domingo, 21 de maio de 2017

MORO, VOCÊ NOS DEVE EXPLICAÇÕES

feicibuqui do Francisco Costa

Três anos de Lava Jato e você não chamou nenhum tucano sequer para depor, exceto FHC, como testemunha do Lula, com você tratando-o com simpática deferência, quase tietagem explícita.

Em palestra, nos Estados Unidos, acusado de proteger tucanos, você se defendeu afirmando não ter recebido denúncias envolvendo tucanos, o que todo brasileiro sabe que não é verdade, Aécio Neves está mais citado na Lava Jato do que Jesus no Novo Testamento. Michel Temer e muitos dos dele estão mais citados que Alá no Alcorão.


A dois metros dos seus ouvidos Cerveró afirmou ter dado cento e cinqüenta milhões a FHC, como comissão sobre uma refinaria argentina.

Em outra ocasião, também nos Estados Unidos, você disse que os tucanos não teriam como se envolver em ilícitos porque não eram governo.

E vieram as suas fotos ao lado de Aécio Neves e Michel Temer, compartilhando água mineral e muitos sorrisos, em intimidade explícita, o Aécio Neves que alguns conhecem parte da biografia que logo se tornará pública, incapaz de dignificar a quem quer que seja.

Agora, a partir da sistematização de informações e da análise feitas por Teori Zavascki, o que talvez tenha lhe custado a vida, e continuado por Edson Fachin e Rodrigo Janot, sem Power Point, vazamentos seletivos de depoimentos, conduções coercitivas, seguidas coletivas de procuradores do Ministério Público, manifestações fora dos autos, declarações bombásticas, condenações prévias... Em tempo recorde pegaram um tucano de alta extirpe e o Presidente da República.

Excetuando-se as informações obtidas a partir da arapuca montada pela Polícia Federal, todas as informações restantes passaram, antes, pela Décima Terceira Vara da Justiça Federal de Curitiba, de sua responsabilidade, e custo a acreditar que ao lado dos que estão sendo descobertos e têm foro privilegiado não haja outros sem essa prerrogativa, e que até agora não apareceram.

O ex-deputado Eduardo Cunha vem tendo tratamento diferenciado na prisão, sua esposa e filha não foram presas e, já que em Curitiba convicção tem peso similar à prova material, conforme o Ministério Público daí, uma boa parcela de brasileiros têm convicção do porque.

Apresentado como testemunha de defesa do agora apenado, Michel Temer teria que responder a 41 perguntas apresentadas pelo então réu, sendo que você indeferiu 21, mais da metade, sob a alegação de que eram para intimidar e chantagear Temer, e agora, refeitas ou não, essas perguntas estão sendo respondidas nas gravações feitas com autorização judicial, ressalte-se.

Já se tornaram célebres as suas interferências nos depoimentos: “isso não vem ao caso”, “não foi isso o que lhe perguntei”, “limite-se a responder o perguntado”... Sempre que um depoimento se aproxima da perigosa zona dos protegidos.

Você vetou perguntas do advogado de defesa de Eduardo Cunha, feitas a Cerveró, sobre Michel Temer, e que agora serão respondidas no inquérito no STF.

Em telefonema grampeado, sempre com ordem judicial, reitero, o Senador Aécio Neves, afastado do cargo, também por determinação judicial, foi flagrado afirmando que manobra com delegados da Polícia Federal, para permanecer impune, o que realmente acontece, quando percebemos a quantidade de acusações que há contra ele, sem conseqüências; quando o depoimento do ex-presidente Lula demora cinco horas e a de Aécio, menos de meia hora, soando como ação entre amigos; quando o depoimento do ex-presidente merece alarde e o de Aécio acontece quase que secretamente, sem que saibamos o que foi perguntado e o que foi respondido.

Observando-se os nomes dos delegados e policiais federais que investigaram o ex-presidente e outros, do mesmo partido, percebemos que a maioria vazou informações, algumas delas caluniosas, e que uma boa parcela deles fez postagens nas redes sociais com ofensas à ex-presidenta e ao ex-presidente, sem esconder a posição política, de maneira raivosa e revanchista, alguns mesmo trabalhando como cabos eleitorais, pedindo votos para Aécio, nas redes sociais, por ocasião das últimas eleições.

Tivemos até o caso de um Juiz, de Brasília, que fotografado em uma passeata, com camisa da CBF e o rosto pintado de verde e amarelo, saiu da passeata direto para o seu gabinete e em dezoito minutos redigiu e protocolou um pedido de prisão do ex-presidente, contra quem protestou na passeata, o que mais que ferir a Ciência do Direito, fere a moral, a ética e a decência.

Há até um Procurador da República preso, por favorecimento a investigados.

E se há necessidade de provar tudo isso, a prova foi apresentada no momento em que o Sr. Rodrigo Janot nomeou um delegado de sua estrita confiança para conduzir as investigações, para evitar a intromissão externa sobre a Polícia Federal e o Judiciário, prática que se tornou corriqueira no Brasil, em todos os estados e na capital federal.

Moro, a Lava Jato nasceu respeitada, com crédito no que apurou, a ponto de considerarmos o ex-presidente Lula liquidado politicamente, amargando 20% da preferência do eleitorado, mas na medida em que todos os atos que narrei vieram a público, criou-se no país a impressão, para uns, e a convicção, com força de prova, em Curitiba, repito, para outros, de que a Operação Lava Jato é um tribunal político travestido de jurídico, com você funcionando como advogado de defesa de uma parcela de políticos e promotor para os que lhes são opositores, e o resultado está nos 47% de intenções de votos em Lula.

Esta idéia está corroborada por muitos colegas seus, juízes também, aqui e no exterior, onde se incluem desembargadores, professores de Direito e pessoas de notório saber jurídico.

Plagiando um grande poeta, digo-lhe que o seu silêncio nos atordoa. Diante dos últimos acontecimentos, você, que é tão pródigo em declarações, entrevistas e manifestações, permanece calado.

Repare que o tratei por você quando quero e deveria tratá-lo por Senhor, Doutor e Excelência, mas é que o vejo como político e não como juiz, uma visão que cada vez mais ganha corpo no país.

Diante de todo o exposto, e que considero a exposição de milhões de brasileiros, enquanto funcionário público você nos deve explicações.

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