sábado, 30 de abril de 2016

Agora, Ministro Teori? Ainda assim, sem data determinada.

GilsonSampaio

Há quase 4 meses o PGR pediu o afastamento do bandido que preside a quadrilha da câmara e somente agora ante a calamidade do bandido assumir a presidência o Ministro relator, Teori Zavascki, acena em colocar em pauta o julgamento do bandido. 

Ainda assim, sem data determinada.

Além de ladrão, o bandido é acusado de ameaçar deputados e de obstrução da justiça.

Liberdade absoluta para  um  criminoso promover o impeachment da presidenta sem uma acusação de corrupção ou desvio de conduta.

Data vênia, maxima data vênia, Ministro, mas Vossa Excelência foi conivente com o golpe.

STF decidirá se Cunha pode assumir Presidência interinamente



André Richter 


O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (28) que o plenário da Corte vai analisar se o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, poderá assumir a linha sucessória da Presidência da República no caso de eventual afastamento da presidenta Dilma Rousseff, por meio do processo de impeachment. Zavascki é relator do pedido feito pela Procuradoria-Geral da República, em dezembro do ano passado, para afastar Cunha do cargo.

Caso o Senado aprove a admissibilidade do impeachment e, consequentemente, o afastamento de Dilma do cargo por 180 dias, Michel Temer, atual vice-presidente, assumiria o cargo e Cunha seria o primeiro na linha sucessória, exercendo na prática as atividades de vice.

A dúvida é saber se Eduardo Cunha poderá ocupar o cargo sendo réu em uma ação penal no STF, por suspeita de receber U$S 5 milhões em propina resultante de contratos de navios-sonda da Petrobras.

A Constituição proíbe que um réu assuma uma cadeira no Palácio do Planalto, mesmo de forma interina, no caso de uma viagem de Temer para fora do país, por exemplo.

Questionado sobre o assunto, Zavascki disse, ao chegar para sessão de hoje do Supremo, que “isso é um assunto que precisa ser examinado” e que levará o fato para julgamento na sessão em que a Corte deverá analisar o pedido para afastar Cunha do cargo. A data não foi definida.

Para justificar o pedido, o procurador citou 11 fatos que comprovariam que Cunha usa o mandato de deputado e o cargo de presidente da Câmara para intimidar colegas, réus que assinaram acordos de delação premiada e advogados.


Edição: Beto Coura

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Do iluminado Veríssimo: A Segunda vítima


Marcelo Auler

Sei que muitos já devem ter compartilhado o artigo de hoje do mestre e incomparável Luís Fernando Veríssimo. Mas não resisto à tentação de republicá-lo, pois acredito que muita gente que deixou de ler jornais não o acompanhe e esta crônica merece ser repercutida. É clara, límpida e direta. Na veia de um Congresso Nacional que deve envergonhar a todos. Não preciso falar mais nada.

A segunda vítima(*)

Luís Fernando Veríssimo

Não se sabe exatamente o que os dois deputados enviados a Nova York fariam, se Dilma dissesse a palavra ‘golpe’. Pulariam das suas cadeiras e gritariam ‘mentira!’?

Era improvável que a Dilma usasse alguns dos poucos minutos da sua participação na conferência sobre o clima nas Nações Unidas para falar no golpe que ameaça seu governo, mas o pânico se instalou mesmo assim. Ela iria denegrir a pátria diante do mundo!

Houve uma mobilização geral para contestar o ainda não dito. Os ministros do Supremo Celso de Mello e Gilmar Mendes se apressaram a declarar que, ao contrario do que a Dilma poderia dizer na ONU, o impeachment em curso estava longe de ser um golpe. Estranho açodamento de quem, cedo ou tarde, terá que julgar questionamentos jurídicos do que está ou não está acontecendo no Brasil.

Mas não importava a inconfidência espontânea dos magistrados, importava a negação do que a Dilma diria. Antes que ela dissesse.

O Senado mandou o senador Aloysio Nunes atrás da Dilma, com a missão de rebater o que ela falasse, fosse o que fosse. E a Câmara, que não tinha dinheiro para pagar a passagem de uma testemunha de acusação do Eduardo Cunha na sua comissão de ética, subitamente encontrou uns trocados no bolso de outra calça e mandou dois deputados a Nova York, também para desmentir a Dilma.

Não se sabe exatamente o que os dois fariam, se Dilma pronunciasse a palavra “golpe”. Pulariam das suas cadeiras e gritariam “mentira!”? Começariam a cantar o Hino Nacional para abafar a voz da traidora? Nunca saberemos. Dilma não disse o que todos temiam que ela dissesse. Depois, em particular e para jornalistas, falou em golpe à vontade. Mas na ONU, diante do mundo, frustrou a expectativa de todos. O pânico foi em vão. Os dois deputados brasileiros teriam sido barrados na entrada do plenário da ONU, mas isso eu não sei se é verdade. Teria sido um final adequado para a farsa.

Dizem que a primeira vítima de uma guerra é sempre a verdade. Se for assim, a segunda vítima é certamente o senso do ridículo


* Crônica publicada nesta quinta-feira (28/04) nos jornais O Globo e Estado de S. Paulo.

Olimpíadas do Golpe

GilsonSampaio



Prevenção: Aragão libera toda a verba da Polícia Federal antes do impeachment

Sanguessugado do GGN


Ministro da Justiça, Eugênio Aragão
Ministro da Justiça, Eugênio Aragão

O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, decidiu liberar toda a verba prevista para o ano no Orçamento da União para a Polícia Federal. Sem mencionar diretamente a possibilidade de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, com a entrada de um governo que possa blindar investigações da PF, a justificativa dada por Aragão foi "evitar" que a instituição "fique à mercê de eventuais chantagens políticas" e para que a PF trabalhe com "tranquilidade".

A estratégia de Aragão vai além. Ele determinou que o repasse do montante de R$ 160 milhões ocorra até o dia 11 de maio, data prevista para a votação da aprovação do processo de impeachment pela Comissão do Senado.

"Nós estamos garantindo todos os recursos da Polícia Federal para até o final do ano lhe sejam já repassados antes do dia 11 de maio. Todos os recursos serão repassados. O que significa? Que a Polícia Federal não ficará a mercê de eventuais chantagens políticas. A PF simplesmente fará o que tiver que fazer porque nós daremos todos os meios para isso", disse o ministro.

Eugênio Aragão mostrou-se preocupado com "riscos" à autonomia e liberdade da Polícia Federal, garantida nos últimos anos, para realizar operações e investigações. Nesta terça (26), Aragão já havia antecipado que a PF não precisará da classe política para trabalhar.

"Diante dos riscos de que isso [cenário de autonomia da instituição] possa se reverter, o governo tomou uma medida muito clara. Vai liberar os recursos para a Polícia Federal poder trabalhar com tranquilidade, sem pressão política. Isso é o mais importante para que cheguemos a um bom resultado na fixação das responsabilidades daqueles que têm se apropriado ou desviado de recursos públicos", determinou.

A declaração do ministro ocorreu após a cerimônia de instalação do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI). Com a iniciativa, a Polícia Federal poderá ter em mãos o montante previsto para um ano e poderá planejar as ações, antes mesmo da votação do impeachment.

Independentemente se julgada por crime de responsabilidade, se aceito o processo, a votação da Comissão do Senado prevista para o dia 11 de maio poderá resultar no afastamento da presidente Dilma Rousseff por até 180 dias, ou seja, seis meses.


Eugênio Aragão adiantou que outros temas também estão sendo agilizados, como as campanhas salariais das polícias Federal e Rodoviária Federal. "Queremos em até 15 dias concluir todas as negociações das campanhas salariais dos policiais federais e rodoviários federais com o Ministério do Planejamento", afirmou.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

STF e a proteção de cadáveres... o fedor aumenta


DAVID NOGUEIRA

Professor e jornalista, foi dirigente da CUT, da CNTE e ex-secretário de Comunicação do PT/RO; membro do diretório PT/RO


1. STF e a proteção de cadáveres... o fedor aumenta!

Você, meu caro reles pagador de impostos, já pode lamentar os 130 dias de espera pela manifestação dos membros do "Clube da Covardia" sobre o deputado federal mais sexy, sedutor e charmoso da ponte aérea Brasil/Suíça. Há mais de quatro meses, o STF recebeu o gravíssimo pedido de afastamento do Presidente da Câmara, Sr. Eduardo Cunha, e, de forma pusilânime, não ousou se manifestar. A Suprema Corte do Brasil apequena-se na medida em que os cadáveres representantes da miserável moralidade e exígua ética da classe política tupiniquim se amontoam e apodrecem dentro do STF.

2. O miasma de cada um

Os Ministros parecem não se incomodar em nada com a perda do respeito, da confiança e da credibilidade social, nacional e internacional. Tenho a impressão de ouvir o ruminar de estômagos, tipo corvos ou urubus, cada vez que os vejo na mídia falando coisas capazes de ofender a inteligência de todos os estupefatos curumins. As centenas de cadáveres de políticos jogados pelo seletivo MPF dentro do STF não são descartados... pelo contrário, são acolhidos e protegidos. Ao lá ficarem, fedem, exalam miasma. Assim, contaminam o ar de toda a nação, expõem o cinismo de nossas instituições e fazem crer, ao brasileiro comum, ser nossa Justiça uma grande farsa montada para proteger quem paga e a todos que têm dinheiro... preferencialmente, na Suíça.

3. Coveiro decano

Conforme noticiado em matéria de Paulo Nogueira (site abaixo), Gilmar Mendes, despudoradamente e sem quaisquer constrangimentos, permite que o odor insuportável do chorume exalado do STF contamine a nação. São defuntos em estado de putrefação lá acumulados e causadores de incômodo às pessoas de sabedoria simples. As duas liminares dadas para Daniel Dantas (em menos de 48h), um banqueiro com um HD misterioso, foram reveladoras da "inquietude" do então Presidente do STF com o "injusto xilindró" de um "cidadão simples" e de "passado impecável"... Gilmar tornou-se um exemplo de preocupação para todos os presos neste país. Lembremo-nos do caso do médico estuprador, Roger Abdelmassih???... E os dezoito meses segurando uma ação da OAB contra o financiamento de campanhas por empresas privadas???... E os tais "grampos" do Demóstenes??? Quem se lembra da complicada história da "escolinha IDP" (Instituto Brasileiro de Direito Público) com a qual mantém relações???... (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/100135/A-controversa-carreira-do-ministro-Gilmar-Mendes.htm ). E a liminar a proibir a posse do Lula como Ministro da Casa Civil, a sequestrar a competência da Presidente da República??... Cadáveres infindáveis no seio de um Tribunal Superior, no qual, hipoteticamente, repousaria a sabedoria jurídica do país.

4. Moleque de recados

Lamentavelmente, ele não é único. Há um deles, quase menino, detentor de uma mediocridade jurídica invejável até pelo "seu Lunga"!! Quando o vejo falar, lembro-me de um provérbio popular bem apropriado: "burro calado, por sábio é passado". Com comportamento digno de "moleque de recados" a serviço do grande guru Gilmar Mendes, esse rapaz perdeu o prumo e envergonha o STF do país. Sente-se no direito de criticar, publicamente, quem ousa qualificar o atual processo de impeachment de Golpe, pelo simples fato de tal princípio estar salvaguardado pela Constituição. Esse Zé Mané, garoto sapequinha, deveria evitar falar estultices, pois existem pré-requisitos legais para tal, cuja ausência (e há sérios questionamentos quanto a isso) significa golpe...

5. Mais cadáveres para o acovardado STF


Eduardo Cunha é a "cereja do bolo" nesse comportamento cadavérico do Supremo Tribunal Federal. A política de amealhar putrefação dentro de si, somada à covardia em não impor a leitura clara da lei diante das manobras de uma Câmara comandada por comportamento psicótico e pirotécnico, deixa a nação refém do mal. O STF procrastina e deixa o tempo passar à espera de ser poupado de cumprir seu papel e agir... julgar, seja lá qual for a decisão. Eduardo Cunha sequestrou o país. Impôs o caos político na tentativa de se livrar das lambanças e das falcatruas das quais é acusado... todos olham para o fato e fingem nada acontecer. Envergonhamos a nação inteira diante do mundo. Ministros antecipam votos publicamente, sem sequer terem recebido os processos para análise, avaliação e julgamento. Maculamos nossa democracia com o objetivo político de atingir o partido A ou B. O STF comporta-se não só como conivente com as mazelas de Eduardo Cunha: ele passa a ideia de ter comportamento de parceiro da patifaria. Pode nada disso ser real. Não obstante, essas imagens habitam a mente de milhões de brasileiros.

Um fio de esperança: O esculacho planetário do STF

GilsonSampaio

Em tempo difíceis qualquer fio de esperança é uma esperança. 

Que se convide juristas estrangeiros de comprovada moral ilibada e saber jurídico - artigos raros na atual composição do supremo, para 'testemunharem' a cassação da presidenta no STF.

Se vai surtir efeito no sentido de se fazer justiça, não sei.

Sei que seria um fator constrangedor e poderia, eventualmente, em nome do descomunal ego de cada um dos ministros detonar um surto de preservação da história de cada um deles.

Ah, e a soberania do país?

Ora, depende do conceito de soberania que cada um tem.

Se for a soberania dos golpistas que anseiam por caírem de quatro para os EE.UU, essa eu dispenso por ser incomensuravelmente desprezível.

Além do mais é comum o envio de 'fiscais' da ONU para acompanharem a lisura de eleições em diversos países onde a credibilidade da política e da justiça não são lá muito confiáveis.

 Então, porque não trazer 'fiscais' para testemunharem o golpe?

E com essa possível vinda de 4 ou 5 juristas internacionais é certo que a imprensa mundial também daria uma atenção maior ao golpe perpetrado. A pressão seria enorme e o instinto de preservação seria aguçado, fora a exceção de praxe.

Suas excelências (pelo menos algumas), disso não duvido, entrariam no plenário com a lata de lixo da história e a própria biografia debaixo da toga e dificilmente teríamos que ouvir:

Não provas contra a presidenta, mas eu voto pela cassação.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Só o STF não vê: delator relata que entregou 4 milhões EM CASH para o Cunha

feicibuqui do Idelber Avelar

Mais um delator relata que entregou 4 milhões EM CASH para o Cunha.

Bob Jeff tem toda a razão: o Cunha é um daqueles bandidos qualificadíssimos, da época em que a bandidagem mantinha seus rituais, sua cara-de-pau, seu jeito moleque. E acertou de novo ao dizer que Lula encontrou em Cunha o seu nêmesis, o bandido capaz de derrotá-lo, posto que desprovido de qualquer escrúpulo.

Quem diria: o único bandido que o petismo conseguiu levar à prisão consigo na crise do mensalão, em 2005, transformar-se-ia no narrador da crise do impeachment em 2016, a única voz que consegue penetrar na essência do bandido em torno do qual gira a crise de hoje.

Bob Jeff e Cunha são os dois personagens não petistas mais importantes para se narrar a história da ascensão e queda do lulismo. Mais que Joaquim Barbosa, mais que Serra, Alckmin ou Aécio, mais que Marina.


O lulismo como administração do Estado começa, para todos os efeitos, com Bob Jeff. E termina com Cunha.

O Mito de Platão - revisado




segunda-feira, 25 de abril de 2016

Botando bridão na canalha bancária - na Europa - aqui seria motivo de golpe

GilsonSampaio

Primeiro foi a Islândia. Depois a Suíça. Agora a Europa acordou e reagiu à servidão imposta pela canalha bancária e a elite financeira.

Aqui seria motivo pra golpe.

Ops! O golpe aqui foi antecipado pela canalha bancária e elite financeira.





domingo, 24 de abril de 2016

Como respeitar o STF deste cidadão?


As instituições brasileiras são uma desgraça e isso tem que ser dito. 




Paulo Nogueira





Como respeitar o STF deste cidadão?


O eminente juiz Dias Toffoli disse uma das maiores asneiras desta semana.

Numa entrevista ao Globo, ele afirmou que falar em golpe é ofender as instituições.

Ora, ora, ora.

Toffoli, desde que se tornou um juiz plutocrático nos mesmos moldes de Gilmar Mendes, aparece repetidamente na mídia.

É assim que as coisas funcionam: jornais e revistas dão amplo espaço a quem defende as causas dos barões da mídia, e escondem os demais.

Na estranha lógica de Toffoli, falar em golpe é ofender as instituições. Mas dar um golpe, como este em curso, não é.

A melhor reação a esta sandice veio de Marcelo Rubens Paiva, no Twitter. “Sim, está havendo um golpe, e nossas instituições são uma merda. Pronto: ofendemos.”

As instituições não devem ser objeto de veneração automaticamente. Elas devem merecer o respeito da sociedade.

É impossível respeitar o STF de Toffoli depois de ele não fazer nada em relação a Eduardo Cunha meses depois de haver recebido de Janot um pedido de afastamento por variados crimes de corrupção.

O STF deixou um gângster como Cunha comandar e manipular, com completa tranquilidade, o processo de impeachment presidencial na Câmara.

Numa sessão extraordinária em que poderia pelo menos limitar as manobras sujas de Cunha, os ministros da Suprema Corte falaram interminavelmente de coisas como “latitudes”, e em sua omissão acabaram favorecendo um processo viciado desde a origem.

Uma coisa dá na outra. A imobilidade chocante do STF de Toffoli foi dar na grotesca sessão da Câmara em que bufões corruptos disseram sim ao golpe com razões estapafúrdias, como a paz em Jerusalém ou a família quadrangular.

No meio da semana, a Folha publicou uma reportagem em que garotas de programa de Brasília falavam de seus clientes que tinham citado no voto as esposas e suas digníssimas famílias.

A Câmara, como o STF e qualquer instituição, não deve ser louvada apenas porque existe. Ela tem que merecer eventuais aplausos.

E a Câmara que temos, esta de Eduardo Cunha e comparsas, deve ser vaiada por toda a eternidade.

Que instituição deve ser tratada com deferência? A imprensa “livre”? (Aspas e pausa para uma gargalhada.)

Ora, é uma imprensa atrelada ao que há de mais atrasado na sociedade brasileira. O diagnóstico definitivo dela veio de um grande jornalista americano que vive no Brasil, Glenn Greenwald. Greenwald, ao entrevistar Lula, se disse “chocado” com a parcialidade da imprensa brasileira. Ela não faz jornalismo, mas propaganda em defesa da plutocracia.

São estas instituições que não podem ser ofendidas, segundo Toffoli?

Um homem que não se dê ao respeito jamais será respeitado. Da mesma forma, instituições que não se dão ao respeito jamais serão respeitadas.

É rigorosamente o mesmo caso.

É uma desgraça, mas Marcelo Rubens Paiva definiu magistralmente as instituições brasileiras.


E elas só melhorarão quando admitirmos claramente que são – não existe palavra mais precisa, infelizmente – uma merda.

Senador Helio José-PMDB: ...vão chorar lagrimas de sangue implorando pro PT voltar"




O artigo que enfureceu a família Marinho, no The Guardian

Sanguessugado do O Cafezinho

O artigo que enfureceu a família Marinho e resultou na humilhação mundial das Organizações Globo


Artigo no jornal britânico The Guardian provocou forte reação das Organizações Globo. Por meio de seu vice-presidente, João Roberto Marinho, o grupo Globo insistiu para que tivesse um direito de resposta ao texto. No entanto conseguiram apenas publicar uma carta em inglês na área de comentários da matéria

A razão real que os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment

David Miranda, TheGuardian

A história da crise política no Brasil, e a mudança rápida da perspectiva global em torno dela, começa pela sua mídia nacional. A imprensa e as emissoras de TV dominantes no país estão nas mãos de um pequeno grupo de famílias, entre as mais ricas do Brasil, e são claramente conservadoras. Por décadas, esses meios de comunicação têm sido usados em favor dos ricos brasileiros, assegurando que a grande desigualdade social (e a irregularidade política que a causa) permanecesse a mesma.

Aliás, a maioria dos grandes grupos de mídia atuais – que aparentam ser respeitáveis para quem é de fora – apoiaram o golpe militar de 1964 que trouxe duas décadas de uma ditadura de direita e enriqueceu ainda mais as oligarquias do país. Esse evento histórico chave ainda joga uma sombra sobre a identidade e política do país. Essas corporações – lideradas pelos múltiplos braços midiáticos das Organizações Globo – anunciaram o golpe como um ataque nobre à corrupção de um governo progressista democraticamente eleito. Soa familiar?

Por um ano, esses mesmos grupos midiáticos têm vendido uma narrativa atraente: uma população insatisfeita, impulsionada pela fúria contra um governo corrupto, se organiza e demanda a derrubada da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff, e do Partido dos Trabalhadores (PT). O mundo viu inúmeras imagens de grandes multidões protestando nas ruas, uma visão sempre inspiradora.

Mas o que muitos fora do Brasil não viram foi que a mídia plutocrática do país gastou meses incitando esses protestos (enquanto pretendia apenas “cobri-los”). Os manifestantes não representavam nem de longe a população do Brasil. Ao contrário, eles eram desproporcionalmente brancos e ricos: as mesmas pessoas que se opuseram ao PT e seus programas de combate à pobreza por duas décadas.

16-04-23-Globo-50-Anos-Enganando-Protesto

Aos poucos, o resto do mundo começou a ver além da caricatura simples e bidimensional criada pela imprensa local, e a reconhecer quem obterá o poder uma vez que Rousseff seja derrubada. Agora tornou-se claro que a corrupção não é a razão de todo o esforço para retirar do cargo a presidente reeleita do Brasil; na verdade, a corrupção é apenas o pretexto.

O partido de Dilma, de centro-esquerda, conseguiu a presidência pela primeira vez em 2002, quando seu antecessor, Lula da Silva, obteve uma vitória espetacular. Graças a sua popularidade e carisma, e reforçada pela grande expansão econômica do Brasil durante seu mandato na presidência, o PT ganhou quatro eleições presidenciais seguidas – incluindo a vitória de Dilma em 2010 e, apenas 18 meses atrás, sua reeleição com 54 milhões de votos.

A elite do país e seus grupos midiáticos fracassaram, várias vezes, em seus esforços para derrotar o partido nas urnas. Mas plutocratas não são conhecidos por aceitarem a derrota de forma gentil, ou por jogarem de acordo com as regras. O que foram incapazes de conseguir democraticamente, eles agora estão tentando alcançar de maneira antidemocrática: agrupando uma mistura bizarra de políticos – evangélicos extremistas, apoiadores da extrema direita que defendem a volta do regime militar, figuras dos bastidores sem ideologia alguma – para simplesmente derrubarem ela do cargo.

Inclusive, aqueles liderando a campanha pelo impeachment dela e os que estão na linha sucessória do poder – principalmente o inelegível Presidente da Câmara Eduardo Cunha – estão bem mais envolvidos em escândalos de corrupção do que ela. Cunha foi pego ano passado com milhões de dólares de subornos em contas secretas na Suíça, logo depois de ter mentido ao negar no Congresso que tivesse contas no exterior. Cunha também aparece no Panamá Papers, com provas de que agiu para esconder seus milhões ilícitos em paraísos fiscais para não ser detectado e evitar responsabilidades fiscais.

É impossível marchar de forma convincente atrás de um banner de “contra a corrupção” e “democracia” quando simultaneamente se trabalha para instalar no poder algumas das figuras políticas mais corruptas e antipáticas do país. Palavras não podem descrever o surrealismo de assistir a votação no Congresso do pedido de impeachment para o Senado, enquanto um membro evidentemente corrupto após o outro se endereçava a Cunha, proclamando com uma expressão séria que votavam pela remoção de Dilma por causa da raiva que sentiam da corrupção.

Como o The Guardian reportou: “Sim, votou Paulo Maluf, que está na lista vermelha da Interpol por conspiração. Sim, votou Nilton Capixaba, que é acusado de lavagem de dinheiro. ‘Pelo amor de Deus, sim!’ declarou Silas Câmara, que está sob investigação por forjar documentos e por desvio de dinheiro público.”

Mas esses políticos abusaram da situação. Nem os mais poderosos do Brasil podem convencer o mundo de que o impeachment de Dilma é sobre combater a corrupção – seu esquema iria dar mais poder a políticos cujos escândalos próprios destruiriam qualquer carreira em uma democracia saudável.

Um artigo do New York Times da semana passada reportou que “60% dos 594 membros do Congresso brasileiro” – aqueles votando para a cassação de Dilma- “enfrentam sérias acusações como suborno, fraude eleitoral, desmatamento ilegal, sequestro e homicídio”. Por contraste, disse o artigo, Rousseff “é uma espécie rara entre as principais figuras políticas do Brasil: Ela não foi acusada de roubar para si mesma”.

O chocante espetáculo da Câmara dos Deputados televisionado domingo passado recebeu atenção mundial devido a algumas repulsivas (e reveladoras) afirmações dos defensores do impeachment. Um deles, o proeminente congressista de direita Jair Bolsonaro – que muitos esperam que concorra à presidência e em pesquisas recentes é o candidato líder entre os brasileiros mais ricos – disse que estava votando em homenagem a um coronel que violou os direitos humanos durante a ditadura militar e que foi um dos torturadores responsáveis por Dilma. Seu filho, Eduardo, orgulhosamente dedicou o voto aos “militares de 64” – aqueles que lideraram o golpe.

mulherescomdilma

Até agora, os brasileiros têm direcionando sua atenção exclusivamente para Rousseff, que está profundamente impopular devido à grave recessão atual do país. Ninguém sabe como os brasileiros, especialmente as classes mais pobres e trabalhadoras, irão reagir quando virem seu novo chefe de estado recém-instalado: um vice-presidente pró-negócios, sem identidade e manchado de corrupção que, segundo as pesquisas mostram, a maioria dos brasileiros também querem que seja cassado.

O mais instável de tudo é que muitos – incluindo os promotores e investigadores que tem promovido a varredura da corrupção – temem que o real plano por trás do impeachment de Rousseff é botar um fim nas investigações em andamento, assim protegendo a corrupção, invés de puni-la. Há um risco real de que uma vez que ela seja cassada, a mídia brasileira não irá mais se focar na corrupção, o interesse público irá se desmanchar, e as novas facções de Brasília no poder estarão hábeis para explorar o apoio da maioria do Congresso para paralisar as investigações e se protegerem.

Por fim, as elites políticas e a mídia do Brasil têm brincado com os mecanismos da democracia. Isso é um jogo imprevisível e perigoso para se jogar em qualquer lugar, porém mais ainda em uma democracia tão jovem com uma história recente de instabilidade política e tirania, e onde milhões estão furiosos com a crise econômica que enfrentam.”


Os portugueses chegam a Pindorama

Sanguessugado do Palavras Insurgentes

"Desembarque de Cabral" - Oscar Pereira da Silva Pintor brasileiro (1865-1959)


Elaine Tavares

"Desembarque de Cabral" - Oscar Pereira da Silva Pintor brasileiro (1865-1959)
"Desembarque de Cabral" - Oscar Pereira da Silva Pintor brasileiro (1865-1959)
A chegada dos portugueses à costa da Bahia foi num cálido abril de 1500, dia 22.  Os Pataxó descansavam à sombra quando as 13 caravelas comandadas por Pedro Álvares Cabral divisaram a terra. Diferentemente da região andina e do Pacífico, na costa Atlântica as comunidades não estavam em estágios avançados de organização, tampouco formavam estados. Eram grupos de coletores, caçadores e com alguma agricultura, mas bem diferenciados por múltiplas etnias.  

Na primeira visão que tiveram da costa, os 1.400 homens que formavam a esquadra de Cabral pensaram que a terra era apenas um monte, por isso, ainda à distância, deram o nome de Monte Pascoal, já que estavam próximos ao feriado cristão da Páscoa. Depois, acreditando que o monte era um ilha chamaram de Ilha de Vera Cruz. Quando foi confirmado que não era mesmo uma ilha e que fazia parte de um novo continente, o lugar foi chamado de “Terra de Santa Cruz”. Somente em 1511, com a descoberta do pau-brasil, que é uma árvore típica da Mata Atlântica, o "novo mundo" para os portugueses passou a se chamar Brasil.

Dois dias após lançarem âncora no sul do que hoje é a Bahia, os comandantes das caravelas receberam alguns representantes do grupo Pataxó - que ali habitavam - num dos barcos. Apresentados a alguns objetos de ouro, os indígenas reconheceram o metal, o que levou os portugueses a pensar que havia muito ouro por ali. Como ninguém se entendia, pois um não falava a língua do outro, é bem possível que isso fosse só um desejo dos portugueses, ansiosos por riquezas. O encontro entre portugueses e os Pataxó foi documentado pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, que enviou o relato ao rei, e no qual ficava bastante visível o choque cultural.

" O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa por estrado. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia, e nós outros que aqui na nau com ele vamos, sentados no chão, pela alcatifa. Acenderam-se tochas. Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal como se lá também houvesse prata"

Nesse trecho da narrativa de Caminha é possível perceber como tudo não passou de interpretação a partir dos desejos. E segue a carta:

"Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os havia ali. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha, quase tiveram medo dela: não lhe queriam pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; e, se alguma coisa provaram, logo a lançaram fora. Trouxeram-lhes vinho numa taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes a água em uma albarrada. Não beberam. Mal a tomaram na boca, que lavaram, e logo a lançaram fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós assim por assim o desejarmos. Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não o queríamos nós entender, porque não lho havíamos de dar. E depois tornou as contas a quem lhas dera. Então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir, sem buscarem maneira de cobrirem suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas. O Capitão lhes mandou pôr por baixo das cabeças seus coxins; e o da cabeleira esforçava-se por não a quebrar. E lançaram-lhes um manto por cima; e eles consentiram, quedaram-se e dormiram".

Quanta confiança e inocência dos Pataxó diante daqueles que seriam seus algozes.


Depois daí, tudo foi dor e destruição...

Vergonha alheia em escala planetária

GilsonSampaio


Impeachment: farsa jurídica e degradação das instituições

Via Jornal do Brasil

Dalmo de Abreu Dallari *

O tema do impeachment tem sido objeto de amplo e intenso noticiário na grande imprensa e depois da vergonhosa sessão da Câmara de Deputados, na qual, com desempenho ridículo e desmoralizante, a maioria decidiu a favor do impeachment, muitos pensam que o processo já teve início e que dentro de poucos dias estará terminado. O que tem faltado, no entanto, é uma informação sobre ponto da máxima importância que tem sido omitido pela imprensa, por ignorância ou má fé: a decisão da Câmara de Deputados apenas autoriza o Senado a iniciar o processo de impeachment, se os Senadores estiverem convencidos de que existe fundamento para isso. Isso é o que dispõe expressamente o artigo 51: “Compete privativamente à Câmara de Deputados: I. autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República...” E no artigo 52: “Compete privativamente ao Senado Federal: processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República...”. Assim, pois, a Câmara de Deputados apenas autoriza, não determina, não obriga, a instauração do processo, o que pode, inclusive, não ocorrer, se assim decidirem os Senadores.

A transmissão ao vivo da votação do pedido de impeachment da Presidente Dilma na Câmara de Deputados, ocorrida no dia 17 deste mês, foi um espetáculo deprimente e revoltante, que deveria despertar a consciência do povo brasileiro para que um bando de delinqüentes e oportunistas não tome decisões arbitrárias e antidemocráticas dizendo falar em nome do povo. O que se viu naquele dia foi a conjugação de vários fatores negativos, vergonhosos e desmoralizantes, para uma decisão que afronta o povo brasileiro porque tomada em seu nome por falsos representantes.  Basta assinalar, como um dos pontos básicos, que, contrariando os princípios da ética política e da constitucionalidade democrática, um bando de deputados, sem legitimidade e sem representatividade, porque a maioria não se elegeu com votos próprios mas na sobra de votos de terceiros, decidiu revogar um mandato concedido em eleições livres e democráticas por mais de 54 milhões de brasileiros.

Para a avaliação ética, jurídica e política da sessão da Câmara de Deputados e da decisão tomada naquela oportunidade será suficiente assinalar vários aspectos daquela encenação, a começar pela absoluta falta de autoridade e de legitimidade ética e jurídica do presidente da sessão, o deputado Eduardo Cunha, que é o Presidente da Câmara de Deputados. Contra ele existe um processo em andamento no Supremo Tribunal Federal, resultante de pedido formulado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em 16 de Dezembro de 2015. Em contato com o Ministério Público da Suíça o Procurador Janot obteve a confirmação, com dados minuciosos, de que Eduardo Cunha tem movimentado quatro contas bancárias naquele País, uma das quais tem como titular sua esposa. Denunciado ao Conselho de Ética da Câmara de Deputados pela prática de ilegalidades, entre os quais a remessa de dinheiro ao exterior por via ilegal, como também por comportamento ofensivo ao decoro parlamentar, Cunha negou a existência daquelas contas quando prestou depoimento naquele Conselho, verificando-se, portanto, que além da movimentação irregular de dinheiro no exterior e da prática de arbitrariedades e manipulação corrupta dos meios da Câmara de Deputados, ele mentiu ao Conselho de Ética.

Na ação que está em curso no Supremo Tribunal Federal o Procurador Janot pediu o imediato afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara de Deputados por falta de condições éticas e jurídicas e por considerar que permanecendo na Presidência ele irá, certamente, pressionar os parlamentares e fazer barganhas prejudicando a apuração de fatos. Além disso, como já tem sido assinalado por jornalista e militantes políticos, sua permanência na Presidência da Câmara de Deputados, sendo réu em ação criminal, acarretará a desmoralização do Parlamento.  O processo teve como Relator o Ministro Teori Zavascki, que no dia 2 de Março proferiu seu voto. Num texto objetivo e minucioso de 79 páginas, afirma o ilustre Ministro que existem elementos básicos para o recebimento da denúncia. Segundo ele, “a materialidade e os indícios de autoria relativos aos crimes de lavagem de dinheiro, elementos básicos para o recebimento da denúncia, encontram-se presentes”. Acrescenta, ainda, que a análise dos autos mostra que há indícios robustos para receber a denúncia, pois “os elementos colhidos confortam sobejamente o possível cometimento de crime de corrupção passiva majorada (artigo 317, caput e § 1º, do Código Penal”. Isso ao incorporar-se à engrenagem espúria protagonizada pelo então diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, bem como dela se fazendo beneficiário”. O Supremo Tribunal concluiu que há base para o processo, mas não determinou o afastamento de Cunhada presidência da Câmara.

    Quanto ao desempenho dos deputados naquela sessão, praticamente a unanimidade dos que acompanharam a transmissão feita pela televisão tem manifestado indignação e decepção, pelo baixíssimo nível das manifestações de grande número dos parlamentares. Demonstrando baixo nível intelectual, falta de consciência da responsabilidade de atuar como membro de uma das Casas do Parlamento, muitos declararam os seus votos com palavras que iam do ridículo à revelação de pertencerem a bandos que tiveram acesso a um alto cargo do sistema político-representativo brasileiro por via ilegítima introduzida na legislação eleitoral. Com efeito, muitos manifestaram o seu voto, quanto à proposta de impeachment, dizendo que tomavam sua decisão para agradar as avós, os netos, as mães, os filhos, as cunhadas, os tios e os sobrinhos. E com isso fizeram lembrar o comportamento dos integrantes da máfia italiana, que se dizem membros de uma “famiglia”.  A par disso, houve manifestações de homenagem a criminosos contra a humanidade, como fez o deputado Jair Bolsonaro, que ao votar fez o louvor de um criminoso que foi reconhecido e condenado como um dos mais violentos e desumanos torturadores durante o período da ditadura militar. A esses desvios acrescentaram-se ainda as manifestações simuladamente religiosas de membros  de diferentes organizações, sendo oportuno lembrar que o próprio Presidente da Câmara de Deputados se apresenta como evangélico.


Um dado muito expressivo e de fundamental importância é que nenhum dos que votaram a favor do impeachment disse qual era a base jurídica das acusações contra a Presidente Dilma Rousseff, nem como fundamentavam suas posições. Assim, pois, pela absoluta falta de fundamentação jurídica é muito provável que o Senado, tendo recebido a autorização para instaurar o processo de impeachment, reconheça a absoluta precariedade das alegações e decida não dar continuidade a essa farsa. Certamente os Senadores presenciaram, diretamente ou pela televisão, a desmoralizante sessão da Câmara de Deputados e não irão contribuir para a degradação do sistema representativo brasileiro.  

sábado, 23 de abril de 2016

'Não creio em coincidências', diz analista sobre interesse dos EUA na queda de Dilma

Via Rede Brasil Atual

Para Analúcia Danilevicz Pereira, da UFRGS, mídias sociais podem e são utilizadas como ferramentas de desestabilização

Eduardo Maretti


Dilma Rousseff e Barack Obama - Créditos: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

A tentativa de derrubar a chefe de Estado brasileiro, que evolui a passos largos, não está dissociada dos interesses norte-americanos. Não fosse isso, o pré-candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata, Bernie Sanders, não teria afirmado que seu país "não pode continuar derrubando governos na América Latina", embora não tenha citado a conspiração contra Dilma, diz Analúcia Danilevicz Pereira, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em entrevista à RBA.

"O que a gente pode inferir disso tudo? Que realmente há interesse numa mudança no governo brasileiro. O próprio PMDB já divulgou um relatório com aquilo que eles pretendem fazer, caso assumam o governo. A principal ameaça é a reforma do Estado, a privatização, mudar a política nacional e redirecioná-la àquilo que foi no passado", diz a professora.

Para ela, as mídias sociais desempenham hoje um papel importante nas estratégias de desestabilização de nações que incomodam os Estados Unidos. "Todas as mídias sociais, seja Facebook, Twiter ou WhatsApp, são formas de intervenção", afirma. "É uma forma muito eficiente de fragmentar uma sociedade."

Logo após as eleições de 2014, Frederick William Engdahl, intelectual de Princeton e pesquisador de economia, geopolítica e geologia, escreveu um artigo intitulado "Presidente do Brasil é o próximo alvo de Washington". Nele, Engdahl escreveu: "A razão pela qual Washington quer se livrar de Rousseff é clara. Como presidente, ela é uma das cinco cabeças dos Brics que assinaram a formação de um crédito de US $ 100 bilhões do Banco de Desenvolvimento".

"É interessante observar que a mesma coisa (que se passou no Brasil) aconteceu na chamada Primavera Árabe", também diz a professora da UFRGS. Leia a entrevista:

Existem indícios ou sinais de que o golpe no Brasil interessa aos Estados Unidos?

Algumas ações indicam o interesse muito claro em uma mudança de poder no Brasil. Já um tempo atrás – as pessoas acabam esquecendo –, houve denúncias que vazaram pelo Wikileaks sobre espionagem em uma das principais empresas brasileiras, que é a Petrobras, e o próprio monitoramento da presidente da República.. Logo em seguida, inicia-se um processo de denúncias em torno das atividades dentro da empresa.

Os Estados Unidos estão presentes em diferentes países e das mais diferentes formas. No Brasil, seja por meio da utilização de alta tecnologia, que permite espionagem, seja por meio de figuras que de fato atuam dentro do país e tentam se aproximar do governo. Isso pode acontecer por meio de organizações não governamentais, por exemplo. A igreja evangélica norte-americana tem um poder financeiro e de atuação internacional muito grande. Não é pro acaso que a Igreja Evangélica no Brasil foi ganhando terreno político. Ou seja, são ações que não são facilmente confirmadas, concretamente, mas sabemos que existe.

O Brasil estava consolidando seu poder nacional, e acumulando condições de projeção de poder internacional. Aí ele se torna um problema para os Estados Unidos. Anunciamos, um tempo atrás, a autonomia em relação à produção de petróleo, houve a questão relacionada ao pagamento da dívida externa. Foram várias declarações de autonomia que, evidentemente, incomodam os Estados Unidos.

Então, o que a gente pode inferir disso tudo? Que realmente há interesse numa mudança no governo brasileiro. O próprio PMDB já divulgou um relatório com aquilo que eles pretendem caso assumam o governo. A principal ameaça é a reforma do Estado, a privatização, mudar a política nacional e redirecioná-la àquilo que foi no passado. As evidências existem, mas como vamos fundamentar, documentar isso? Isso faz parte de relações que começam a ocorrer de uma nova forma, mas que reproduzem velhos mecanismos de controle e monitoramento externo, evidentemente.

Bernie Sanders, esta semana, disse que seu país precisa parar de derrubar governos na América Latina, embora não tenha citado o Brasil…

Sim, este interesse existe. E assim se consegue capitalizar e abrir espaço para que a oposição, que estava extremamente fragilizada, consiga rapidamente um espaço de atuação. Se nós formos considerar o momento em que essas coisas acontecem, mais claramente a partir de 2013, em três anos a oposição virou o jogo no Brasil.

Claro que essas coisas foram se processando há mais tempo. Tem uma análise que a gente precisa fazer, que é a seguinte: o primeiro governo Lula foi relativamente duro no sentido de dar continuidade a políticas iniciadas pelo PSDB. Mas a segunda gestão foi social. Acho que isso fez parte de um pacto político. A partir daí se fortaleceram possibilidades importantes do Brasil se consolidar como um polo de poder na América Latina. E foi aí que as coisas começaram a se tornar um incômodo.

A visita do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) a Washington (para onde viajou no dia seguinte à sessão da Câmara que aprovou a admissibilidade do processo de impedimento de Dilma Rousseff) tem a ver com tudo isso, ou é uma simples coincidência?

Não tem nenhuma coincidência. Eu não acredito em coincidências. Tudo é um grande jogo político. O próprio juiz Sérgio Moro tem instrução norte-americana. Moro estudou, teve contato muito próximo com o Departamento de Estado norte-americano.

O problema é que as coisas acabam acontecendo muito nos bastidores e a mídia divulga aquilo que interessa. Os grandes meios de comunicação não estão isentos na oferta de informação. Existe esse trânsito de políticos brasileiros nos EUA, as conversas que não vamos realmente ter como documentar. Não podemos esquecer que o Brasil tem recursos importantes e, no momento em que as empresas estatais se fortalecem, minimizam o poder de atuação de empresas estrangeiras. A gente pode observar que todo o movimento foi no sentido de quebrar todas as principais empresas nacionais, sejam elas públicas, mistas ou até privadas, mas que tinham projeção internacional. Esse movimento evidentemente está ligado aos interesses norte-americanos.

Frederick William Engdahl faz uma associação entre o crescimento das manifestações populares a partir de 2013 e a queda da popularidade da Dilma, que coincidiu, segundo ele, com a "desestabilização via Twitter" e a presença do vice dos Estados Unidos, Joe Biden, naquele momento no Brasil…

Os principais controles da tecnologia da informação, e não é só um controle técnico, mas também o controle da tecnologia e da forma como essa tecnologia está aplicada, isso tudo está nas mãos das empresas americanas. E isso é tão forte que, por exemplo, elas ousam obstruir qualquer medida legal dentro de um Estado. Há uma intervenção aceita, uma intervenção que consegue burlar as condições soberanas de um Estado, sem grandes conflitos.

Todas as mídias sociais, seja Facebook, Twiter ou WhatsApp, são formas de intervenção, no momento em que a tecnologia vai ser usada sem nenhum respeito às legislações nacionais. Mais uma vez: as coisas não são coincidência. Essas mídias são uma forma de estabelecer agendas políticas que mobilizam a sociedade de uma maneira geral.

É interessante observar que a mesma coisa aconteceu na chamada Primavera Árabe, quando muito se falou na importância e no papel benéfico das mídiais sociais nas mobilizações. As pessoas que foram mobilizadas são as que tem acesso à internet. E a grande maioria das populações dos países em desenvolvimento não têm acesso à internet. Isso é um dado. Estamos falando de mobilizações de determinadas classes sociais que acabam representando uma vontade popular ou definindo-se como representante de uma vontade popular, e isso não é uma realidade.

Então a associação feita por Engdahl faz sentido?

E vou te dizer mais: hoje, (as mídiais sociais) têm um papel nefasto para a definição ou pelo menos a manutenção de projetos nacionais. É uma forma muito eficiente de fragmentar uma sociedade. Criam-se agendas que vão ser seguidas por determinados grupos, e isso vai aparecer para o grande público como uma representação ampla da sociedade, e não é. Na verdade é uma falácia.

Por exemplo, manifestantes a favor do impeachment. Aí mostram aquela massa em determinada cidade como se aquilo ali representasse efetivamente uma vontade popular. E na verdade você tem ali determinados grupos muito claramente identificáveis, com um pouco de boa vontade. Isso é muito complicado, porque tem a ver com a soberania nacional, com as condições de um país de regular o acesso à internet, de regular aquilo que é interessante ou não. Toda vez que se discute isso, se discute como se a internet fosse o espaço mais democrático do mundo, e ela não é. Temos alunos fazendo pesquisa sobre isso e fica claro, no levantamento de dados, que quem controla a tecnologia e a utilização dessa tecnologia são fundamentalmente Estados Unidos, França e Inglaterra.


Os outros países, quando tentam criar suas alternativas, são taxados de ditaduras. Como a China, por exemplo, que tem todo seu regulamento para a utilização da internet. Porque se tem consciência disso, de que esse é um espaço controlado por um determinado grupo de países. Mas essa discussão não é pública. Ao contrário. A gente costuma dizer que a internet é um espaço democrático, mas ela não é. É altamente controlado por um grupo de praticamente três países.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Todo o poder pra jabuticaba escrota. Viva a rainha da inglaterra

GilsonSampaio


O golpe vai implantar uma jabuticaba pra lá de escrota: parlamentarismo legislativo. 

Ao contrário do parlamentarismo corrente onde o presidente dissolve o parlamento diante de uma crise insuperável, aqui o 'dissolvido' é a presidência eleita pelo voto.


E sendo assim deixemos de hipocrisia e acabemos logo com esse esforço e essa despesa inútil com eleições presidenciais.



E, como o senado tem poderes para cassar ministros do STF a jabuticaba escrota pode até perpetuar seus pares na hierarquia da quadrilha.


Via a Rainha da Inglaterra

Carta aos Ministros do Supremo

Sanguessugado do GGN


Luis Nassif



Como é que faz, Teori, Carmen Lúcia, Rosa Weber, Celso de Mello, Luís Barroso, Luiz Fachin? Como é que faz? Não mencionei Lewandowski e Marco Aurélio por desnecessidade; nem Gilmar, Toffoli e Fux  por descrença.

Antes, vocês estavam sendo levados por uma onda única de ódio preconceituoso, virulento,  uma aparente unanimidade no obscurantismo, que os fez deixar de lado princípios, valores e se escudar ou no endosso ou na procrastinação, iludindo-se - mais do que aos outros - que definindo o rito do impeachment, poderiam lavar as mãos para o golpe.

Seus nomes, reputações, são ativos públicos. Deveriam  ser utilizados em defesa do país e da democracia; mas, em muitos casos, foram recolhidos a fim de não os expor à vilania.

Afinal, se tornaram Ministros da mais alta corte para quê?

Os senhores  estarão desertando da linha de frente da grande luta civilizatória e deixando a nação exposta a esse exército de zumbis, querendo puxar de novo o país para as profundezas.

Não dá mais para disfarçar que não existe essa luta. Permitir o golpe será entregar à selvageria décadas de construção democrática, de avanços morais, de direitos das minorias, de construção de uma pátria mais justa e solidária.

A imprensa mundial já constatou que é golpe. A opinião interna está dividida entre os que sabem que é golpe, e defendem o impeachment; e os que sabem que é golpe e reagem.

Desde os episódios dantescos de domingo passado, acelerou-se uma mudança inédita na opinião pública. Reparem nisso. Todo o trabalho sistemático de destruição da imagem de Dilma Rousseff de repente começou a se dissolver no ar.

Uma presidente fechada, falsamente fria, infensa a gestos de populismo ou de demagogia, distante até, de repente passou a ser cercada por demonstrações emocionadas  de carinho, como se senhoras, jovens, populares, impotentes ante o avanço dos poderosos, a quisessem proteger com mantos de afeto. Abraçaram Dilma como quem simbolicamente abraça a democracia. E os senhores, que deveriam ser os verdadeiros guardiões da democracia, escondem-se?

Antes que seja tarde, entendam a verdadeira voz das ruas, não a do ódio alimentado diuturnamente por uma imprensa que virou o fio, mas os apelos para a concórdia, para a paz, para o primado das leis. E, na base de tudo, a defesa da democracia.

A vez dos jovens

Aproveitei os feriados para vir para minha Poços de Caldas. Minha caçula de 16 anos não veio. O motivo: ir à Paulista hipotecar apoio à presidente. A manifestação surgiu espontaneamente pelas redes sociais, a rapaziada conversando entre si, acertando as pontas, sem a intermediação de partidos ou movimentos. Mas unida pelos valores da generosidade, da solidariedade, pelas bandeiras das minorias e pelo verdadeiro sentimento de Brasil.

São esses jovens que irão levar pelas próximas décadas as lições deste momento e – tenham certeza - a reputação de cada um dos senhores através dos tempos. Não terá o sentido transitório das transmissões de TV, com seus motes bajulatórios e seu padrão BBB.  Na memória desses rapazes e moças está sendo registrada a história viva, tal e qual será contada daqui a dez, vinte, trinta anos, pois deles nascerá a nova elite política e intelectual do país, da mesma maneira que nasceu a geração das diretas.

Devido à censura, foram necessárias muitas décadas para que a mancha da infâmia se abatesse sobre os que recuaram no AI5, os Ministros que tergiversaram, os acadêmicos que delataram, os jornalistas que celebraram a ditadura. Hoje em dia, esse julgamento se faz em tempo real.

Nas últimas semanas está florescendo uma mobilização inédita, que não se via desde a campanha das diretas.

De um lado, o país moderno, institucional; do outro, o exército de zumbis que emergiu dos grotões. De um lado, poetas, cantores, intelectuais e jovens, jovens, jovens, resgatando a dignidade nacional e a proposta de pacificação. Do outro, o ódio rocambolesco aliado ao golpismo.


Não permitam que o golpe seja consumado. Não humilhem o país perante a opinião pública mundial. Principalmente, deixem na memória dessa rapaziada exemplos de dignidade. Não será por pedagogia, não: eles conhecem muito melhor o significado da palavra dignidade. Mas para não criar mais dificuldades para a retomada da grande caminhada civilizatória, quando a rapaziada receber o bastão de nossa geração.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Tio Sam está por trás de golpe civil contra Dilma - Moniz Bandeira (o buraco é mais embaixo)

Via Independência Sul Americana

Cesar Fonseca 

Prezado César, creio que Wall Street está por trás da crise brasileira, mas lá se sabe que Dilma dificilmente cairá. O objetivo porém é arrebentar com a economia brasileira e comprar as empresas a preço de banana. É tudo o quanto sei, meu caro César. O PSDB já apresentado na imprensa alemã como partido de direita. Abs., Moniz

O consagrado cientista político e historiado brasileiro, Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor de inúmeros públicações de prestígio internacional, diz, da Alemanha, em que mora, que o golpe está em marcha, mas que os golpistas dificilmente passarão.

No momento, Moniz Bandeira completa obra sobre o que considera nova guerra fria em que o império contiinua com os mesmos propósitos de sempre, ou seja, manter o domínio unilateralista do mundo, resistindo aos avanços democráticos, por meio de escaramuças capazes de minas as forças nacionais em todo o globo, enquanto tenta abocanhar resultados econômicos e financeiros em escala crescente, a partir do domínio do dólar como moeda equivalente internacional, papel que exerce desde final da segunda guerra mundial, com o acordo de Bretton Woods, em 1944. A força do dólar, porém, segundo o professor, vai sendo minada tanto pela crise internacional de sobreacumulação de capital como pela estruturação dos BRICs, cujo banco de desenvolvimento, começa a se transformar em alternativa às instituições financeiras imperialistas criadas por EUA, como Banco Mundial e FMI. Vale dizer, o mundo está em guerra econômica acirrada. E países, como o Brasil, riquíssimo, não deixa de ser alvo preferencial de Wall Street, para ser vítima dos assaltos especulativos se sempre, sempre com apoio de mídia golpista e de classe política antinacional, como se verifica no andamento do presente golpe civil contra Dilma e as forças nacionalistas.

Os personagens são os mesmos do passado

Todos ligados a Tio Sam.
Todos empenhados em defender interesses antinaacionais.
Todos engajados nas causas antinacionalistas.
Estão, portanto, a serviço de quem?
Evidentemente, de quem não interessa a afirmação dos interesses nacionais.
A genealogia dos golpistas de hoje seguem os passos dos golpistas do ontem.
Empenham-se, todos, contra uma causa comum: são combatentes antinacionalistas.

Fizeram tudo para derrubar Getúlio

Criaram problemas para Juscilino Kubistichek.

Não gostavam de Jânio Quadros, porque buscava autonomia para a política externa brasileira.
Derrubaram Jango Goulart.
Destruiram o PTB varguista para evitar Brizola como herdeiro do nacionalismo getulista.
Não engoliram satisfatoriamente o ex-presidente Lula, nascido no operariado.
E, em relação, a Dilma, guerrilheira contra ditadura militar, é o que se sabe: FBI e CIA espionaram e continuam espionando seu governo.
Declaram abertamente disposição de tirá-la do poder, depois de um início cheio de tergiversações, até que a fantasia foi inteiramente rasgada.


As ligações da oposição, empenhada no golpe, não deixa dúvida. Fazem o que Tio Sam quer

Durante a campanha eleitoral, o candidato Aécio Neves, tucano, mineiro, esteve nos Estados Unidos várias vezes.
Convescotes com Wall Street, grandes empresários associados à bancocracia especulativa internacional.
O braço direito de Aécio, na economia, se tivesse ganhado eleição, seria Armínio Fraga, discípulo e sócio de George Soros, especulador internacional.
Como diretor do BC, no Governo Collor, Armínio tomou todas as providências para derrubar restrições internas à penetração do capital especulativo internacional nas fronteiras nacionais.
Tudo o que recomendava Washington.
 Sabia o que viria adiante.
Depois que os Estados Unidos descolaram o dólar do ouro, nos anos 1970-80, deixando a moeda flutuar, exigiram desregulamentação geral das finanças das colonias capitalistas periféricas dependentes, eternamente dependuradas nos empréstimos internacionais e nos juros, arma de dominação global.

O jogo do entreguismo arminiamo é o grande golpe nas finanças nacionais

Tio-Sam-07Adubaram caminho da financeirização econômica global, altamente, ou melhor, puramente, especulativa, que acabaria, como se sabe, levando a economia mundial ao crash de 2008.
A financeirização especulativa desorganizaria as finanças globais, intensificando prejuízos, especialmente, sobre as periferias capitalistas, acusadas de incompetentes para gerir governos sob propostas nacionalistas, como aconteceu e acontece com governos sul-americanos nacionalistas.
Só merecem apoio e são chamadas de competentes as administrações obedientes a Washington.
A grande mídia, como sempre, endossa o ponto de vista dos especuladores, taxando de incompetentes quem busca alternativas próprias soberanas, partindo para a ironização e deboche.
Consideraram nova matriz macroeconômica reação de Dilma Rousseff às guerras cambiais e monetárias, expressas em expansão de oferta de moedas, para derrubar juros e combater dívidas, nos países capitalistas ricos, enquanto as periferias eram obrigadas a engolir os estragos em forma de juros altos, câmbios prejudiciais aos interesses nacionais etc.

Golpistas se irritam com a melhor distribuição da renda nacional

Tio-Sam-07Só pode ser considerado competente quem segue a regra de Tio Sam, dos bancos, de Wall Street – o tripé neoliberal: câmbio flutuante, metas inflacionárias e superavits primários extorsivos.
O que Tio Sam, sobretudo, não suporta é que governos petistas, nos últimos 13 anos, melhoraram o padrão de vida da maioria da população.
Melhor distribuição de renda, graças a políticas salariais que valorizam poder de compras dos assalariados, ampliam mercado interno e consolidam, nas constituições democráticas, conquistas sociais.
Ora, isso é incompatível com a lógica capitalista de concentração de renda e exclusão social, é pecado mortal para o pensamento neoliberal, exportado para as periferias por Washington, embora, nas crises, Washington não siga jamais o que recomenda aos outros.

Nada se pode sobrepor aos interesses do mercado financeiro

Evidentemente, quanto maior for a força do mercado interno, mediante ampliação do  poder de compra dos mais pobres, somada aos programas sociais que, praticamente, acabaram com a fome no Brasil, com iniciativas tipo Bolsa Família, ao lado de outras, como Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, Farmácia Popular etc, maior a participação social no bolo do orçamento geral da União em detrimento dos interesses ligados ao capital financeiro.
As políticas sociais fizeram com que os mais pobres ampliassem sua participação no bolo da riqueza, como tradução da melhor distribuição da renda, algo que leva à reação conservadora as  oligarquias financeiras que abocanham, ainda, hoje, metade do orçamento geral da União, na tarefa de derrubar governo que sinaliza continuidade dessa estratégia.
É o que acontece com o governo Dilma, com apoio do Congresso.
A decisão, nessa semana, dos congressistas de aprovarem deficit fiscal de quase R$ 120 bilhões, em vez de atender demanda dos credores, para fixar superavit primário orçamentário, custe o que custa, evidencia a lógica de ampliação das forças sociais no orçamento geral da União.

O Congresso, na prática, derrubou o tripé neoliberal recessivo

Os congressistas resistiram em destruir programas sociais para que os credores continuem abocanhando metade do OGU, estimado, esse ano, em R$ 2,8 bilhões; apenas para pagamento de juros e amortizações, a banca leva 45,11%, algo em torno de R$ l, 3 trilhão.
Não interessa aos antinacionalistas, os que estão por trás do golpe civil contra Dilma Rousseff, continuidade de perfil de governo que prioriza o social para governar em vez de atender, prioritariamente, o lado financeiro, especulativo, que se monta no ambiente em que vigora a maior taxa de juro no mundo, como fruto de guerras cambiais detonadas pelos BCs dos países ricos, com suas políticas monetárias expansionais.

O papel da grande mídia é confundir, não fazer jornalismo honesto

A grande mídia, serviçal dos especuladores, rendida, incondicionalmente, às regras do mercado financeiro, bombardeia a população com a informação falsa de que os desajustes são produzidos pelos excessos de gastos do governo com os programas sociais, distributivos de renda.
Por isso, o ajuste tem que ser feito em cima desses gastos sociais e não, claro, em cima dos gastos financeiros; aqueles, quanto mais se expandem, mais produzem arrecadação e investimento; estes, os gastos especulativos com a dívida, quanto mais aumentam, mais aumenta a pobreza da população, expoliada pela ampliação da concentração de renda especulativa.

Pedaladas melhorar a vida do povo, por que não?

As pedaladas fiscais, motivo levantado pelos golpistas, apoiados pela grande mídia, como fruto da incompetência governamental, não são outra coisa que a afirmação governamental pela política social.
Por que o governo Dilma não assume totalmente as pedaladas, dizendo que, sim, pedalou a favor do povo?
O governo lançou mão dos bancos públicos para cobrir déficits momentâneos nas contas sociais, afetadas, evidentemente, pela expoliação financeira decorrente das despesas com juros que sangram as contas nacionais em proporção infinitamente superior aos desembolsos com programas sociais.

Monta-se a armação de que as pedaladas são inconstitucionais, como desejam os golpistas que os gastos sociais sejam extirpados do orçamento, a exemplo do que ocorre no programa neoliberal que a direita do PMDB, com o vice Michel Temer à frente, prepara, apoiada, amplamente, pela oposição golpista.