quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem criou os jihadistas: os Bush, os Clinton ou Obama?: Operação Ciclone da CIA



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Alfredo Jalife-Rahme


Tradução do espanhol:   Renzo Bassanetti

A perturbadora acusação de Donald Trump de que Obama foi o fundador dos jihadistas do Isis/Daesh tem causado um tremendo rebuliço tanto nos Estados Unidos como no resto do planeta (http://goo.gl/7yFf7p).



Já antes Trump tinha acusado sem rubor algum a Obama e sua então Secretária de Estado, Hillary, de estar por trás da proliferação jihadista (http://goo.gl/ggJvEn).



O próprio presidente russo, Vladimir Putin, tinha denunciado os EUA por se acharem por trás da revolta jihadista (http://goo.gl/I1kn6D).



Devido à comoção causada, o próprio Trump se desdisse para comentar que suas declarações eram produto do sarcasmo, para voltar a atacar um dia após e reiterar suas graves e temerárias acusações, nas quais seus seguidores, que representam no mínimo 40% do eleitorado, acreditam de pés juntos   (http://goo.gl/DgmSLv).



Mas....quem realmente criou os jihadistas?



A primeira chave se encontra na Operação Ciclone, da CIA, quando em 3 de julho de 1979 o presidente Carter autorizou, de forma secreta, 500 milhões de dólares para criar, aconselhado por Zbigniew Brzezinski, seu assessor de Segurança Nacional, um movimento de guerrilheiros islâmicos  no Afeganistão/Paquistão, com a finalidade de desestabilizar e atolar a URSS naquele cenário.



A CIA foi encarregada da Operação Ciclone, que financiou e armou aos guerrilheiros da Jihad, os legendários muhajedins de 1979, antecessores de seus filhos e netos jihadistas até 2016 (http://goo.gl/g7nggB).



Brzezinski confessou à revista francesa Le Nouvel Observateur que o objetivo da Operação Ciclone era “induzir a uma intervenção militar soviética (http://goo.gl/6gtg0l)”: no dia em que os soviéticos oficialmente cruzaram a fronteira do Afeganistão, escrevi ao presidente Carter: “agora temos a oportunidade de propiciar à URSS a sua guerra do Vietnam.



A URSS tinha feito a intervenção para apoiar o regime marxista da República Democrática do Afeganistão e, a partir do vizinho Paquistão, o General  Muhammad Zia-ul-Haq coordenou, com o apoio da CIA, os muhajedins durante a década de 80.



A propósito, Zia-Ul-Haq, que mandou executar o premier Zulficar Ali Bhutto depois de tê-lo deposto em um golpe militar, morreu em um estranho atentado aéreo, e levou todos os seus segredos para o paraíso. Para apagar rastros e rostos?



O Financiamento da Operação Ciclone pela CIA é considerado como o mais custoso e de maior duração pelos EUA: continuou 10 anos depois de seu início durante a guerra civil no Afeganistão, entre as forças de Mohamed Najibullah, da República Democrática do Afeganistão e os muhajedins glorificados pela montagem hollywoodiana do super-herói Rambo.



Os célebres serviços de espionagem do Paquistão (ISI, por sua sigla em inglês), coordenaram a intermediação de fundos, armas e treinamento militar para os muhajedins, com o que contribuíram a espionagem britânica M16 e os Serviços Aéreos Especiais da Grã-Bretanha.



A espionagem paquistanesa ISI treinou mais de 100 mil (supersic!) muhajedins. Do ISI, serviço de espionagem do Paquistão, até os caleidoscópios jihadistas do ISIS, transcorreram duas gerações da mutação cozida pela CIA e sua alquimia de monstros.



Os soviéticos abandonaram o Afeganistão, onde tiveram 14 mil mortos e mais de 50 mil feridos em 15 de fevereiro de 1989, o que resultou na queda do muro de Berlim e no colapso da URSS.



Nolan Kraszkiewicz e David Edger, da Universidade Oklahoma, avaliam a Operação Ciclone (1979-1989), que executou de forma magnífica (supersic!) os objetivos dos EUA: drenar os recursos financeiros e acabar com a URSS como superpotência. Contudo, com uma conseqüência inesperada:             Os EUA deixaram o terreno e a infra-estrutura pronta para seus novos inimigos, os talibãs, que deram refúgio seguro à Al Qaida, o que resultou no 11-S. (http://goo.gl/rjDJO2).



Diante da metástase incontrolável dos muhajedins, a então primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, advertiu Daddy Bush: estão criando um Frankenstein, e que segundo Evan Thomas, da revista Newsweek, era a “rota do 11 de setembro (http://goo.gl/rjDJO2), a  qual, com certeza, tinha sido prevista três anos antes nada menos pelo então super-espião Vladimir Putin (https://goo.gl/hZXXV1).



Juan Cole, um dos maiores arabistas dos EUA, contesta as alegações de Trump: Não, Obama não fundou o ISIS, senhor Trump: foi o Partido Republicano, já que o republicano George W. Bush criou o Daesh/ISIS.



Cole arremata: “Abu Musa al-Zarqawi, operador da Al=Qaida no Iraque durante a segunda guerra do Golfo, fundou o Isis dos escombros de sua organização muito antes de Obama ser presidente (http://goo.gl/sCQbwm)”.



Cole está mais atento em defender Obama do que em investigar e ir até as raízes do jihadismo a partir da eterna Operação Ciclone da CIA.



Obama não criou os jihadistas do ISIS/Desh – genuínos mutantes  e presentes da dupla Carter/Brzezinski -, mas os deixou renascer e proliferar de forma deliberada, em coordenação com Hillary Clinton, sua anterior e polêmica Secretária de Estado, a partir do rescaldo de seus avós e pais genealógicos: os muhajedins do binômio Afeganistão/Paquistão de 37 anos atrás. Carter, Reagan, os dois Bush (Daddy e Baby), os dois Clinton (Bill e  Hillary) e Obama, produtos do bipartidarismo imperante nos EUA (partidos Democrata e Republicano), que da mesma forma mantiveram convenientemente a chama viva a chama do terrorismo islâmico, dos muhajedins até seus filhos e netos jihadistas, em função dos propósitos geoestratégicos dos EUA, com a finalidade de debilitar as entranhas  muçulmanas das três superpotência euro-asiáticas: ontem a URSS (hoje Rússia), da mesma forma que os dois rivais geoeconômicos de Washington: China e Índia. 



Trinta e sete anos após a eclosão dos muhajedins, The New York Times admite que “a CIA apóia os rebeldes sírios na guerra sob encomenda dos EUA (http://goo.gl/m2to2l)”: filhos e netos de jihadistas pós-modernos!



O que chama a atenção é que Obama se gaba de que os jihadistas “serão inevitavelmente derrotados, mas conservarão suas redes (https://goo.gl/Mto0o4)”.



Por acaso as redes jihadistas não podem ser desmanteladas?

Será que isso significa que os EUA manterão a incubação do terrorismo islâmico por tempo indefinido, como espada de Damocles contra as entranhas maometanas do RIC (Rússia, Índia e China), conforme isso convenha a seus interesses geoestratégicos na Eurásia?


O inexorável tempo concedeu a razão histórica à ex-premier Benazir Bhutto, também assassinada e filha do executado premier Zulfikar Ali, sobre o Frankenstein criado pela CIA.


O tal Frankenstein resulta de um programa estruturado desde a época de Carter, em 1979, através da Operação Ciclone, passando seqüencialmente por Reagan, pelos Clinton e por Bush, vindo até agora com Obama depois de 37 anos, não tendo variado em sua essência geoestratégica: descarrilar a Rússia, incluindo as entranhas islâmicas da China e da Índia, dependendo de como estas se comportem diante dos interesses geoeconômicos e geoestratégicos dos EUA com os jihadistas do ISIS, como o fizeram ontem seus avós e pais muhajedins do ISI com a URSS.

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