sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O novo algoritmo da Google limita o acesso a sites esquerdistas e progressistas da Web

Renzo Bassanetti Bassanetti

Tinha certeza que cedo ou tarde fariam isso, tendo em vista o crescente descrédito da população na grande falsimidia. Acho até que estão interferindo de forma mais ampla, pois estou tendo crescentes dificuldades(demora ou não possiblilidade de entrada ) para acessar alguns sites emblemáticos e independentes na área de geopolítica, como o Elespiadigital e Insurgente.

Abraços,



O novo algoritmo da Google limita o acesso a sites esquerdistas e progressistas da Web


Andre Damon y Niles Niemuth
WSWS.org

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Nos  três meses decorridos a partir do momento que a Google, monopolizadora da Internet anunciou planos para impedir que usuários tivessem acesso a “notícias falsas”, caiu significativamente o posicionamento global do tráfego de um amplo leque de organizações esquerdistas e progressistas, contrárias à guerra e favoráveis aos direitos democráticos.

Em 25 de abril de 2017, a Google anunciou  que tinha implementado mudanças em seu serviço de busca para dificultar o acesso dos usuários ao que ela chamou de “informação de baixa qualidade”, tais como teorias da conspiração e notícias falsas.

A companhia disse, através de uma postagem em um blog, que o propósito central das mudanças em seu algoritmo de busca era dar ao gigante das buscas um controle maior para identificar conteúdo  considerado objetável segundo suas pautas. Declarou que “tinha melhorado seus métodos de avaliação e fez atualizações algorítmicas”, com o propósito de “fazer aparecer mais conteúdo confiável”. 

A Google continuou: “No mês passado, atualizamos nossas Pautas para o Posicionador de Qualidade de Buscas para proporcionar exemplos mais detalhados de páginas de baixa qualidade, para que esses posicionadores  os assinalem adequadamente”. Esses moderadores tem instruções  de assinalar experiências incômodas de usuários”, incluindo páginas que apresentam  “teorias da conspiração”, a não ser que a busca indique claramente que o usuário está procurando um ponto de vista alternativo”.

A Google não explica com precisão o que quer dizer com a expressão “teoria da conspiração”. Usando a categoria ampla e amorfa de notícias falsas, o objetivo do sistema de buscas da Google é restringir o acesso a sites web alternativos, cuja cobertura e interpretação dos eventos entra  em conflito  com os meios do stablishment, tais como o New York Times e o Washington Post.

Assinalando o conteúdo de maneira que ele não apareça nas duas primeiras páginas dos resultados de uma busca, a Google é capaz de bloquear de fato o acesso dos usuários a ele. Tendo em vista que enormes quantidades de tráfego na Internet são influenciadas pelo resultados das buscas, a empresa pode de fato esconder ou enterrar conteúdos  que não lhe convenham através da manipulação da posição dos objetos de busca.

Justamente no mês passado, a Comissão Européia multou a companhia em 2,7 bilhões de dólares por manipular os resultados das buscas para direcionar os usuários de maneira imprópria para seu próprio serviço de comparação de compras, Google Shopping. Agora, parece que a Google está utilizando esses métodos criminosos para impedir que os usuários acessem pontos de vista políticos com os quais a companhia não concorda.

O World Socialist Web Site tem sido alvo dos novos “métodos de avaliação” da Google. Enquanto em abril se originaram 422.460 visitas ao WSWS em buscas através da Google, os números baixaram para aproximadamente 120.000 visitas neste mês, uma queda de mais de 70%.
Mesmo utilizando termos de busca como “socialista” e “socialismo”, leitores tem nos informado que está cada vez mais difícil localizar o World Socialist Web Site através de buscas na Google.

 
Buscas na  Google ao WSWS caíram cerca de  70 por cento.
 
Segundo o serviço de ferramentas de administração de sites web do Google, o número de buscas que desembocavam onde o usuário encontrava conteúdo  do World Socialist Web Site (ou seja, onde aparecesse algum artigo do WSWS em uma busca feita no Google), caiu de 467.890 por dia para 138.275 no decorrer da passagem desses três meses. A posição média de artigos em busca, enquanto isso, caiu de 15,9 para 37,2 (sic) no mesmo período. 

David North, diretor da Junta Editorial do WSWS, declarou que a Google está implicada na censura política.

 “O World Socialist Web Site existe  há quase vinte anos”, disse ele, “e conseguiu reunir uma vasta audiência internacional. Durante a primavera passada, o número de visitas individuais   ao WSWS por mês superou os 900.000.

“Enquanto um percentual significativo de nossos leitores acessa o WSWS diretamente, muitos usuários da web chegam ao site através de buscadores, dos quais a Google é o mais amplamente utilizado. Não há nenhuma explicação inocente para a queda extremamente aguda de leitores  através da Google,  quase que da noite para o dia.”

‘A pretensão da Google de que está protegendo os leitores das ‘notícias falsas’ é uma mentira motivada politicamente. A Google é um monopólio massivo, com vínculos muito estreitos com o Estado e com agências de inteligência, e está bloqueando o acesso ao WSWS e a outros sites web de esquerda e progressistas através de um sistema de busca manipulado”.

Nos três meses decorridos desde que a Google implementou as mudanças em seu buscador, menos pessoas acessaram os sites de notícias de esquerda ou que se opõem à guerra. Com base na informação disponível em Alexas análises, outros sites que experimentaram drásticas quedas no posicionamento incluem WikiLeaks, Alternet, Counterpunch, Global Research, Consortium News e Truthout. Inclusive, grupos proeminentes dos direitos democráticos, como American Civil Liberties Union e Amnestesy International parecem ter sido afetados.   

 
Um amplo leque  de sites de esquerda, progressistas e que se opõem à guerra tem observado seu posicionamento em volume de tráfego cair nesses três meses passados.

Segundo a Google Trends, o termo “notícia falsa” quase quadriplicou sua popularidade no início de novembro, na época das eleições estadunidenses, quando os democratas, meios de comunicação do stablishment e agências de inteligência tentaram  colocar a culpa da vitória eleitoral de Donald Trump sobre Hillary Clinton nas “informações falsas”.

Em 14 de novembro, o New York Times informou que a Google e o Facebook “enfrentavam uma crítica crescente sobre como as notícias falsas em seus sites poderiam ter influído no resultado das eleições presidenciais”, e estariam tomando medidas para combater as “notícias falsas”.  

Dez dias mais tarde, o Washington Post publicava um artigo, “Esforço de propaganda russo ajudou a difundir ‘notícias falsas” durante as eleições, dizem os especialistas”, que citava um grupo anônimo conhecido como ProOrNot, que compilou uma lista de sites de “notícias falsas” que difundiam “propaganda russa”. 

A lista incluía vários sites classificados pelo grupo como “esquerdistas”. De modo significativo, colocou na sua mira a globalresearch.ca, que reproduz frequentemente artigos do  World Socialist Web Site.

Depois das críticas generalizadas de que a matéria era pouco mais do que uma lista negra de sites que se opõem à guerra e ao stablishment, o Washington Post  viu-se obrigado a publicar uma retratação, declarando “O Post, que não citou nenhum dos sites, como tal não dá respaldo à validade das denúncias de ProOrNot”. 

Em 7 de abril, Bloomberg News informou que a Google estava trabalhando diretamente com o Washington Post e o New York Times para “comprovar os fatos” dos artigos e eliminar as ‘notícias falsas’. A isto, seguiu-se a nova metodologia de busca da Google.

Três meses mais tarde, dos 17 sites declarados como de “notícias falsas” pela desacreditada lista negra do Washington Post, 14 viram cair seu posicionamento. A queda média de acessos globais de todos esses sites é de 25%, com alguns chegando a 60% de decréscimo em alcance global. 

“Essas ações por parte da Google se constituem em censura política e são um ataque descarado à liberdade de expressão”, disse North. “No momento em que é generalizada a desconfiança pública em relação aos meios de comunicação do stablishment, esse gigante corporativo está se aproveitando de sua posição monopolizadora para restringir o acesso público  a um amplo espectro de notícias e análises crítica


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