quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A prisão de Cunha é uma tautologia

Sanguessugado do Ulysses Ferraz



A prisão de Eduardo Cunha faz parte do roteiro do golpe. Aliás, roteiro bastante previsível. 

O próximo passo será varrer o PMDB do mapa. E tirar Lula da disputa eleitoral de 2018. 

O golpe sempre foi tucano. 

Sérgio Moro está sendo pressionado por uma parte significativa da sociedade civil. Há graves indícios de parcialidade e seletividade em suas decisões. 

A acusação de que Moro é "absolutamente parcial e está a serviço das classes dominantes", levantada por Rogério Cerqueira Leite, torna-se cada vez mais indefensável. 

A prisão de Cunha funciona como um álibi. E um salvo-conduto para a prisão de Lula. 

Moro teria agido corajosamente se determinasse a prisão de Aécio Neves, José Serra ou a de qualquer outro cacique do PSDB. Algo extremamente improvável. Factível talvez em outros mundo possíveis. 

Não neste. 

Acontece que Cunha é cachorro morto. 

Serviu bem ao golpe. 

Deu viabilidade processual ao impeachment. 

Mas é chegada a hora dos descartes. Dos expurgos. 

Custou a ser cassado por conveniência política. Agora é preso também por conveniência política. 

Se os critérios rígidos de prisão preventiva inaugurados por Moro fossem seguidos à risca, e com isonomia, Cunha já estaria atrás das grades há muito tempo. 

Sua prisão é um pleonasmo. 

Uma obviedade. 

Uma tautologia. 

É prender ou prender.

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