quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Brasil, o Japão e o estímulo ao crescimento econômico

Sanguessugado do CartaMaior


Procura-se sabotar, por aqui, a capacidade de intervenção do Estado - justamente em um momento em que nações como o Japão fazem exatamente o contrário.

Mauro Santayana

Fernanda Carvalho / Fotos Públicas

Fernanda Carvalho / Fotos Públicas

O Japão, terceira maior economia do planeta, e um pais considerado desenvolvido em quase todos os aspectos - apesar de ter uma dívida bruta com relação ao PIB mais de três vezes maior que a nossa - acaba de lançar um pacote de estímulo de 274 bilhões de dólares, para apoiar o crescimento econômico, incluindo empréstimos a juro zero para obras de infraestrutura.

Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central continua mantendo o pacote de estímulo aos bancos, com juros pornográficos da taxa SELIC na casa dos 14,5%, retirando dinheiro da economia real para dar boa vida a rentistas e especuladores.

Além disso, pretende-se também dimuir, no lugar de aumentar, o financiamento à atividade real,  via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que ainda corre o risco de ter que enviar 100 bilhões de reais ao Tesouro, restringindo sua capacidade de estimular obras e empresas, e move-se contra esse banco uma sórdida, mentirosa, campanha fascista nos meios de comunicação e redes sociais apesar de ele ter dado sempre lucro acima de 6 bilhões de reais a cada 12 meses, nos últimos anos.

Procura-se sabotar e inviabilizar, por aqui, a capacidade de intervenção e mobilização do Estado - que detêm mais de um trilhão de reais em reservas internacionais - justamente em um momento em que as nações mais importantes do mundo fazem, como o Japão, exatamente o contrário.


Estamos a ponto de votar, no Congresso, um teto obrigatório para os gastos do governo - que acaba de aprovar um generosíssimo "pacote" de aumento de salários - mesmo quando nosso grau de endividamento é menor do que o da maioria dos países desenvolvidos.

Isso, em um momento em que os juros estão negativos na maioria dessas nações, como é o caso da zona do Euro, como uma tentativa de resposta lógica, eficaz, potencialmente mais inteligente, a uma crise que, como se pode ver, não é só nossa, e que afeta neste momento - ao contrário do que por aqui querem fazer acreditar aos "trouxas" - a maior parte dos países do mundo.


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