segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ó Tempora... O espião do Exército, a cassação de Cunha, a confissão do AGU


Bob Fernandes 




Por necessidade técnica e cultura próprias, o jornalismo "fatia" os assuntos. Apresenta-os em espaços separados.

Por isso, muitas vezes não se percebe a ligação entre fatos. Mesmo quando até o tempo e a história os tornam próximos.

Hoje a Câmara vota cassação ou não de Eduardo Cunha. Se ele não for cassado, será por cumplicidade e temor à delação.

Se cassado, como esperado, Cunha terá duas opções: prisão mais adiante, ou delação. PMDB, Temer e governo são principais reféns da língua de Cunha.

Tanto faz se Cunha delataria verdades ou invenções. Do ponto de vista político, tal delação provocaria estrago gigantesco.

Fato correlato se deu com a demissão do Advogado Geral da União, Fabio Medina Osório.

Ou Medina acertou muito ou o governo errou demais ao escolher a data para demissão: a três dias do julgamento de Cunha, chefão deste PMDB.

Não fosse a habitual cumplicidade, seria gigantesca a repercussão à denúncia de Medina. Disse ele à Veja:

-O governo quer abafar a Lava Jato.

Em maio, Romero Jucá e PMDB já tramavam derrubar Dilma para "estancar a Lava Jato". Novidade é a confissão do ex-Advogado Geral da União.

E isso logo depois de congelarem delação do empreiteiro Leo Pinheiro. Que, para além do PT, anunciava delatar também o PMDB e os presidenciáveis do PSDB.

Nos mesmos dias em que, já feito o estrago que interessa, se trama no Congresso anistiar quem usou caixa 2.

Gravíssimo um terceiro fato. A identidade de um infiltrado entre 26 jovens manifestantes em São Paulo.

Ele se apresentava como "Balta Nunes", 36 anos. Incitava jovens à revolta e, dizem eles, propunha sexo a três para garotas do grupo .

É habitual a P-2, Polícia Reservada das PMs, infiltrar agentes em manifestações. Mas "Balta" é, na verdade, o capitão William Pina Botelho, da Inteligência do Exército.


Por que o Exército nisso? Desde quando? Mais agentes estão ou estiveram infiltrados? Onde? Agindo como? E por ordem de quem?

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