quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Quando o neoliberalismo e o (neo)totalitarismo se encontram

Sanguessugado do Ulysses Ferraz



O Brasil na era Fora Temer conseguiu reunir a pior combinação possível: a conjunção do neoliberalismo, na sua pior versão rentista, com o velho monopolismo e o (neo)totalitarismo.

Aqui na terra das primeiras damas filantrópicas, defensores do livre mercado flertam com a concentração do capital e com a formação de oligopólios. Nossos industriais se esbaldam com receitas de aplicações financeiras, com revenda de importados e com a especulação imobiliária. E têm horror a qualquer projeto de política industrial.

Aqui na terra do encarceramento sumário, profissionais do Direito, que se dizem filiados à tradição iluminista e ao liberalismo político, evocam Deus em suas argumentações, afrontam a laicidade do Estado, toleram práticas processuais abusivas e apoiam a truculência policial.

Nossos juízes atacam a liberdade de expressão e promovem a censura velada. Juram pela equidade e pela justiça, mas praticam a condenação seletiva e a omissão na defesa da Constituição Federal.
Nossos chefes do Executivo subordinam os fins aos meios. Privilegiam o acessório em detrimento do principal. Nossos economistas e jornalistas se autointitulam defensores da "modernidade", mas fundamentam seus argumentos em teorias econômicas obsoletas e ultrapassadas.

E nossa classe média, juntamente com a classe trabalhadora, apoia quem apoia a precarização do trabalho e a extinção dos mais básicos direitos de cidadania. Além de se manifestar democraticamente pela volta da ditadura militar.

O Brasil de hoje é um curioso caso de contradição em seus próprios termos. Exemplo raro na história, talvez só encontrado no Chile de Pinochet. A par das violações aos direitos humanos, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos, o Chile se tornou o país com a maior desigualdade social no mundo. É a economia com o pior índice de Gini, que mede o grau de contração de renda. O paraíso do 1% mais rico.

E no Brasil, como será o amanhã? A julgar pelo presente, o futuro promete ser sombrio. A construção da ponte para a degradação social avança a passos largos. Nosso dever mais urgente como cidadãos e democratas é defender a democracia antes que seja tarde demais. Resgatá-la. Aprofundá-la. Protegê-la. E levá-la a sério de uma vez por todas.


A ação democrática radical é o único antídoto eficaz contra o Estado de exceção em que hoje vivemos. É preciso ocupar todos os espaços. Diante da escalada do autoritarismo não há negociação possível.

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