quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

MAIS UM CRIME DE LESA PÁTRIA (I)

feicibuqui do Francisco Costa


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Olhando a nossa história, vemos que é uma história de pirataria e saque, onde sempre fomos as vítimas, os lesados.

Quando colônia de Portugal foi-se o pau brasil, o ouro, pedras preciosas... Mas não temos muito do que reclamar, ainda não éramos Brasil, mas uma colônia, parte de Portugal.

Independente de Portugal, já estruturado um país, o saque continuou, agora com a Europa se alimentando às nossas custas, da nossa agricultura, onde sobressaiu o açúcar, continuando a evasão do ouro e das pedras preciosas.

Veio a chamada Revolução Industrial, o declínio econômico de Portugal e Espanha e a ascensão da Inglaterra como potência.

Com a invenção das máquinas, a economia foi redirecionada e o coração, o eixo, a sustentação de todas as economias do mundo passou a ser os minérios e logo o mundo descobriu que o Brasil é uma grande mina.

O saque se acelerou e agora era o ferro, o alumínio, ainda o ouro... Explorados por empresas inglesas, sem o menor controle nosso, saindo em quantidade imensa, a preço vil, quando não contrabandeado.
Observe o absurdo: por muitos anos o Uruguai foi o maior exportador de ouro do mundo, com um detalhe: em solo uruguaio não existe uma única grama de ouro. Todo o ouro exportado pelo Uruguai era o ouro brasileiro, que atravessava a fronteira, clandestinamente, contrabandeado ou simplesmente roubado.

Nos fim da década de quarenta e durante os anos cinqüenta do século passado, tivemos um período nacionalista, quando criamos estatais, para explorar as nossas riquezas minerais (Petrobras, Vale do Rio Doce) e agregar valor, industrializando o minério aqui (Cia Siderúrgica Nacional), além de terem criado leis protecionistas, garantindo que o nosso patrimônio gerasse riquezas que promovessem o desenvolvimento do país e seu povo.

Com a diversificação das economias e a sofisticação tecnológica, cresceu a importância de minérios até então quase inúteis porque quase sem uso. Acontece que esses minérios existem em pequenas quantidades no planeta, alguns deles sendo raríssimos e só existentes em solo e subsolo brasileiros, caso do nióbio.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, um país saiu fortalecido e, economia jovem, de acelerado desenvolvimento, teve nos minérios brasileiros a espinha dorsal do seu desenvolvimento, os Estados Unidos, mas havia a legislação nacionalista, brasileira, de Getúlio Vargas e os que o sucederam, e uniram-se a elite brasileira, os serviços de inteligência norte-americanos, as grandes corporações multinacionais, e subornando as nossas Forças Armadas, interromperam o ciclo nacionalista, iniciando a ditadura militar, com o propósito de abrir as nossas fronteiras e permitir que voltássemos à situação anterior a Getúlio, reduzindo-nos a uma grande mina multinacional, onde podiam tirar tudo de tudo, sem controle nosso.

Dois exemplos emblemáticos foram o caso do nióbio, mineral altamente estratégico, caro e raro, com 99% das reservas mundiais no Brasil, que os generais doaram para um banco, Banco Moreira Salles, em troca de apoio econômico, financiamento e propinas, aos órgãos de repressão.

Posteriormente um dos herdeiros desse banco casou-se com a senhora Neves, mãe do senador Aécio Neves, e hoje a família Neves é dona do monopólio de exploração do nióbio, sem o menor controle estatal.

O manganês é outro minério relativamente raro e foi praticamente todo levado para os Estados Unidos, onde está estocado e atende à demanda norte americana pelos próximos trinta anos.

Para se ter uma idéia de como o negócio acontecia, esse minério era explorado na Serra do Navio, no Amapá, e o porto de saída também ficava na área, vedada ao acesso de brasileiros que não trabalhassem lá.

Em uma oportunidade, o governador desse estado, após receber denúncias, de surpresa resolveu visitar a área, sendo barrado por guardas norte-americanos armados, seguranças da mineradora, e o governador não entrou.

Um executivo dessa mineradora afirmou que se fosse feito um aterro no Atlântico, com dez metros de largura, automóveis poderiam ir do Brasil à Nova Iorque trafegando por esse aterro, o que dá a dimensão do que foi a ditadura militar, gerente dos interesses multinacionais no Brasil, e chegamos ao governo FHC, mas disso falarei logo mais, em novo artigo, até chegarmos ao governo atual, não menos lesa pátria que a ditadura militar e FHC.




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