sexta-feira, 15 de julho de 2016

CURSO PARA O COXINHA ESCLARECIDO (II)

feibuqui do Azenha

Caro amigo, você passou com louvor pela primeira aula. Para encarar a segunda, temos de voltar no tempo.

Vamos falar sobre intervencionismo estatal.

Anos 70. Você não tinha nascido. Eu estudava na Old Mill Senior High School, no condado de Glen Burnie, estado de Maryland. Fiz todas aquelas bobagens que você vê nos filmes de escola gringa, inclusive levar a linda Töve, estudante sueca, ao baile de formatura.

Meu pai americano era vendedor de seguros e trabalhava em Baltimore, cidade que visitei algumas vezes. Os americanos, como a minha família, tinham se mudado em massa para loteamentos distantes, tipo Alphaville. A indústria de base tinha abandonado o país em busca de salários mais baixos em outros lugares do mundo. Sem a grana dos impostos, as áreas metropolitanas tinham entrado em decadência profunda: prédios abandonados, crime, tráfico de drogas
.
É óbvio que você, que prega o Estado Mínimo, defenderia para este caso uma solução tocada pela mão invisível do mercado.

Se você condena o BNDES, bote um isordil sob a língua para encarar o que vou te contar.

Os governos americanos enfrentaram o problema despejando bilhões de dólares na recuperação dos centros urbanos, em dinheiro vivo ou deixando de cobrar impostos.

Funcionou mais ou menos assim: os governos reduziram os impostos para empresas que se instalassem em áreas degradadas.

Em alguns casos, exigiram que as empresas contratassem moradores locais. Com salário garantido, os moradores financiavam apartamentos em prédios reformados com dinheiro público, tipo Minha Casa Minha Vida.

Que horror! Puro dirigismo estatal.

Baltimore ganhou um lindo shopping center bem na marina. Cleveland, Detroit... aconteceu o mesmo num grande número de cidades dos Estados Unidos. Mais tarde, foi assim no Harlem e no Times Square, em Nova York.

Quando conheci o Harlem, em 1985, parecia um bairro recém bombardeado. Hoje você pode até ir àquela missa gospel recomendada pelos reaças do Manhattan Connection, também defensores do Estado Mínimo (para os outros).

E você que pensou que o intervencionismo estatal nos Estados Unidos fosse coisa da crise de 2008, quando o Obama salvou os bancos e a General Motors!


Portanto, quando você fizer o próximo selfie diante daquele teatro da rua 42, escreva na legenda:

 "Mamando nas tetas do Estado americano". O Lion King só passa lá por conta do intervencionismo estatal com dinheiro público.

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