domingo, 25 de junho de 2017

O artista, a saúde pública e o mercado

GilsonSampaio

A expressão música sertanojo é auto-explicativa.

Meu contato com esse tipo de música(?) é episódico e rápido, o som de um carro, de uma loja e as propagandas na tv, isso pra deixar claro que o que vou dizer não é resultado de pesquisa e não configura um padrão.

Compaixão é um sentimento que aflora facilmente quando fica-se sabendo que alguém foi diagnosticado com uma doença fatal. Aparecem correntes de oração, vaquinhas para ajudar a minorar o sofrimento. Tudo muito saudável, muito humanista.

Nesta semana que se encerra aconteceu a prisão de um artista famoso e as trombetas das mídias sociais foram impiedosas. Não sei dizer se por ódio à empresa na qual trabalha ou à desilusão pelo mito - que a maioria se recusa a ver os pés de barro, coisa natural em se tratando de ser humano. O modelo era humano e falhou. Quem não?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, alcoolismo consta como doença na Classificação Internacional de Doenças-CID10, entretanto, poucas são as pessoas que sabem disso.Aliás, é uma doença que afeta apenas 10% da humanidade, é lentamente progressiva, incapacitante mentalmente e letal.

Não sei dizer se esse artista é ou não alcoólatra ou alcoólico, tão pouco estou fazendo uma cruzada anti-alcoólica, longe de mim tal coisa.

E onde entra o sertanojo?

Das poucas vezes que vi propagandas de lançamentos de cd's de duplas setanojos notei que fazem apologia, não só ao beber, mas a ficar bêbado/a.

Não sei se há interesses financeiros na produção desse tipo de música, mas que tem pinta que tem, tem.

Alcoolismo é caso de saúde pública e deve ter a atenção que toda doença deve ter, e por isso, do meu ponto de vista é inconcebível que a banalização da bebedeira ou fogo esteja acontecendo tão às claras.

Ao contrário de países preocupados com a própria população, aqui no Brasil, quando regulamentou-se a propaganda de bebidas alcoólicas, colocaram um gato na tuba: "Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac" e as cervejeiras se viram livres.








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