sexta-feira, 14 de abril de 2017

O estado de exceção já vige

GilsonSampaio

Mais grave do que o conteúdo da delação da Odebrecht foi  o vazamento ao vivo da sessão para um blogueiro fascista.

A não apuração e a não devida punição  dos responsáveis pelo crime  são mais graves porque consolida a insegurança jurídica. Ninguém no país, a não ser a própria casta judicial e seus protegidos, está fora do alcance dos abusos  e desrespeitos à lei.

Rasga-se a Constituição Federal ao bel prazer do humor ou ideologia fascista da ocasião.

E este não é um fato isolado.

Mais grave ainda foi a divulgação de conversa telefônica da Presidência. Ministros do STF disseram ser crime. Óbvio.  E nada aconteceu.

Aliás, aconteceu, sim. Confrontado numa comissão da câmara, recusou-se a responder e encerrou a oitiva. Prestem atenção. Ele, o justiceiro do Paraná, determinou o fim da sessão e foi embora. Simplesmente assim. Ele, o justiceiro do Paraná, cuspiu desprezo pelo legislativo.

A  Lava Jato tem vício de origem: foi pensada para um golpe, combate à corrupção foi apenas cortina de fumaça.

Todos os tucanos agora citados na lista Janot/Fachin  já tinham sido denunciados por delatores diversos da Lava Jato, apenas Aébrio foi citado 6 ou 7 vezes, e o justiceiro do Paraná, nessas ocasiões, fazia cara de paisagem em tons de pesada hipocrisia, e decretava: Isso não vem ao caso.

Mas vem ao caso perseguir blogueiros que discordam dele.

O Procurador Geral da República decide solitariamente, quem e quando vai denunciar e vazar para a mídia golpista os nomes de delatados do seu interesse. Ainda mais, decide solitariamente, se e quando começar as investigações.

Abuso de poder?

No STF, que de ofício seria o guardião da Constituição Federal, rasga-se a mesma CF a simples desejo de alguns deles. Chegou-se a cara de pau de se ouvir: Não tenho provas, mas condeno.

E a cereja do bolo: se algum deles é condenado por um crime, a pena máxima é de aposentadoria.
Na ditadura não era muito diferente


O estado de exceção já vige.

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