domingo, 29 de janeiro de 2017

A vitória do escárnio.

via feicibuqui do Eduardo Affine Neto

Guilherme Boulos.


O declínio de uma nação ou de uma cultura nunca se dá de uma só vez. Tem suas fases. Uma delas é a hipocrisia, quando se naturaliza o "dois pesos, duas medidas". O hipócrita estabelece um critério aos amigos e outro aos inimigos.

Sinal da vitória da hipocrisia por aqui foi a derrubada de um governo com o argumento do uso de procedimentos fiscais corriqueiros em todos os anteriores e então tolerados. Ou a condenação exemplar de membros de um grupo político, associada à tolerância aos membros de outros grupos, que tiveram precisamente as mesmas práticas.

Para uns, a presunção de inocência, para outros, a de culpa. Mas o hipócrita ainda preserva uma preocupação com aparências de legitimidade. Constrói um discurso para camuflá-lo, sua justificativa perante a opinião pública. Seu predomínio, porém, pode dar lugar a uma fase mais perigosa: a do escárnio.

Quando o escárnio toma conta do ambiente cultural desaparecem as mínimas preocupações de decoro com o que se diz e o que se faz. Os cínicos ganham autoconfiança e ousam fazer em público aquilo que todos imaginavam, mas não se via. Falam abertamente sinceridades antes reservadas aos cochichos de corredor. Rompe-se então as regras do jogo social. A fase do escárnio tem um lado positivo: ela é incrivelmente reveladora. Mas, no geral, expressa a mais completa indiferença dos donos do poder em relação ao que vá pensar a sociedade. Às favas com a opinião pública.
Fiquemos apenas com fatos da última semana. Quando o ministro Eliseu Padilha diz, com o cadáver de Teori Zavascki ainda quente, que a morte vai fazer com que "a gente tenha mais tempo"; quando Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que julgará Golpista, é consultado sobre a indicação de seu novo par e vai a rega-bofes no palácio presidencial; quando, ainda em relação a Teori, operadores do mercado financeiro comemoram sua morte sem maiores pudores; quando fatos assim passam sem ser notados é porque o escárnio estabeleceu-se na vida pública do país.

Na República do escárnio não há limites. Ante a perda de referência crítica e valorativa, tudo torna-se possível e, ademais, muito natural. Dostoiévski escreveu certa vez que, se Deus não existisse, tudo seria permitido. Falava é claro de um padrão de conduta –no caso, estabelecido pela religião– para delimitar o campo das ações humanas. Sem referência valorativa não há limites. Assim funciona o escárnio.


A hipocrisia antecede o escárnio. Este, por sua vez, funciona como antessala da barbárie. Ou da revolta.

Um comentário:

  1. Opinião sobre a mídia do Petismo e a manipulação dos votantes via mitologia, publicidade, pseudo-ideologia dita de esquerda e propaganda digital.

    Crowdfunding para o PeTê... Seus satélites (PCdoB & PSOL)... & João, o milionário:

    Dinheiro, seja “crowdfunding” pra Nossa deusa baranga Coração Valente© viajar de avião, apenas para a causa justa (como no ano passado, 2016, em que eu contribui para Nossa Querida Mãe Coração Valente©, de acordo com o pedido e ordem de Nosso Amado Chefe… Apelo feito pela TV).


    Nunca daria meu dinheiro para outro partido, exceto o PT e seus satélites submissos. Meu dinheiro é apenas para minha religião, o PT.

    Seguimos o PETISMO e seus dogmas verdadeiros, anti-alienação 

    (a saber: «casa grande & Senzala»; «Pronatec»; «mídia hegemônica»; «é gópi, é gópi, é gópi»; «ilegítimo [Temer]»; «midiota»; «20 milhões na classe média»; «fascista»; «sem crime de responsabilidade»; «velha mídia»; «coxinha»; ; «mídia hegemônica» [espécie de demoninho ou capetinha muito danoso a religião do Petismo]; «Rede Globo é golpista»; «PiG»; «Estados Unidos, o Império»; «mídia golpista» etc. etc. etc. etc. — esses são todos os nossos sábios dogmas!).


    Esse dogma aqui, de todos, é dos melhores: «LUZ para todos» [rssss] etc. etc. etc. etc. etc.

    Atenção:
    Somos apenas petista, e amamos Nossa deusa Mãe, -- Mãe do PAC --, Coração Valente©, criada pelo João, o milionário, o Santana, mais conhecido no meio pelo apelido de O Feira. «O Feira» foi preso pela entidade do Mal, Sérgio MORO (do mal, de acordo com NOSSA RELIGIÃO do Petismo). Se Nossa religião falou que ele é do Mal, então ele é.

    
______

    P.S.:

    Enfim, nosso Amado Chefe é sim ilibado & inocente. Assim tem falado Nossa deusa Coração Valente©. Vamos crer em Coração Valente©.
 Que tanto apareceu  na sagrada imagem em movimento em 2014.

    Mas vamos rezar e orar para Nossa deusa Brega Coração Valente© e para o CORVO que fica sobre o ombro de Nossa deusa, que tudo vai dar certo. Ela voltando, por ser uma deusa baranga e poderosa, tudo iria mudar para a perfeição e pureza Petista e grandeza verdadeira do Brasil. Amém. Amém. Amém.

    Façamos tudo também para a volta de  Nosso Amado Chefe Ilibado e Inocente.
 O «Nunca-antes-nesse-país» é puro e santo, de-voto de Nossa Inocenta Mãe, a Nossa deusa Coração Valente©.
 Nosso Chefe é certamente sábio, inocente, santo, puro, inteligente, anti-máfia, bom, o melhor e cabeção.

    OBS.:
    Nesse momento ela, a Coração Valente©, está na Itália. Honeeeeeesta. Que sábia, 'tá na Itália fazendo MAGIAS NO VESÚVIO* (2017).

    Att.,
    JL


    "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária e demagógica formará um público tão vil como ela mesma". Pulitzer.

    *[Maga Patalójika].

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