quinta-feira, 7 de julho de 2016

Os negócios da DEA

 Via Rebelión

Héctor Bernardo

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Diario Contexto

O presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou que a agência norte-americana revende 50% das drogas que apreende e utiliza o dinheiro para financiar operações ilícitas. Apesar dessas acusações, o governo argentino assina acordos de cooperação. Opina: Stella Calloni 


O presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, denunciou, através de um comunicado de imprensa, que a agência anti-narcóticos dos EUA, a DEA, “ficava com 50% da cocaína” que apreendeu na Bolívia para financiar atividades ilícitas.  



Segundo assinalou a rede de notícias TeleSUR, “o mandatário boliviano explicou que agentes da DEA admitiram que as receitas com as apreensões eram utilizadas para pagar “bônus!” às autoridades e aos agentes encobertos.



Morales já tinha ressaltado na Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) que os Estados Unidos “criaram, com o problema das drogas, a desculpa manhosa para aplicar uma lógica imperialista de controle das forças policiais e forças armadas da região para interferir na administração dos Estados”.



“O império tem utilizado essa guerra hipócrita para induzir uma estratégia militar e geopolítica intervencionista nas zonas ricas em recursos naturais para o controle e saqueio dos mesmos. Onde se instalam a DEA e as bases militares dos EUA, crescem o narcotráfico, a deliqüência, as tendências privatizadoras nos governos, os sistemas judiciais e policiais ligados à narco-corrupção, a riqueza ilegal e as elites milionárias corruptas servis e funcionais para o Império”, acrescentou. 



Por tudo isso, o presidente Morales propôs “dissolver a DEA, fechar as bases militares norte-americanas, terminar com as certificações unilaterais, acabar com o intervencionismo e aprovar uma resolução para terminar de uma vez com o sigilo bancário.   



A jornalista e pesquisadora Stella Calloni assinalou: “A DEA tem sido denunciada até por seus ex-agentes. Nos anos 80, descobriu-se que havia um laboratório em Huanchaca, na Bolívia, de onde a DEA enviava drogas para o Comando Sul, em seguida para Miami e após retornando o dinheiro, que servia para financiar a compra de armas para os “contras” nicaragüenses, grupo de mercenários que atacava a revolução sandinista.”



“É importante assinalar que esse laboratório em Huanchaca foi descoberto pelo cientista boliviano Noel Kempff Mercado, que logo em seguida morreu assassinado pelos narcotraficantes”, afirmou a pesquisadora.


Calloni, autora do livro “Evo na mira: a CIA e a DEA na Bolívia”, assegurou: “Essa instituição tinha uma casa de torturas e sempre lutou para apropriar-se de todo o negócio das drogas. É evidente que não pretendiam combater o narcotráfico, mas sim mantê-lo sob seu controle. Todos sabemos que se trata de um negócio de milhões e milhões de dólares. 


Por último, Calloni assinalou: “Evo expulsou a DEA, e a produção de drogas na Bolívia diminuiu. Em outro extremo, está a Colômbia, que tem sete bases militares dos Estados Unidos em seu território, onde a DEA atua livremente e a produção de drogas cresce a cada ano.



A Argentina nas mãos da DEA


Enquanto a Bolívia se afasta cada vez mais da influência da DEA, o governo argentino se aproxima dessa instituição.


Recentemente, uma delegação do Ministério da Segurança, encabeçada pela titular da pasta, Patricia Bullrich, o secretário, Eugenio Burzaco e o diretor nacional para Cooperação Regional e Internacional do Ministério, Gastón Schulmesister, realizaram uma visita às sedes da DEA e do FBI em Washington, com a finalidade de iniciar conversações para assinar acordos de cooperação.



Nesse sentido, em uma entrevista publicada em Contexto e intitulada “Para combater o tráfico não há coisa pior do que obedecer à DEA”,        o ex-deputado nacional Carlos Raimundi ressaltou: “Outro dos sinais claros da mudança de eixo do novo governo argentino   é o decreto de emergência em matéria se segurança. Ao permitir a ingerência das forças armadas em questões de segurança interna e com a Lei de Derrubadas, o que ele faz é, com a desculpa de combater o narcotráfico, voltar a colocar o país na esfera da DEA. Está claro que a DEA é um mecanismo de controle do “pátio dos fundos”, não de combate ao narcotráfico.  Isso significa ingressar em um novo eixo político, e não é priorizar o combate ao narcotráfico, por que para isso não há coisa pior do que 


Na província de Buenos Aires, o mesmo



Um dado não menos significativo é a denúncia feita pelo jornal Pagina 12, através de um artigo intitulado “Um policial bem relacionado com a DEA”. O texto assinala que o recentemente designado chefe da Polícia Federal, Néstor Roncaglia, “era o nome sugerido pela embaixada dos EUA para conduzir esse órgão policial, com estreitos laços com a DEA”



Cabe recordar que o Secretário de Segurança da província de Buenos Aires, Cristian Ritondo confessou que a nomeação de Pablo Bressi como chefe da polícia de Buenos Aires foi recomendação da embaixada norte-americana.



O narcotráfico é um problema mundial. Ficar nas mãos de  uma instituição que parece querer monopolizá-lo em vez de combatê-lo pode se transformar em um problema irreversível.






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