sábado, 19 de novembro de 2016

País vive clima de fim de feira: que falta ainda?

Sanguessugado do Balaio do Kotscho


Na segunda-feira, ao escrever sobre o que nos esperava depois do feriadão, deixei aqui uma pergunta: "O que falta ainda?"

A resposta veio mais rápido do que se poderia esperar, como vimos no dia seguinte ao aniversário da Proclamação da República, uma sucessão de acontecimentos da maior gravidade.

A quarta-feira, 16 de novembro de 2016, vai ficar marcada na história como mais um "dia de cão", como podemos ver no breve resumo abaixo:

* No Rio, novo confronto violento entre policiais e servidores públicos rebelados diante da Assembléia Legislativa contra o pacote de arrocho lançado pelo governador Pezão para salvar o Estado, que está falido.

* Em Brasília, um grupo de vândalos ensandecidos, quebra as portas de vidro, invade o plenário da Câmara dos Deputados e sobe na Mesa Diretora para pedir aos berros a volta dos militares.

* A Polícia Federal prende Garotinho, o ex-governador do Rio acusado de compra de votos nas últimas eleições, no auge da Operação Lava Jato, que nesta quinta-feira, logo cedo, levou também Sergio Cabral, outro ex-governador carioca.

* No Supremo Tribunal Federal, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski encenam um áspero bate boca, um acusando o outro de decisões heterodoxas.

* O delator Alberto Youssef, que deu início à Lava Jato, deixa a cadeia e vai morar na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais chiques de São Paulo.

* Na Câmara dos Deputados, parlamentares de vários partidos tramam para transformar o projeto de medidas contra a corrupção num pacote da impunidade, com a anista do caixa dois em eleições passadas.

 País vive clima de fim de feira: que falta ainda?

Neste clima de fim de feira, com governantes, políticos e partidos desacreditados, caminhamos para um estado de anomia social, que poderá desaguar numa convulsão, como alertou o professor Aldo Fornazieri, em entrevista a Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News.

Parece que ninguém está se dando conta do perigo que todos estamos correndo à beira do vulcão desta confluência das crises política, econômica e social, que envolve os três poderes, como se tudo isso estivesse acontecendo muito longe daqui, em outro país.

De fato, vivemos em mundos cada vez mais diferentes _ o de Brasília, com todos só preocupados em salvar a própria pele, e o do resto do país, absolutamente perplexo, tentando sobreviver em meio ao caos institucional, apenas seis meses após a traumática troca de governo, que prometia a pacificação e a união dos brasileiros.

Sem saber mais o que dizer diante deste cenário desolador, encerro com a mesma pergunta: o que falta ainda?


Faltam apenas 44 dias para este 2016 acabar. Pode ser uma eternidade.

Um comentário:

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