo para a população civil norte-coreana


Segundo historiadores, foram três anos de ataques aéreos contínuos e indiscriminados, que arrasaram cidades e vilarejos da república comunista e mataram dezenas de milhares de civis.

James Person, especialista em política e história coreanas do centro de estudos Wilson Center, em Washington, diz que essa parte da história dos Estados Unidos não é muito divulgada no país. "Como ocorreu entre a Segunda Guerra Mundial e a tragédia do Vietnã, a maioria do público americano não sabe muito sobre a Guerra da Coreia."

Mas, na Coreia do Norte, nunca se esqueceram dela - e essas lembranças continuam a ser uma das razões do rancor que impera ali contra os Estados Unidos e o mundo capitalista. Desde então, Pyongyang sempre viu os americanos como uma ameaça, uma rivalidade que está na raiz da tensão que existe na região, agora em seu auge.

Mas como foi esse capítulo não resolvido da história da península coreana?

Soldado americano com um prisioneiro coreano
Soldado americano com um prisioneiro coreano

Só a intervenção chinesa foi capaz de frear o avanço das tropas dos Estados Unidos e da ONU
No ano de 1950, tropas americanas, apoiadas por uma coalizão internacional, tentavam rechaçar uma invasão na Coreia do Sul. Kim Il-sung, avô do atual líder da Coreia do Norte, havia lançado seus homens contra o país vizinho após uma forte repressão de simpatizantes do comunismo pelo regime militar comandado por Syngman Rhee em Seul.

Apoiado por Stalin, em Moscou, Il-sung deu início ao primeiro grande conflito da Guerra Fria. Na primeira fase de hostilidades, o enorme poder aéreo americano havia se limitado a atingir alvos estratégicos, como bases militares e centros industriais, mas um fator inesperado mudou tudo.

Pouco depois do início da guerra, a China, temendo o avanço dos Estados Unidos rumo às suas fronteiras, decidiu sair em defesa da Coreia do Norte, sua aliada. Os soldados americanos começaram a sofrer cada vez mais baixas por conta dos ataques das Forças Armadas chinesas, que não eram tão bem equipadas quanto as dos Estados Unidos, mas muito mais numerosas.

"Para o comando americano, era vital interromper os suprimentos enviados por chineses e soviéticos que permitiam a Coreia do Norte manter seus esforços bélicos", explica Person.

Foi então que o general Douglas MacArthur, herói da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, decidiu dar início a sua "tática de terra arrasada".

General Douglas MacArthur com outro militar
General Douglas MacArthur com outro militar

O general MacArthur foi quem impulsinou a 'tática de terra arrasada' aplicada pelos EUA

Ofensiva aérea

Foi o marco do início da guerra total contra a Coreia do Norte. A partir desse momento, todas as cidades e vilarejos passaram a receber a visita diária dos bombardeiros americanos B-29 e B-52 e sua carga mortal de napalm, nome dado a um conjunto de líquidos inflamáveis.

Ainda que MacArthur tenha caído em desgraça pouco depois, sua estratégia continuou a ser aplicada. Segundo Taewoo Kim, professor de Humanidades da Universidade Nacional de Seul, todas as cidades e vilarejos da Coreia do Norte foram reduzidos as escombros.

O general Curtis LeMay, chefe do Comando Aéreo Estratégico durante o conflito, declarou muito anos depois: "Aniquilamos cerca de 20% da população".

Cálculos assim levaram o jornalista e escritor Blaine Harden, autor de várias obras sobre a Coreia do Norte, a qualificar como "crime de guerra" a ação militar americana. Person não enxerga assim: "Aquilo foi uma guerra total em que todas as partes envolvidas cometeram atrocidades".

As estimativas de pesquisadores dão conta que, nos três anos de guerra, foram lançadas 635 mil toneladas de bombas contra a Coreia do Norte. De acordo com Pyongyang, 5 mil escolas, mil hospitais e 600 mil residências foram destruídos. Um documento soviético redigido pouco antes do cessar-fogo de 1953 fala em 282 mil civis mortos pelos bombardeios.

Refugiados na Guerra da Coreia
As bombas fizeram milhares de civis deixarem suas casas para se salvar

É impossível confirmar esses números, mas ninguém nega a magnitude da devastação. Uma comissão internacional que percorreu a capital norte-coreana após a guerra atestou que não havia restado um único edifício que não tenha sido afetado pelo bombardeios.

Como havia ocorrido com os habitantes de cidades alemãs como Dresden na ofensiva final dos Aliados contra o Terceiro Reich, os norte-coreanos viram suas ruas e casas devorados por chamas, ao ponto de a maioria ter de ir para os minúsculos abrigos subterrâneos improvisados para se salvar.

Medo nuclear

Enquanto o mundo inteiro estava atento à península coreana, temendo que os Estados Unidos e a União Soviética acabassem travando uma guerra nuclear, o então ministro de Relações Exteriores norte-coreano, Pak Hen En, denunciava na ONU o "bestial extermínio de civis pacíficos pelos imperialistas americanos".

Seu relato contava que, para garantir que Pyongyang ficasse sempre cercada por incêndios, os "bárbaros transatlânticos" a bombardeavam com artefatos de ação retardada que detonavam de forma alternada, "impossibilitando que as pessoas saíssem de casa".

Infraestruturas essenciais, como barragens, usinas elétricas e ferrovias, foram sistematicamente atacadas. Taewoo Kim destacou que, "em todo o país, ficou impossível levar uma vida normal na superfície".

As autoridades comandaram uma mobilização nacional para que fossem erguidos mercados, acampamentos militares e outras instalações sob a terra para que o país pudesse funcionar. A Coreia do Norte virou uma nação subterrânea e em permanente estado de alerta.


Mulher carrega bebê após explosões em Pyongyang
Bombardeios reduziram cidades inteiras a escombros e deixaram milhares de vítimas

Person diz que "toda a cidade de Pyongyang se mudou para debaixo da terra, e isso teve um tremendo impacto psicológico nos seus habitantes". O especialista explica que o medo persiste até hoje e a isso se deve o fato de que armazéns e instalações críticas continuem sendo mantidos em grandes profundidades.

Durante a noite, os norte-coreanos recrutados pelo Estado trabalhavam freneticamente para reparar as vias de comunicação e as usinas destroçadas pelas explosões durante o dia. O fruto desse trabalho causava surpresa e frustração no comando americano, que viam alvos de ataques sendo restaurados em pouco tempo.

Uma vez que o conflito em terra se estabilizou, diante da incapacidade de ambos os lados de se imporem, a campanha aérea tornou-se uma luta de desgaste em que os norte-coreanos levaram a pior.
Finalmente, em 1953, após longas negociações, veio o cessar-fogo. O então presidente americano Harry S. Truman sempre quis evitar uma escalada do conflito que pudesse levar a um confronto direto com os soviéticos.

Seu sucessor, Dwight D. Eisenhower, também compreendeu de partida que o país não poderia manter indefinidamente seus esforços bélicos na península. A morte do líder soviético Stálin em março daquele ano mudou o clima político em Moscou, o que facilitou o fim das hostilidades.

A historiadora Kathryn Weathersby, da Universidade da Coreia em Seul, explica que "sabemos pelos arquivos soviéticos que Stálin insistia que as duas Coreias e a China continuassem a lutar para que as forças americanas seguissem ali por ao menos dois ou três anos e, assim, os países do bloco comunista na Europa continuassem a atuar sem medo de uma intervenção".

Sem ele, o armistício foi mais fácil. O acordo de paz definitivo e a reunificação das Coreias seguem pendentes, mas tudo isso cimentou o mito que continua alimentando a retórica oficial norte-coreana.

Às vezes, os meios de comunicação do regime recordam os cidadãos da enorme dor infringida pelos aviões estrangeiros. Tanto Kim Il-sung como seus sucessores Kim Jong-il e Kim Jong-un se apresentam como representantes da heróica resistência que livrou a nação de sucumbir à "agressão" estrangeira.

Un retrato de Kim Il-sung durante la guerra
Un retrato de Kim Il-sung durante la guerra

A propaganda oficial apresenta o avô de Kim Jong-un, Kim Il-sung, como o artífice da resistência norte-coreana

Trata-se, nas palavras de Person, "de reforçar essa narrativa em que a Coreia do Norte mantém os americanos longe com sua grande defesa e sua capacidade de dissuasão".

De alguma maneira, o legado da guerra funciona como combustível ideológico para o regime dos Kim. Também é uma das razões que explicam sua insistência em desenvolver um arsenal nuclear, apesar das constantes críticas internacionais. "Eles decidiram usar a história para justificar a opressão do povo e a miséria", diz Person.

De acordo com especialistas, em seu afã propagandístico, as autoridades de Pyongyang não têm dúvidas em deformar o passado já suficientemente brutal.

Cartaz diz que a ONU condena a invasão da Coreia do Sul
Os americanos também recorreram à propaganda para justificar seu papel no conflito

Weathersby diz que "os museus norte-coreanos diminuem a importância dos bombardeios, talvez porque destacar a superioridade tecnológica americana geraria perguntas incômodas". Em vez disso, explica a pesquisadora, "mostram uma narrativa de matanças gratuitas supostamente perpetradas pelas tropas americanas".

Para ela, uma divisão da península nunca resolvida definitivamente e o potente poderio militar que o Pentágono mantém na Coreia do Sul e no Japão explicam por que a Coreia do Norte segue ainda sob uma espécie de estado de exceção permanente.

E explicam também, como destacou recentemente em um artigo da BBC o analista Justin Bronk, o fato de suprimentos e munição do exército serem guardados próximos da fronteira sul, em silos sob a terra, para fazer frente a uma hipotética invasão.


A guerra e o fogo que choviam do céu fizeram da Coreia do Norte um Estado-bunker. Mais de 70 anos depois, isso não mudou.