sexta-feira, 21 de outubro de 2016

BREVÍSSIMO TRATADO DE COXINOLOGIA TÓXICA


Brevíssimo tratado de Coxinologia tóxica

Rogério Cerqueira Leite 

Brevíssimo tratado de Coxinologia tóxica
Brevíssimo tratado de Coxinologia tóxica
Brevíssimo tratado de Coxinologia tóxica
Brevíssimo tratado de Coxinologia tóxica

É preciso deixar claro de início que o surto de Coxinoplasia aguda atual do Brasil é um fenômeno atípico, embora já tenha ocorrido algumas vezes no passado. Uma das mais violentas e perniciosas dessas epidemias acossou a burguesia brasileira nas décadas de 40, 50 e 60 e é identificado pela sigla UDN. Em primeiro lugar é preciso saber que Coxinha não é uma espécie, mas um gênero com várias espécies. O coxinha é um protozoário oportunista. Fica latente no seu hospedeiro durante anos. Quando este fica deprimido ou com seu sistema imunológico abatido por um acidente econômico qualquer, o coxinha prolifera e se espalha tornando-se uma ameaça para o hospedeiro enfraquecido.

Abaixo descrevemos algumas das espécies mais abundantes. A taxonomia do gênero todo ainda não está cientificamente estabelecida, embora a atividade de pesquisas sobre sua toxicidade seja intensa.

Para melhor compreensão dos leitores damos um exemplo específico de indivíduos de cada espécie:

coxinha Vulgaris. Um espécime de coxinha Vulgaris é o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Nunca se exalta, nasceu coxinha embora se faça passar por esquerda festiva. Só manifesta sua virulência quando o opositor está, ou parece estar, moribundo. É essencialmente um oportunista. Seu veneno neurotóxico, agindo lentamente e provocando morte vegetal em suas vítimas.

coxinha Splendeum é aquele que gosta de um palanque. Seu narcisismo o faz tomar posições extremas. Um exemplo de coxinha Splendeum é o agora amansado deputado Carlos Sampaio. Uma característica dessa espécie é a falta de fôlego. Da mesma forma que sobem, caem. Seu veneno é hemolítico. Causa pústulas no local. O perigo é de gangrena.

coxinha Terribilis. Esta espécie transpira ódio. É visceral. Não se contém. Ataca furiosamente a presa, ou melhor, o hospedeiro. Transgride todos os limites da civilidade e da ética. Exemplo de coxinha Terribilis é o Senador Aloysio Nunes. O comportamento do coxinha Terribilis é semelhante ao de um cão hidrófobo, em que os indivíduos saem mordendo por todos os lados, enfurecidos, a baba escorrendo da boca, os olhos vermelhos, injetados. Usam, alguns deles, como armas, panelaços, palavrões, enfim, parecem loucos desvairados.

coxinha Elegans. Esta espécie tem um comportamento mais suave. É narcisista. Finge civilidade. Morde delicadamente. Mas a infecção resultante é muito difícil de debelar. Tende a se tornar permanente. O hospedeiro morre de tédio e de profunda depressão. Exemplo marcante de coxinha Elegans é o futuro Prefeito de São Paulo João Doria, que, como ninguém, sabe usar aquele suéter de grife nos ombros. Almofadinha, porém, peçonhento.


Ilustrações: charges do ilustrador Vitor Teixeira.

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