sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Duas guerras

Sanguessugado do SENHOR X

Fernando Rosa

As duas maiores e mais agressivas guerras imperialistas em desenvolvimento neste momento no mundo ocorrem na Síria e no Brasil. As duas, no entanto, utilizam-se de estratégias, métodos e ferramentas diferentes – uma “tradicional”, outra assimétrica, o que dificulta percepção dos brasileiros. Mas ambas têm o mesmo objetivo, que é a destruição das infraestruturas, das forças produtivas dos respectivos países.

Assim como fizeram no Iraque e na Líbia, na Síria os alvos têm sido a infraestrutura econômica do país, com o objetivo de fragilizar o legítimo Poder Nacional. Desde 2012, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos , sob o comando de Barack Obama, realizou bombardeios sistemáticos da infraestrutura síria. A denúncia é do porta-voz do Ministério da Defesa russo, major-general Igor Konashenkov.

Aliado a isso, os bombardeios são “seletivos”, não atacando as instalações petrolíferas ocupadas pelo Daesh. Assim, “permitem aos terroristas ganhar dezenas de milhões de dólares por mês através do comércio ilegal de petróleo e recrutar mercenários por todo o mundo”, alertou Konashenkov. Segundo o ministro russo, o cessar-fogo assinado em 30 de dezembro só foi possível, “sem a administração cessante dos EUA (Obama) e sem a CIA”.

Aqui não é diferente, como já se pode verificar no resultado da Operação Lava Jato para a economia nacional. Seletivamente, foram “bombardeadas” as indústrias de infraestrutura, petrolífera e naval e de defesa nacional. Assim como enforcaram Saddam e executaram Kadafi, aqui condenaram o Almirante Othon – o “pai do programa nuclear brasileiro” (a maior pena da Lava Jato)  e o empresário Marcelo Odebrecht e tentam “assassinar” politicamente o ex-presidente Lula.

No caso do Brasil, a guerra assimétrica conta com agentes internos capturados e uso das instituições, em especial do judiciário, incluindo juízes e procuradores, e da mídia. A mídia, em especial a Rede Globo, funciona como a artilharia tradicional, atirando diariamente contra instituições, políticos e lideranças. A Operação Lava Jato cumpre o papel de “mariners” ocupando território selecionados e destruindo segmentos industriais e lideranças empresariais e políticas.

No caso da Síria, “não é coincidência que empresas próximas à CIA e ao Pentágono são sempre as primeiras a oferecer seus serviços na reconstrução das grandes instalações econômicas”, apontou o porta-voz russo. No caso do Brasil, não é de estranhar as vendas de ativos dos setores atingidos na “bacia das almas”, realizadas sem qualquer consulta aos seus proprietários – o povo brasileiro. Nas duas guerras, agindo abertamente ou nas sombras, está a parceria da globalização em fase terminal, o rentismo-bélico cada dia mais agressivo.

 

Almirante Othon, o “pai do programa nuclear brasileiro”, sendo preso pela Operação Lava Jato, em operação que também recolheu equipamentos e documentos da Eletronuclear.

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