quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

SÃO OS BANCOS, ESTÚPIDO!

MAURO LOPES via feice RodrigoJardim Rombauer  

A política do país existe apenas para perpetuar a divisão da renda nacional. Não é por outro motivo que os juros do Brasil são o que são.

Eles garantem o lucro dos bancos, que é integralmente feito com base na soma do que auferem com os juros pagos a eles pelo Estado brasileiro mais o que arrancam de milhões de pessoas infelicitadas nas operações com estas instituições, cujo rastro conhecemos pelas empresas quebradas, famílias desesperadas, bens tomados.

Os juros estratosféricos não garantem apenas os lucros dos bancos.

Há uma teia de sócios menores beneficiados por eles; cerca de dois milhões de pessoas (ao redor de 1% da população do país), entre altos funcionários do Estado, executivos, jornalistas, empresários, artistas globais.

São estes que se encarregam de replicar o discurso oficial - não são papagaios por “amor à causa”; é apenas dinheiro.

Um argumento recorrente deste grupo (banqueiros + rentistas) é que não são os bancos os responsáveis pelos juros, que o governo é o culpado, que a gastança desenfreada dos governos do PT… todos conhecem a cantilena.

Os bancos, segundo este padrão discursivo, seriam quase vítimas da política econômica oficial, pois com seus padrões de eficiência de gestão exemplares no mundo, seriam altamente rentáveis com qualquer taxa de juros.

O que tal discurso não informa?

Que a política econômica do país é estabelecida exatamente pelos bancos. O atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi alto executivo do Bank of Boston e hoje recebe a bagatela de R$ 250 mil mensais como aposentadoria do Bank of America Merrill Lynch, que comprou o Bank of Boston.

O ministro da Fazenda que marcou o segundo mandato de Dilma, interrompido pelo golpe, Joaquim Levy, era alto executivo do Bradesco.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, é acionista do Itaú e alto executivo do banco.

Os demais gestores da política econômica estão dentre os dois milhões de pessoas que integram o universo dos rentistas no Brasil.

O Brasil nunca deixou de ser deles, apesar da tolerância com a distribuição das sobras do banquete durante os governos do PT.

As commodities deixaram de ser a galinha dos ovos de ouro que amorteceram o embate distributivista e o ódio acumulado dos sinhôs e sinhazinhas ao testemunharem a tímida ascensão dos escravos libertos subiu à tona com toda a violência.


Agora, só se a senzala levantar-se.

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