sexta-feira, 12 de agosto de 2016

PT: O medo venceu a esperança e sepultou a luta de clases



Quando a esquerda chegou ao poder através do PT fomos todos testemunhas oculares de uma década de governos recheados de conquistas populares, mas que nunca nem de longe ameaçaram a lógica neoliberal.

Ao contrário disso, Lula e Dilma abandonaram suas convicções históricas - provocando assim nova divisão da esquerda em dois milhões de pequenos pedaços - e adotaram um modelo desenvolvimentista de gestão como base para distribuir renda e fazer justiça social.

Dentro desse contexto o partido dos trabalhadores seguiu subserviente à elite detentora do capital: afagou empresários, promoveu lucros astronômicos a banqueiros e tentou agradar opressores na expectativa de assim promover espaço e ganhos a todos os historicamente oprimidos.

E deu certo. Todavia somente durante um breve intervalo de tempo.

Bastou a volátil realidade econômica capitalista soprar seus sistemáticos ventos hostis para o castelo de cartas petista cair; o desenvolvimentismo já não bancaria mais programas sociais nem distribuição de renda.

Além disso a elite brasileira cansou de dividir espaços com as camadas mais pobres; ainda que longe de remediados os problemas nacionais, as vitórias petistas acordaram os dormentes repúdio e ódio de classe da gente branca, rica e "de bem" cuja palavra de ordem é "exclusividade".

O resultado foi a maior campanha difamatória já vista no Brasil e o maior linchamento de um partido político que temos história.

E o PT inacreditavelmente não reagiu; engoliu seus erros e apanhou quieto como se esse silêncio garantisse a manutenção dos êxitos até então alcançados.

Não garantiu. Usando o refrão de "combate à corrupção" como disfarce para a caça aos petistas, derrubaram Dilma com um golpe de estado e ameaçam prender Lula, ainda que sem provas de crime algum.

A agora a direita faminta por dinheiro e poder tem pressa: com o reforço da autofágica e alienada classe média, quer reverter o quadro social construído ao longo dos últimos doze anos e destruir cada avanço trabalhista e popular.

Daí se explica a velocidade com que o governo golpista ataca todos os triunfos do PT na educação, saúde e bem estar; Temer não pode ser reeleito e tem até 2018 para retroceder o Brasil ao país que éramos em 1998.

No entanto essa lógica não é novidade; ninguém imaginaria que privilegiados largariam seus ossos cheios de suculentos pedaços de carne por desprendimento e altruísmo; surpreendente mesmo é a inércia da esquerda nacional que, sempre fragmentada, assiste de camarote a destruição do projeto de país que um dia sonhamos, limitando-se a conduzir protestos estéreis nas ruas e nas redes sociais.

Minha esperança - sim ainda tenho esperanças - é que a roda viva traga no futuro um novo ciclo de governos humanistas e que então sejamos todos mais inteligentes nas estratégias adotadas, menos puritanos ao promover alianças com os donos do poder e mais comprometidos com nossos princípios básicos.

Até lá amargaremos o retrocesso social, que lamentavelmente já começou.


E que não tem data para acabar.

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