terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O JORGINHO ESTÁ INVESTINDO NA FEIÚRA

feicibuqui do Francisco Costa


Estive algumas vezes em São Paulo, a maioria delas no transcurso de greves, para negociar ou orientar, e a primeira coisa da qual discordo é que o paulista é um povo frio, pouco propenso a ajudar, até de dar informações.

Sempre fui otimamente recebido, em alguns momentos acarinhado mesmo, pelos companheiros dos dois pastel e um chôpis.

Também não procede essa conversa de que paulistas só pensam em trabalho, não são menos bon vivant que o resto do país, bem humorados.

E o que você viu de errado em São Paulo, então, Francisco?

São Paulo é (era) uma cidade feia, um caixote de concreto, a mesma impressão que têm todos os que chegam lá, mudando depois, quando passa a conhecer o povo paulista, o que Caetano Veloso bem mostrou na música Sampa.

Brasília também é uma cidade de concreto, mas tem duas vantagens sobre São Paulo: 1) a unidade arquitetônica, já que planejada por poucos homens, enquanto em São Paulo convivem todos os estilos arquitetônicos, numa suruba visual de endoidecer, e: 2) Brasília tem grandes espaços livres, o que tira a sensação de confinamento, ao contrário de São Paulo, onde tudo é junto, socado, espremido.

Este não é um problema só de São Paulo, mas da maioria das grandes cidades do mundo, que encontraram uma maneira de contornar: com o grafitismo.

O grafitismo é uma técnica que usa o spray, de dificílima manipulação, exigindo muito talento do artista, e já atingiu um nível de criatividade e complexidade tais que saiu das ruas e chegou às grandes galerias de arte e museus do mundo.

Temos grafiteiros no mesmo nível dos artistas consagrados em outros estilos, contemporâneos ou do passado.

A outra vantagem do grafitismo é o tempo gasto na construção da obra, com o grafiteiro trabalhando muito rápido, e por isso mesmo se prestando à ocupação de grandes áreas, o que fez do grafitismo uma arte urbana.

Nas paredes, o olho humano foge da ausência da variedade de formas e cores, dada pela flora, observando um painel, onde abundam formas e cores.

Nos grandes paredões, principalmente laterais de prédios, as pinturas geométricas proporcionam ilusões de ótica, criam a sensação de tridimensionalidade, espaços artificiais, psicológicos, espantando a sensação de confinamento.

Não é por outro motivo que empresas e as administrações públicas contratam grafiteiros em Nova Iorque, Paris e Berlim.

Os grafites estavam mudando a cara de São Paulo, tirando-lhe o caráter de cidade feia, que impressionou Caetano e todos os que chegavam lá.

Mas Jorginho Escória, aquele que se disfarça de lixeiro para fingir que não é milionário, mandou apagar todos os grafites de São Paulo, pintados por artistas do mundo todo, criando paredões monocromáticos, brancos ou cinzas.

Ontem foi apagado o maior painel, em área, da América Latina.

É provável que no lugar grafitem PCC ou PSDB, praticamente a mesma coisa.



Esta obra de arte foi transformada numa parede cinza, por ordem do Lixrefeito Jorginho Escória.

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